XXIX

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Raissa

Tamara estava no quarto de brinquedos, observando os pequenos com cuidado.

- Eles são lindos, Senhora Romanov. - disse, com um sorriso discreto.

- Me chame de Raissa - respondi.

Ela assentiu.

- Ok, Raissa. Eles puxaram muito o pai.

Olhei para Andrei e Helena, sorrindo.

- Realmente, não puxaram quase nada de mim.

Tamara riu suavemente.

- O próximo provavelmente vai se parecer mais com você.

- Por enquanto não pretendo ter filhos - falei, séria.

- Por quê? Mais um para completar o trio de irmãos seria ótimo.

- Meu parto foi traumático, por enquanto é melhor não tentar outra gravidez.

Tamara ficou séria por um momento.

- Eu tive um filho do homem que amei de verdade... mas ambos estão mortos.

- Sinto muito - murmurei, sentindo uma pontada de empatia.

- Obrigada - disse ela. - Antes que chegue fofoca ao seu ouvido, eu tive um lance com o seu marido, mas isso é passado. Nunca me envolvo com homens casados.

Não esperava ouvir aquilo. Apenas olhei para ela, assenti e dei um leve sorriso.

- Gostei de você, Tamara. Acho que vamos nos dar bem.

Ela passou o resto da tarde organizando questões de segurança, examinando rotinas, horários e entradas da casa. A partir de agora, apenas Tamara teria permissão para cuidar diretamente de Helena e Andrei. As babás foram transferidas, assim como alguns empregados da casa.

Dimitri estava preocupado, e não era difícil entender o porquê: ele tinha agora três pontos fracos - eu e nossos filhos, além dele próprio.

Dimitri

- Quero a cabeça de todos eles. Todos devem ser mortos - ordenei, olhando meus soldados.

Recebia ameaças de todas as partes, gangues se unindo contra mim. Idiotas. Achavam que tinham chance.

- Gutemberg, precisamos conversar - disse um dos meus aliados mais antigos.

- Vamos para minha sala - respondi, sinalizando para ele me seguir.

Sentando-me, acendi meu cigarro.

- Diga, Gutemberg.

- Precisamos unir forças. Proponho uma aliança... talvez até arranjar um casamento para sua filha.

- Não. Helena não é moeda de troca.

- Seja franco... Apesar de não terem chance contra nós, ainda são uma ameaça.

- Escute bem - falei, firme. - Não venderei minha filha. Não vou dar a ela o mesmo futuro que você deu às suas.

Ele ficou em silêncio, visivelmente irritado, mas sabia que não poderia contrariar. Pediu licença e saiu.

Senti um peso no peito. Fiz tanto mal a Raissa, ainda faço. Sei que ela não me ama - sei que é síndrome de Estocolmo - mas sou egoísta demais para deixá-la ir.

Cheguei em casa tarde. O dia foi exaustivo e mal consegui falar com Raissa.

Passei antes pelo quarto dos filhos, observando-os dormindo em silêncio. Depois fui para o nosso quarto.

Raissa estava deitada, coberta apenas por uma blusa minha. Dormia profundamente.

Um calor percorreu meu corpo, mas não a acordei.

Deitei-me na poltrona próxima à cama, os olhos fixos nela. Cada respiração, cada pequeno movimento me fazia sentir uma mistura de paz e possessividade. Raissa dormia tranquila, sem suspeitar do quanto me consumia vê-la assim.

Um sorriso involuntário surgiu em meu rosto. Era bobo, talvez, mas não podia evitar. Minha mulher, inteira minha, descansando depois de um dia cuidando de nossos filhos e da casa. A sensação de tê-la tão perto, mesmo que apenas em silêncio, era mais intensa que qualquer conquista ou batalha da Máfia.

Aproximei-me da cama devagar, sem intenção de acordá-la, apenas para sentir a presença dela mais de perto. Passei a mão levemente sobre o lençol, sentindo o calor do corpo dela por baixo. Suspirei baixinho, absorvendo aquele momento raro de tranquilidade.

Ela murmurou algo em sonhos, e eu me peguei sorrindo mais uma vez. Era engraçado como pequenos gestos, simples e inocentes, me davam prazer. O toque de seu cabelo, a curva do seu ombro, o jeito como respirava. Tudo aquilo me lembrava que, apesar de todo o mundo lá fora, tudo que eu realmente precisava estava ali, na quietude daquele quarto.

Sentando na beira da cama, apoiei-me suavemente, sem tocá-la, apenas acompanhando cada movimento. Meu coração batia mais rápido, mas não de impaciência ou desejo apenas físico; havia algo mais profundo, uma mistura de amor, orgulho e aquela possessividade silenciosa que só quem tem medo de perder pode sentir.

Ela se remexeu um pouco, abrindo os olhos lentamente.

- Dimitri... - murmurou, ainda sonolenta.

- Shhh - sussurrei, sorrindo - Só estou aqui, cuidando de você.

Ela sorriu levemente, se aconchegando mais no travesseiro, ainda sem se levantar. Aquele pequeno gesto me fez sentir uma felicidade completa. Não havia palavras suficientes para descrever o quanto queria protegê-la, amar cada pequeno momento com ela, sem pressa, sem ruídos do mundo lá fora.

Passei o restante da noite assim, quieto, ao lado dela. Cada vez que fechava os olhos, imaginava nossos filhos crescendo, a casa cheia de risadas e festas de Natal. E, acima de tudo, sabia que, por mais que o mundo tentasse nos ameaçar, enquanto estivesse ali, protegendo minha família, ninguém poderia nos tocar.

Império RussoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora