XXVI

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Já era tarde. Dimitri havia conseguido exatamente o que queria. Poder, respeito, tudo aquilo que eu demonstrava interesse acabava sendo meu.

De repente, um casal se aproximou de nossa mesa, sorrindo com excessiva formalidade.

- Olá, senhor Romanov, eu e minha esposa viemos cumprimentá-lo - disse o homem.

Dimitri ergueu o olhar, avaliando-os com frieza e desdém.

- Boa noite, Castro. Boa noite, Nathe - respondeu seco.

Nathe me lançou um olhar carregado de ironia:

- Você é uma mulher de sorte, Raissa Vassilev. Seu marido parece gostar muito de mimar você.

Ela olhou para os bebês e continuou, debochada:

- Que lindos... são seus filhos? O menino é tão bonito. Eu só tive meninas. Sabe, Raissa, na Máfia, filhas acabam sendo inúteis. Por que não manda a sua para um internato?

Dimitri abriu a boca para responder, mas eu me adiantei.

Levantei a cabeça, fixei meus olhos nos dela, e falei com firmeza:

- Não ouse falar da minha filha. Como você mesma disse, meu marido me dá tudo o que desejo. E meu maior desejo agora... é que você não se aproxime novamente de nós.

O salão ficou em silêncio. Nathe engoliu em seco, e o marido dela tentou interceder:

- Perdão, senhor... minha esposa não mede as palavras.

Dimitri levantou-se lentamente, impondo sua presença.

- Saiam daqui - disse com voz baixa e mortal. - E considerem isso um aviso: se cruzarem meu caminho novamente... haverá consequências.

Eles saíram às pressas, e Dimitri voltou a me encarar.

- Vai brigar comigo? - perguntei, ainda nervosa. - Eu só queria proteger nossa filha.

Ele sorriu, bateu levemente no próprio colo, sinalizando para que eu me sentasse. Entendi o recado.

Me acomodei ali, e ele passou o braço ao redor da minha cintura, acariciando meus cabelos.

- Não vou brigar com você - disse. - Você agiu como mãe. Está no seu direito.



Já passava da madrugada quando chegamos em casa. Os bebês estavam dormindo, e a mansão silenciosa parecia abraçar nosso cansaço.

Deitei-me no peito de Dimitri, sentindo o calor do seu corpo e o ritmo tranquilo de sua respiração. Seus dedos passaram pelos meus cabelos, acariciando-me lentamente.

- Você é minha, escutou? - disse ele, firme, possessivo, mas com ternura.

- Sim - respondi, suspirando. - Mas queria sentir que também posso ser independente... não apenas obedecer.

Ele sorriu levemente, beijando minha testa, antes de deslizar os braços ao redor da minha cintura, me puxando mais para perto.

- Você sempre será minha, mas isso não significa que não possa ter espaço. - O tom dele era firme, mas suave.

Encostei minha cabeça em seu ombro, sentindo o calor do corpo dele e o conforto da segurança que ele transmitia. Dimitri inclinou-se, passando o rosto pelo meu cabelo e beijando minha nuca com delicadeza, quase brincando.

- Sabe... eu gosto quando você está assim, só nossa - murmurou ele, com voz baixa. - Só eu e você, sem ninguém para atrapalhar.

Sorri, fechando os olhos, sentindo o corpo relaxar nos braços dele. Dimitri passou os dedos levemente pelo meu rosto, traçando a linha do meu queixo até os lábios, sem pressa, como se cada toque fosse importante.

- Vamos descansar - disse ele, ainda segurando minha cintura. - Amanhã teremos muito para fazer, mas agora... apenas nós.

Encostei minha mão sobre a dele, entrelaçando os dedos, e me aconcheguei ainda mais. Sentir Dimitri ali, tão próximo, me fazia esquecer do mundo lá fora. O silêncio do quarto se tornou nosso, apenas nossos sussurros e respirações misturadas.

Ficamos assim, embalados pelo calor e pela intimidade, deixando que a noite nos envolvesse lentamente, sem pressa, apenas desfrutando da sensação de sermos só nós dois, enquanto nossos filhos dormiam tranquilamente nos quartos próximos.

Deitei minha cabeça em seu peito, sentindo o calor dele e o batimento firme do coração. Dimitri passou a mão suavemente nos meus cabelos.

- O que te faria se sentir mais livre e independente?

- Queria trabalhar em algo... nem que seja em casa. Não arrumo nem nosso quarto direito - respondi, envergonhada.

- Te darei um cargo - disse ele, com um sorriso leve. - Mas só poderá assumir quando nossos filhos tiverem um ano.

- O quê? - perguntei, surpresa.

- Será diretora do orfanato. Você cuidará de tudo que diz respeito a ele.

- Sério? - meu sorriso escapou naturalmente.

- Sim - confirmou Dimitri, acariciando minha mão.

Império RussoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora