Quatro meses depoisRaissa
Eu estava grávida de cinco meses. Comecei a sentir os sintomas da gravidez poucos dias depois da nossa conversa.
Assim que soube da gravidez, Dimitri mandou chamar uma ginecologista obstetra da Máfia para me atender.
Fui ao consultório, fiz todos os exames necessários e conferi se o bebê estava bem.
Ainda não conseguimos ver o sexo. O bebê estava sempre com as perninhas fechadas.
Sorri, passando a mão na minha barriga.
Às vezes, a apreensão me tomava por completo. Tinha plena consciência de que Dimitri queria um menino.
Sabia também que, se fosse uma menina, as coisas seriam diferentes.
Mas já havia deixado claro para Dimitri: se for uma menina, ninguém encostará um dedo sequer na minha filha.
Agora, eu estava sentada no jardim, tomando o café da tarde. Dimitri estava fora, trabalhando.
Como não havia muito o que fazer, passava meu tempo cuidando das flores e lendo os livros que ele me dava.
Meu pai ainda não havia sido pego. Às vezes, Dimitri chegava em casa furioso, por seus subordinados ainda não terem encontrado Ivan.
Depois de todas as provas que Dimitri me mostrou, finalmente coloquei em minha cabeça que não era obrigada a amar meu pai ou pedir pela vida dele.
Tudo o que ele fez merecia castigo.
Portanto, não questionei mais Dimitri. Deixei que ele fizesse o que quisesse, e ainda contei sobre tudo o que meu pai me fez antes do nosso casamento.
Olhei para minha barriga grandinha. Às vezes, duvidava que fosse apenas um bebê pelo tamanho que já tinha, mesmo com apenas cinco meses.
Foi então que olhei para os imensos portões da mansão e vi Dimitri chegando, mais cedo do que o normal.
Ele saiu do carro e, imediatamente, seu olhar se direcionou para mim. Tirou os óculos escuros e caminhou até onde eu estava.
- Minha bonequinha... - disse, com a voz baixa e firme.
Abaixou-se e beijou meus lábios.
- Diga.
Era uma das exigências de Dimitri: que eu sempre expressasse sentimentos simples de forma direta. Na mente dele, isso era essencial para a "boa convivência".
- Te amo, Dimitri. - respondi, sentindo o coração bater mais rápido.
Ele sorriu, passou a mão no meu rosto e fez carinho.
- Vamos descobrir o sexo do bebê hoje.
Meu coração acelerou.
- O quê? Mas semana passada eu fui e... - tentei argumentar.
- Eu quero saber logo o sexo, Raissa. - ele cortou minhas palavras com firmeza, sem deixar espaço para discussão.
Suspirei e aceitei:
- Tudo bem... vou me arrumar.
Ele estendeu a mão e eu me levantei. Era estranho me portar assim.
Eu realmente era sua bonequinha agora - não por desobediência, mas por costume e adaptação.
Parece ridículo, não é?
Quando eu tinha quatorze anos, acreditava que seria independente, que nenhum homem mandaria em mim.
Falava isso com convicção.
Mas não foi assim que aconteceu.
Não tenho direito de opinar.
E sei que, se eu lutar contra isso, nada vai mudar - apenas tornará tudo mais difícil para mim e para o bebê.
