Capítulo II: Só uma noite

47 7 6
                                    


Alana mal saíra do quarto quando voltou correndo e gritando:

— Eu disse que sua paz não duraria muito. — ria ela mal conseguindo respirar, – aquela mulher não conseguiria correr para salvar a própria vida – Luca e Hanna tentaram dizer algo, mas quando Alana estava determinada a falar, ninguém falaria antes dela — O jovem Senhor pediu que todos os soldados se reunissem no pátio para um treino em conjunto. E a cozinha precisa de mais serviçais, então sua folga foi adiada Hanna.

— Mas que merda, uma mulher não tem um único dia de paz! — praguejou Hanna, empurrando Luca do ponto na cama onde ele estava sentando e levantou-se xingando como um marinheiro.

— Tenha um pouco de modos, a família Real está aqui, deveria se comportar melhor. — disse Alana cruzando os braços e formando uma expressão do mais puro desagrado.

Hanna não se abalou nenhum pouquinho.

— Olha só quem está dizendo, sei que espera ansiosamente pela oportunidade de meter o nariz onde não foi chamada e mexer em tudo que os Amisterium trazem com eles, além disso, tenho certeza que conseguem aguentar alguns palavrões.

— Isso é verdade, — intrometeu-se Luca — monarcas estão muito acostumados com xingamentos direcionados a eles.

— Mas é rude mesmo assim.

— E desde quando você tenta não ser rude? — Hanna retrucou fazendo um coque com os cabelos louros, e Luca, percebendo que a discussão não iria a lugar algum e provavelmente não acabaria tão cedo, murmurou um pedido de licença e se retirou sem ser percebido.

Estava em seu quarto, terminando de calçar as botas, quando a mãe, sem bater à porta, entrou, colocando as mãos na cintura e empinando o nariz como sempre fazia quando queria dar ordens.

— Não ouse se apresentar para esse treino. — disse ela com uma postura tão rígida que parecia tremer de raiva, ou medo.

— Obrigatório é o oposto de opcional. — respondeu o garoto rispidamente, não porque queria participar, mas estava cansado da forma que a mãe tentava segurá-lo de qualquer forma.

A mulher estalou a língua, aproximando-se do filho com um olhar gentil e tomando o rosto do rapaz nas mãos, como se ele ainda fosse uma criança procurando pelo auxílio e aprovação dela.

— Meu filho, meu pequeno menino com a coragem de um lobo. — disse ela calmamente — Sabe que estamos aqui por pura bondade de Senhora Cecília, o reino exige saber sobre estrangeiros e eles não nos registraram como pedi porque nosso povo apoia um grande inimigo. Não somos bem-vindos nessa terra e é perigoso que se exponha à família Real dessa forma. Não entende?

— Sabe que Renly me puxará pelo braço pessoalmente se eu não for e isso chamaria ainda mais atenção. Prometo me segurar e ficar longe do foco.

— Renly saberá que está se segurando. Mas que posição terrível o jovem Senhor nos colocou. — ela balançou a cabeça — Apenas mantenha os olhos do príncipe longe de você.

Luca assentiu, era o que pretendia fazer de qualquer forma, não tinha o menor interesse em encarar Augustus. Não agora, não assim — o jovem não acreditava que isso impediria o príncipe de percebê-lo, mas isso era algo que não poderia explicar para a mãe.

O rapaz levou a mão ao pescoço tocando o medalhão dourado e, em uma rápida decisão, abriu o trinco e o tirou, antes de levantar-se e fechar as mãos da mãe ao redor da joia.

— Acho melhor guardar isso para mim até o treino acabar.

Maia assentiu, claramente contrariada, mas permaneceu em silêncio, assistindo o filho sair pela porta.

Amisterium: O Herdeiro LegítimoOnde histórias criam vida. Descubra agora