Brooke
Fiquei o dia inteiro com o Thiago. Fiz com que ele cancelasse o almoço com a namorada, inventando uma desculpa qualquer, e também o fiz ficar ali comigo — como se o tempo tivesse decidido nos obedecer naquele dia. No fim da tarde, depois do banho de banheira que nos deixou relaxados demais para o que era seguro sentir, nos organizamos em silêncio e fomos embora.
Como ele tinha vindo de carro, seguimos juntos até o estacionamento. O trajeto foi curto, mas carregado de coisas não ditas. Ele me deixou em casa, parando o carro devagar demais, como se estivesse adiando aquele momento.
Antes de sair, respirei fundo e tentei uma última vez.
— Sei que você remarcou o almoço pra um jantar... mas tem certeza de que não quer entrar e ficar comigo? — perguntei, já sabendo a resposta, mas incapaz de não tentar.
Droga. O que estava acontecendo comigo?
Ele me olhou por um segundo a mais do que o necessário. Um segundo perigoso.
— Não dá. Quero ficar numa boa com ela. — disse, inclinando-se para me dar um beijo na bochecha, desses que parecem inofensivos demais pra tudo o que tinham por trás — Mas, se você quiser... eu venho dormir com você.
Soltei um meio sorriso, fingindo leveza.
— Tá, tudo bem. Mas manda mensagem antes... só pra ter certeza se eu ainda vou querer que você durma comigo.
Pisquei, abri a porta e saí do carro antes que ele pudesse responder qualquer coisa que complicasse ainda mais tudo.
Atrás de mim, ouvi a risada dele — baixa, solta, satisfeita demais. Logo depois, o cantar dos pneus no asfalto.
E fiquei ali, parada por um instante, sabendo que nada daquilo era simples... e que, mesmo assim, eu não queria que fosse.
Entrei em casa e fechei a porta com cuidado, como se alguém pudesse reclamar do som. O silêncio me atingiu de imediato. Não aquele silêncio confortável de fim de dia, mas um silêncio pesado, que parece perguntar coisas demais.
Joguei a bolsa no sofá e fiquei parada no meio da sala por alguns segundos, sem saber exatamente o que fazer comigo mesma. Meu corpo ainda estava quente do banho, da proximidade, da presença dele. E agora não tinha mais ninguém ali para dividir esse calor.
Caminhei até a cozinha, peguei um copo d'água e encostei na pia, olhando para o nada. Minha mente, no entanto, não colaborava. Voltava para o estacionamento. Para o jeito como ele me olhou antes de dizer que não dava. Para o beijo na bochecha que não tinha nada de inocente. Para a frase dita com facilidade demais:
"Mas se você quiser... eu venho dormir com você."
Revirei os olhos para mim mesma.
— Idiota... — murmurei baixo, mais como um pedido de socorro do que como xingamento.
Segui para o quarto e tirei a roupa devagar, sentindo o cheiro do sabonete ainda na pele. A banheira, o riso abafado, a intimidade silenciosa — tudo parecia grudado em mim. Vesti um pijama qualquer e me joguei na cama, encarando o teto.
Era ali que doía.
Porque não era sobre sexo. Não era nem sobre ele, exatamente. Era sobre me sentir escolhida o dia inteiro... e devolvida no fim da noite.
Peguei o celular. A tela acendeu rápido demais. Nenhuma mensagem.
Respirei fundo e deixei o aparelho cair ao meu lado, como se assim fosse mais fácil fingir que não estava esperando. Mas meu corpo denunciava. Pernas inquietas, peito apertado, um nó estranho no estômago.
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A batida do meu coração
Teen FictionCriada pela justiça. Forjada na escuridão. Brooke não veio para obedecer. Livro da Brooke Cooper Miller Segunda temporada de 'Nas Mãos do Destino'
