Capítulo 16

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Brooke

Fiquei o dia inteiro com o Thiago. Fiz com que ele cancelasse o almoço com a namorada, inventando uma desculpa qualquer, e também o fiz ficar ali comigo — como se o tempo tivesse decidido nos obedecer naquele dia. No fim da tarde, depois do banho de banheira que nos deixou relaxados demais para o que era seguro sentir, nos organizamos em silêncio e fomos embora.

Como ele tinha vindo de carro, seguimos juntos até o estacionamento. O trajeto foi curto, mas carregado de coisas não ditas. Ele me deixou em casa, parando o carro devagar demais, como se estivesse adiando aquele momento.

Antes de sair, respirei fundo e tentei uma última vez.

— Sei que você remarcou o almoço pra um jantar... mas tem certeza de que não quer entrar e ficar comigo? — perguntei, já sabendo a resposta, mas incapaz de não tentar.

Droga. O que estava acontecendo comigo?

Ele me olhou por um segundo a mais do que o necessário. Um segundo perigoso.

— Não dá. Quero ficar numa boa com ela. — disse, inclinando-se para me dar um beijo na bochecha, desses que parecem inofensivos demais pra tudo o que tinham por trás — Mas, se você quiser... eu venho dormir com você.

Soltei um meio sorriso, fingindo leveza.

— Tá, tudo bem. Mas manda mensagem antes... só pra ter certeza se eu ainda vou querer que você durma comigo.

Pisquei, abri a porta e saí do carro antes que ele pudesse responder qualquer coisa que complicasse ainda mais tudo.

Atrás de mim, ouvi a risada dele — baixa, solta, satisfeita demais. Logo depois, o cantar dos pneus no asfalto.

E fiquei ali, parada por um instante, sabendo que nada daquilo era simples... e que, mesmo assim, eu não queria que fosse.

Entrei em casa e fechei a porta com cuidado, como se alguém pudesse reclamar do som. O silêncio me atingiu de imediato. Não aquele silêncio confortável de fim de dia, mas um silêncio pesado, que parece perguntar coisas demais.

Joguei a bolsa no sofá e fiquei parada no meio da sala por alguns segundos, sem saber exatamente o que fazer comigo mesma. Meu corpo ainda estava quente do banho, da proximidade, da presença dele. E agora não tinha mais ninguém ali para dividir esse calor.

Caminhei até a cozinha, peguei um copo d'água e encostei na pia, olhando para o nada. Minha mente, no entanto, não colaborava. Voltava para o estacionamento. Para o jeito como ele me olhou antes de dizer que não dava. Para o beijo na bochecha que não tinha nada de inocente. Para a frase dita com facilidade demais:

"Mas se você quiser... eu venho dormir com você."

Revirei os olhos para mim mesma.

— Idiota... — murmurei baixo, mais como um pedido de socorro do que como xingamento.

Segui para o quarto e tirei a roupa devagar, sentindo o cheiro do sabonete ainda na pele. A banheira, o riso abafado, a intimidade silenciosa — tudo parecia grudado em mim. Vesti um pijama qualquer e me joguei na cama, encarando o teto.

Era ali que doía.

Porque não era sobre sexo. Não era nem sobre ele, exatamente. Era sobre me sentir escolhida o dia inteiro... e devolvida no fim da noite.

Peguei o celular. A tela acendeu rápido demais. Nenhuma mensagem.

Respirei fundo e deixei o aparelho cair ao meu lado, como se assim fosse mais fácil fingir que não estava esperando. Mas meu corpo denunciava. Pernas inquietas, peito apertado, um nó estranho no estômago.

A batida do meu coraçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora