Capítulo 15 - Sem despedidas

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Ela havia empurrado a porta devagar, não queria que se preocupassem com ela e nem que precisasse explicar o que havia acontecido. Segurou todas as lágrimas enquanto ouvia todas as conversas que vinham do quarto da mãe, já que não havia visto ninguém no andar de baixo, por sorte. Assim que cruzou o seu quarto, que dividia com a irmã quando eram mais novas, bateu a porta com toda a força. Correu para que pudesse juntar suas roupas que estavam espalhadas pelo quarto, agarrando sua mala preta do chão, jogando-a na cama e a abrindo-a para que jogasse todas suas coisas ali e fez isso de qualquer jeito.

Não estava sozinha, tinha consciência disso, mas sentia-se como se estivesse. Foi a primeira vez que sentiu tanta solidão, mas apesar da dor, algo dentro dela sabia que tudo se arrumaria se ela desse um tempo. Ele estava ocupado demais nesse momento, e agora ela sentia o que o menino sentiu quando viu ela aos beijos com o ex.

Ela sempre soube que precisava se libertar de tudo, mas lhe faltava coragem, forças para que pudesse tirar Robin de sua vida e deixar tudo que construiu na cidade grande para trás, mas não podia, era fraca demais para isso, ou pelos menos ela pensava que sim. Sentia-se sozinha porque estava indo embora sem olhar para trás ou se importar com qualquer um nessa casa, ou com ele. Porque, sabia que ia doer mais se ficasse ali, mesmo que quisesse passar mais tempo com a mãe e com os irmãos, mas precisava voltar a sua realidade, procurar um emprego, rever Sabina que estava sentindo falta da amiga e é claro, conversar civilizadamente com o Robin para que tudo se resolvesse, quem sabe até dá-lo uma chance de se explicar.

Respirando fundo, olhou mais uma vez ao seu redor e após ter certeza de que não queria mais nada ali, fechou a mala, devolvendo-a ao chão. Já havia enchido sua bolsa com seus produtos de maquiagem e colocado sua carteira, com documentos pessoais, dentro da sua bolsa também, não podendo esquecer do seu celular.

Seguiu até a porta, saindo do quarto e se direcionando pelas escadas.

- Jo? Onde você vai? – escutou a voz da irmã mais velha, olhando para trás, percebendo que seu irmão, sobrinho, cunhado e mãe estavam ali também, olhando a cena preocupados.

- Eu vou voltar para a cidade grande. – ela respondeu firme, mesmo que tudo parecia desmoronar por dentro de si.

- Assim do nada? – foi a vez de sua mãe perguntar.

- Eu só preciso de um tempo, longe daqui, longe do meu passado. Eu não posso ficar aqui para sempre, vou tentar arrumar outro emprego, preciso voltar a viver. – ela respondeu, sentindo seu coração se apertar, só de pensar que não os veria todo dia mais.

- Jo, eu achei que você ia ficar aqui até a mamãe... – Sina se cortou, olhando para a irmã de forma decepcionada.

- Mas eu vou vir visitá-los, não se preocupem. – ela afirmou, segurando firme a alça de sua mala.

- O que houve entre você e o Bailey? – Sina perguntou, quando Joalin começou a descer as escadas e todos vieram atrás.

- Ele quis seguir o seu caminho, e eu vou seguir o meu. Ele deve voltar para as Filipinas em uns dias, nem sequer se deu o trabalho de se despedir, por isso mesmo só vou me despedir de vocês. – ela disse, abrindo a porta de casa, para que pudesse ir o quanto antes. Sina e Johanna trocaram um olhar, percebendo que o plano de entregar a ela aquelas cartas não dera certo.

- Jo, você não pode deixar tudo assim do nada. – Sina disse, querendo convencer a irmã de ficar ali.

- Eu sinto muito, Sina, queria eu poder ficar aqui, mas não posso. Meu lugar não é aqui, eu preciso seguir em frente. – Joalin respondeu, não querendo chatear a sua irmã ainda mais.

- Querida, por que não vai pela manhã? Posso fazer um jantar... – foi a vez de mãe de tentar convencê-la.

- Não dá, mamãe. – ela acariciou os cabelos grisalhos da mais velha. – Eu venho visitá-los o quanto antes.

Idas E Vindas - JoaleyOnde histórias criam vida. Descubra agora