Capítulo XI: Em Nome da Honra

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Luca mal teve tempo para acordar direito, Hanna já estava ao lado dele, com uma bandeja cheia de bolos, sucos, praticamente jogando-o da cama para chamar sua atenção.

— Me pediram para avisar que você tem um treinamento com o príncipe Augustus hoje.

— Que gentil da parte dele — o jovem soldado grunhiu sem muito humor, não estava ansioso para passar um tempo sozinho com Augustus, na verdade preferia evitá-lo de todas as formas possíveis.

Luca não era idiota, com certeza não era o homem mais inteligente a andar por Vallis, mas certamente não era um tolo, tinha total noção de que havia ofendido o príncipe na noite anterior, sabia que não deveria esperar nada positivo vindo dele nos próximos dias – afinal Augustus poderia ser cruel ou encantador em um piscar de olhos, e nem sempre era possível acompanhar suas mudanças de humor – e talvez Luca até mesmo merecesse esse tipo de reação negativa, mas o que poderia fazer afinal?

Não havia a menor possibilidade de que algo entre eles se tornasse real, e, novamente, Luca não era um tolo, não era nem mesmo um sonhador, e não era do seu feitio prender-se no impossível.

Se Augustus era um herdeiro, tinha nas costas o peso de um reino que Luca jamais poderia ajudá-lo a carregar, um peso que o próprio reino recusaria que fosse dividido entre os dois, e, como tal, tinha suas obrigações, como Luca poderia mudar isso.

O soldado não acreditava em destino, mas não poderia mentir para si mesmo e negar que alguns caminhos estão determinados desde o nascimento – Luca era um servo, um soldado que devia sua vida aos M'Arhaem, Augustus era um príncipe, o futuro rei, sua função era mantê-los em ordem, viver em função do povo. Os dois caminhos poderiam se cruzar, mas não eram o objetivo final um do outro.

E Luca não permitiria ser machucado pela negação de Augustus, mesmo que precisasse machucá-lo no processo, nenhum deles poderia mudar aquela realidade.

Apesar de não estar nada animado para enfrentar o dia e tudo que o aguardava, Luca estava grato pela presença de Hanna, que o conhecia bem o suficiente para oferecer a bandeja de comida como uma oferta de paz diante de seu mau humor.

— Preciso dizer — Hanna começou, como se contasse um segredo muito importante — Nunca achei que o veria com preguiça de viver o dia, sempre foi uma pessoa irritantemente ativa pela manhã.

— Isso foi antes de vir parar aqui.

— E você ainda me deve algumas explicações sobre isso.

Luca balançou os ombros, tentando, de alguma forma, fugir do assunto.

— O que posso dizer? Ninguém esperava que participar de um único baile faria o rei querer se casar com minha mãe, mas aqui estamos.

— Então isso vai acontecer mesmo? — Hanna murmurou — O rei realmente vai se casar com sua mãe? As conversas correm, mas eu não conseguiria acreditar até ouvir de você diretamente.

— O que achou que poderia ter nos trazido aqui?

— Não sei — foi a vez da loira dar de ombro — Não é como se Maia fosse um livro aberto, você e sua mãe sempre foram um mistério para todos. Eu não me surpreenderia nada se, na verdade, ela tivesse sangue Real esse tempo todo e escondesse de todo mundo. De qualquer forma, precisamos ir. Mal aprendi a andar por esses corredores, mas aparentemente preciso te guiar para um treino no pátio.

— Sei onde o pátio fica, posso chegar lá sozinho.

— Ótimo, então vai me ensinar o caminho. Vamos, tenho muito o que fazer hoje e virar a serva de um futuro príncipe nunca esteve em meus planos.

Amisterium: O Herdeiro LegítimoOnde histórias criam vida. Descubra agora