Depois da bomba que minha mãe soltou foi como se aquele ano realmente fosse titulado a ser o pior ano da minha vida. Ela disse que estava com câncer no pulmão e que havia descoberto no estágio final, mesmo depois de alguns tratamentos, o médico disse que sentia muito, mas que ela não passava desse ano.
Agora estávamos eu, Sofya e Sina sentadas no telhado de casa, abraçadas e deixando algumas lágrimas escorrerem. Eu senti meu coração se apertar tão forte que ele poderia pular para fora, eu estava simplesmente devastada, não há nada que possa piorar.
- Eu não sei o que vamos fazer sem ela aqui. – Sina lamentou com a voz embargada.
Minha mãe era do tipo que contagiava a todos, tenho certeza que não só a gente, mas todos da região irão lamentar pela ida dela. Eu sabia que esse momento chegaria, as mães não são para sempre, eu só não imaginava que seria tão rápido e que seria num momento tão horrível da minha vida.
- Temos que ser fortes. Por ela e por nós. – eu disse, abraçando ela pelo ombro com uma mão e com a outra fiz o mesmo com Sofya.
- Eu sou a irmã mais velha. Eu deveria estar dando força a vocês. – Sina disse tentando fazer graça, Sofya e eu soltamos uma risada leve. Eu sabia que era difícil pra ela.
- O que nós temos que fazer agora, é ajudar para que ela seja feliz imensamente nesse último ano. – Sofya deu um sorriso triste.
- Por isso eu fiz essa lista. – minha mãe surgiu ao telhado e nós arregalamos os olhos.
- Mãe! Você está maluca? Não pode vir aqui sozinha. – Sina lhe deu um sermão e ela rolou os olhos.
- Estou doente, não morta. E eu sempre vim aqui com vocês. Agora não vai fazer mal.
- Tem que ter mais cuidado, mãe. – eu ralhei com ela.
- Lin, você sempre foi a menos chata, não me faça pensar o contrário. – me calei. – Fiz essa lista de coisas que queria fazer antes de partir e eu quero que vocês estejam comigo.
- Nós estaremos. – assegurei a abraçando como se fosse a última vez que de fato eu faria isso.
...
Eu andava pelos arredores da minha casa, precisava ficar um pouco sozinha e meu quarto antigo só me trazia mais lembranças da minha mãe comigo, não quero chorar com isso, só de pensar que ano que vem ela não está mais aqui me dá uma angústia péssima e eu não sei o que vou fazer quando isso acontecer. Precisa respirar ar puro, não ter toda essa pressão esmagando minha cabeça.
A floresta que eu sempre brincava quando era criança parecia tão mais calma, continuava com aquelas grandes árvores e com belos frutos. Me sentia calma e em paz, como não me senti nesses últimos anos.
O ar puro e fresco entrava por minhas narinas e eu senti meu coração quentinho, por mais que tenha recebido notícias péssimas para uma sexta-feira. Já era quase cinco da tarde e o sol estava fraco apenas dando o ar da graça e uma brisa fresquinha balançava os meus cabelos.
Os passarinhos cantavam lindamente e eu sorria com isso. Meus olhos foram até uma das árvores e eu não pude deixar de ser entupida de lembranças ao ver aquela casinha construída na árvore grande.
Eu havia construído ela com Bailey, um namoradinho de infância, e eu não faço nem ideia de onde ele possa estar, além de saber que ele foi para as Filipinas quando tínhamos oito anos. Ele era uma lembrança tão bonita em meu coração, me fazia muito bem ficar com ele quando éramos mais novos. A casinha continuava igual, mesmo que alguns galhos da árvore quebraram um pouco o telhadinho de madeira e ela estava coberta por cipó e eu não duvidava que devia ter algum bicho ali.
