XXII(Revisado)

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Dimitri

Já havia algum tempo que eu estava ao lado de Raissa no quarto. Ela começava a dar sinais de que acordaria a qualquer momento.

- Senhor, vou passar alguns remédios para a senhora Romanov - disse a doutora Drizza. - O parto dela, apesar de ter sido um sucesso, foi complicado e pode ter sido traumático.

Ia responder, mas então percebi que minha pequena começava a despertar. Caminhei até a cama e beijei seus lábios.

- Princesa... - murmurei.

- Ai... cadê meu bebê? - perguntou, eufórica.

Poderia sentir um ciúme momentâneo, mas sabia que teria que lidar com isso. Com dois filhos, ela jamais poderia me dar toda atenção que eu exigia.

- Princesa, tenho uma notícia para você - disse, segurando sua mão.

- O quê? Dimitri, meu bebê está bem? O que foi? Fala, por favor! - sua voz carregava medo e ansiedade.

- Xiu... ele está ótimo, amor. Mas é outra coisa. Dr. Drizza, traga-os - ordenei.

Seus olhos estavam confusos, e não pude evitar um sorriso.

Logo, duas enfermeiras entraram carregando nossos filhos.

- Raissa... você teve dois bebês. Nosso Andrei estava escondendo a irmã - anunciei.

- Eu... não pode ser... - murmurou, incrédula.

Diferente do que imaginei, sua reação foi intensa.

- NÃO QUERO DOIS BEBÊS! - gritou, ficando extremamente agitada.

Segurei seus braços antes que avançasse na pequena Helena.

- Calma, senhora... - disse Drizza, com firmeza.

Ela aplicou um sedativo. Em minutos, Raissa se acalmou e voltou a dormir, respirando pesadamente.

- Me explique isso! - exigi.

- Senhor... - começou Drizza. - Sua esposa pode ter desenvolvido uma rejeição pela menina, um tipo de depressão pós-parto. Foi uma surpresa muito grande para ela.

- Então quer dizer que minha mulher vai rejeitar minha filha? - rosnei, irritado. - Culpa sua, por que não fez a porra de uma cesárea!

Queria bater em alguém, mas Raissa precisava de cuidado. Controlar a raiva era essencial.

Hoje finalmente voltaríamos para casa. Raissa estava mais calma, mas se recusava a pegar Helena. Nem mesmo quis escolher o nome da menina.

Ao chegarmos à mansão, Raissa fez questão de carregar Andrei. Eu peguei Helena, já que a mãe se recusava a cuidar dela.

Aquela situação me estressava profundamente. Ver Raissa carinhosa e atenta com Andrei enquanto ignorava Helena era insuportável.

Mandei que as empregadas arrumassem um quarto separado para Helena. Poderia colocá-la para dormir com Andrei, mas não seria prudente. Raissa ainda era uma ameaça para a menina; Drizza havia recomendado manter distância por enquanto.

- Senhor, mandou me chamar? - perguntou Nana, uma mulher de 63 anos, responsável pelo cuidado de Helena.

- Você cuidará da minha filha. Raissa desenvolveu um tipo de depressão pós-parto e rejeita Helena. Não a deixe sozinha nem por um minuto - ordenei.

- Sim, senhor - respondeu, firme.

Entreguei Helena a Nana e fui para o quarto de Andrei. Raissa o amamentava, usando uma bombinha para extrair leite e assim alimentar Helena.

Decidi mentalmente: daria dois meses para esse fogo dela passar. Se não passasse, ela aprenderia à força que tem uma filha.

Império RussoOnde histórias criam vida. Descubra agora