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Raissa

A manhã começou calma, com Andrei e Helena brincando no quarto de brinquedos. Eu estava na sala, organizando algumas decorações de Natal, quando Tamara entrou com expressão séria.

- Raissa, precisamos conversar - disse ela, fechando a porta atrás de si.

- O que houve? - perguntei, sentindo meu coração acelerar.

- Recebi informações de que há pessoas observando a casa. Não sei ainda se é uma ameaça direta a você ou aos seus filhos, mas precisamos ser cautelosas.

Meu estômago se contraiu. Havia passado tanto tempo sentindo que tudo estava seguro... e agora isso.

Tamara rapidamente posicionou-se perto da entrada da sala, seus olhos atentos a qualquer movimento.

- Fique aqui e não saia sozinha - ordenou. - Eu vou dar uma olhada do lado de fora.

Antes que eu pudesse reagir, ouvi um barulho estranho vindo da porta da frente. Dois homens encapuzados tentaram forçar a entrada. Meu corpo travou de medo.

- Tamara! - gritei, correndo para me esconder atrás do sofá.

Ela se moveu como um raio, bloqueando a entrada e empurrando os invasores para longe com movimentos precisos, usando força controlada para não machucá-los gravemente.

- Fique atrás de mim! - gritou, enquanto neutralizava os homens rapidamente.

Eu observava, maravilhada e assustada. Tamara era uma muralha de força e determinação, cada ação calculada, cada movimento certeiro. Ela não hesitava.

- Raissa, pegue os bebês e vá para o quarto de brinquedos! - ordenou, enquanto empurrava o último invasor para fora da sala.

Segui imediatamente, segurando Andrei e Helena firmes, meu coração disparado. Tamara fechou todas as entradas e garantiu que ninguém mais pudesse entrar, verificando cada janela e corredor.

Quando tudo terminou, ela finalmente voltou para mim, respirando fundo, mas ainda alerta.

- Está tudo bem agora - disse, colocando a mão no meu ombro. - Ninguém vai te machucar enquanto eu estiver aqui.

Raissa

Sentei-me no chão, abraçando meus filhos, ainda tremendo.

- Obrigada, Tamara... - murmurei. - Você salvou nossas vidas.

Ela me olhou seriamente.

- É meu trabalho, Raissa. E vou fazer o que for necessário para garantir que você e as crianças estejam seguras. Sempre.

Naquele momento, senti uma mistura de alívio e gratidão. Dimitri estava longe, resolvendo assuntos da máfia, mas Tamara provou que podia ser tão confiável quanto ele.

Olhei para ela e disse:

- Eu confio em você. Não sei o que faria sem você.

- Então nunca terá que descobrir - respondeu Tamara com um pequeno sorriso, antes de me guiar de volta para o quarto de brinquedos, garantindo que as crianças estivessem protegidas e que eu pudesse respirar aliviada.

E naquele dia, pela primeira vez, percebi que não estávamos sozinhas. Enquanto Dimitri estivesse ausente, Tamara seria nossa sombra, sempre alerta, sempre pronta para proteger nossa família.

Dimitri

O dia inteiro fora caótico. Reuniões, negociações, mensagens de aliados... tudo parecia exigir minha atenção, mas uma sensação estranha não me abandonava. Algo dizia que minha família poderia estar em perigo.

Quando cheguei em casa, a fachada estava tranquila demais. A luz do fim de tarde refletia nas janelas, e os sons da cidade pareciam abafados. Mas meu instinto nunca falha.

Abri a porta da entrada e imediatamente notei algo diferente: a porta do quarto de brinquedos estava levemente entreaberta, e dentro da sala, não havia o movimento habitual. Algo me dizia que minha família estava em alerta.

- Tamara! - gritei, minha voz firme e autoritária, ecoando pelos corredores.

Ela apareceu rapidamente, descendo as escadas, os olhos atentos e um brilho de tensão no olhar.

- Dimitri, está tudo bem. Teve uma tentativa de invasão, mas já está resolvido - disse, firme. - Ninguém entrou, Raissa e as crianças estão seguras.

Minha respiração acelerou, e um misto de alívio e raiva tomou conta de mim. Alguém ousou ameaçar minha família na minha própria casa... e falhou.

- Me diga exatamente o que aconteceu - ordenei, enquanto avaliava cada movimento dela, como se confirmasse que cada detalhe estava correto.

Tamara me explicou tudo: os homens que tentaram entrar, como ela os neutralizou, e como guiou Raissa e os bebês para um local seguro. Cada palavra reforçava a confiança que já tinha nela, mas a fúria crescia dentro de mim.

- Bom trabalho, Tamara - disse, colocando minha mão em seu ombro, apertando de leve. - Você protegeu minha família. Não sei o que faria sem você.

Ela apenas assentiu, sem tirar os olhos da porta, mantendo a postura de quem ainda espera o perigo aparecer.

Então ouvi risadinhas e barulhos do quarto de brinquedos. Raissa e os bebês estavam lá, intactos. Meu peito relaxou um pouco, mas a raiva não diminuía.

- Raissa - disse, aproximando-me dela com passos firmes, segurando sua mão. - Está tudo bem, minha princesa?

Ela olhou para mim, ainda com o susto nos olhos, mas sorriu levemente.

- Sim, Dimitri. Tamara nos protegeu. - E deu um abraço apertado em mim.

Meu coração apertou, misto de amor e possessividade. Olhei para Tamara, e senti uma pontada de respeito profundo. Ela não era apenas uma guarda; era parte da nossa família agora.

- Hoje todos aprenderam uma lição - disse, baixando a voz, quase para mim mesmo. - Ninguém toca na minha família e sai impune.

Tamara assentiu, e juntos, pela primeira vez naquele dia, sentimos que a tempestade havia passado. Mas eu sabia, lá no fundo, que esta era apenas a primeira de muitas.

E naquele instante, prometi a mim mesmo: enquanto eu respirar, ninguém jamais ameaçará Raissa e nossos filhos.

Império RussoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora