Meu pai estava radiante enquanto conversava com o Don. Eu, por outro lado, ainda tentava processar tudo. Era difícil aceitar um casamento imposto, onde a palavra final seria sempre dos Romanov.
Ivan: - Filha, acompanhe o Don. Ele quer conversar a sós com você.
Raissa: - Sim, papai.
O Don segurou minha mão com firmeza. Caminhamos juntos até o escritório reservado no salão.
Dimitri: - Sente-se.
Ele apontou para uma poltrona de couro. Obedeci em silêncio. Ele sentou-se à minha frente, o olhar firme.
Dimitri: - Sabe por que foi a minha escolhida?
Raissa: - Não, senhor.
Seu semblante endureceu por um instante. Ele se inclinou levemente, demonstrando desconforto com a formalidade.
Dimitri: - Já pedi para me chamar pelo meu nome. Não quero precisar reforçar isso com você.
Engoli em seco, assenti, e me corrigi.
Raissa: - Não, Dimitri...
Seu nome soou estranho em meus lábios. Ele pareceu satisfeito com a mudança de tom.
Dimitri: - Printsessa, você foi a única que não tentou me impressionar. A única que se manteve firme, sem se jogar nos meus braços. E isso, para mim, significa algo.
Não respondi. Meu olhar dizia tudo: receio, dúvidas e um medo silencioso.
Dimitri: - E então... o que deseja como presente de noivado?
Raissa: - Não precisa se incomodar.
Ele riu baixo.
Dimitri: - Uma noiva modesta. Confesso que é raro. Amanhã à noite, vamos jantar juntos. Quero conhecer você melhor.
Apenas assenti.
Dimitri: - Antes de voltarmos, quero um beijo da minha noiva.
Hesitante, aproximei-me. Ele se inclinou suavemente e, com um toque impositivo, nos beijamos. Um beijo calmo, porém carregado de expectativa - dele, não minha.
Dimitri: - Em breve, você será exatamente como eu quero.
Saímos do escritório de mãos dadas.
De longe, pude ver o brilho nos olhos do meu pai. Ele estava feliz. E por mais que tudo dentro de mim gritasse contra, não consegui odiá-lo. Papai nunca foi um exemplo de pai. Sempre me aplicou castigos terríveis , e agora acreditava estar me garantindo um futuro estável. Crescer na máfia significa servir - mesmo que isso custe a si mesma.
Dimitri: - Ivan, sua filha é encantadora. Faça com que o anúncio do noivado chegue à imprensa, e organize tudo: o casamento será em um mês.
Ivan: - Claro, senhor. Cuidarei de tudo pessoalmente.
Dimitri: - E leve minha noiva para casa. A partir de hoje, quero certeza de que ela não terá contato com nenhum outro homem. Nem olhares, nem palavras. Nem por descuido.
O tom dele foi frio, quase ameaçador.
Meu pai hesitou por um segundo, mas logo me chamou.
Antes de eu partir, Dimitri me beijou outra vez. Um gesto possessivo, como quem marca território.
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Mais tarde, já em casa, exausta da noite, sentei-me na beira da cama e suspirei.
Ivan: - Filha?
Raissa: - Oi, papai.
Ele entrou no quarto, mais calmo.
Ivan: - Estou orgulhoso de você. Um casamento com a pessoa certa... isso pode mudar tudo para nós.
Raissa: - Papai, estou com medo...
Ele se sentou ao meu lado, suspirando fundo.
Ivan: - Eu não posso te dizer para não ter medo. Mas posso te dizer que, se fizer tudo como ele espera, Dimitri não será cruel com você. Ele não é um homem fácil, mas é previsível. Cumpra o que ele exige, e estará segura.
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