Dimitri
Já se passara uma semana desde o incidente com Tamara.
Hoje ela se instalaria na minha propriedade. Ainda não havia falado nada a Raissa, mas agora, durante o almoço, decidi tocar no assunto.
- Raissa - comecei, com a voz firme -, estou com problemas na Máfia. Uma gangue está ameaçando meu território. Minha maior preocupação é você e nossos filhos. Por isso, uma mulher treinada virá para cuidar de vocês.
- Eu não preciso de uma babá - respondeu, sem levantar o olhar.
- Não é questão de escolha. É sobre segurança. Ela vai morar na casa dos empregados, mas passará mais tempo aqui.
Raissa baixou a cabeça, mordendo o lábio.
- Minha liberdade será restringida, não é? - perguntou em voz baixa.
- Sim, minha princesa. Mas é para o bem de todos. Você não quer que nossos filhos sofram, quer?
- Jamais.
- Por enquanto, ela ficará apenas em casa, mas você terá acesso a tudo: celular, notebook, qualquer aparelho eletrônico. Pode fazer compras online, organizar o que quiser.
Ela suspirou, já pensando à frente.
- Estava pensando... na semana que vem já é Natal. Na casa dos empregados há muitas crianças. Posso fazer uma festinha para elas?
Não gostava que aquelas crianças ultrapassassem os limites que eu impunha, mas não disse nada.
- São apenas crianças, Dimitri. Cerca de 40. Farei algo simples. As mães trabalham tanto...
- Faça, então, Raissa. Mas do lado de fora. Não quero bagunça aqui dentro.
Ela sorriu, aliviada.
- Obrigada. E como se chama a mulher que virá?
- Tamara. Ela chega hoje. Recepcione-a. Não estarei em casa.
- Ok.
Terminamos de comer, falando de trivialidades.
Toda vez que cedo algo a Raissa, sinto-me um completo idiota apaixonado. Mas é isso: não consigo suportar vê-la triste. Hoje faço qualquer coisa por ela. Se pedisse, até mataria um presidente - sem pensar nas consequências.
Sou louco, obsessivo, talvez maluco. Mas Raissa... ela é minha ruína ou minha salvação.
Raissa
Depois que Dimitri voltou ao trabalho, comecei os preparativos.
Comprei brinquedos, decorações, lembrancinhas... para as crianças da casa e do orfanato. Dimitri tinha dinheiro de sobra, mas do jeito que eu estava, ele iria à falência com tanta compra.
É difícil admitir, mas eu o amo. Sem dúvidas. Amo demais. Ele e nossos filhos são minha vida. Ele me deu uma família de verdade, um marido em quem posso confiar e filhos maravilhosos.
Sentada na sala, esperava Tamara. Ela já havia chegado à propriedade e estava a caminho.
As portas se abriram, e uma mulher entrou. Seu olhar era firme, decidido, carregado de confiança.
- Raissa? - disse ela.
- Sim. Você deve ser a Tamara?
- Sim, sou eu. Prazer.
- O prazer é meu. Venha, vou te apresentar meus filhos... e a mansão.
Levei Tamara pela mão até a sala, onde Andrei e Helena brincavam no tapete.
- Esses são eles - disse, apontando para os pequenos. - Andrei tem três meses e é bastante agitado, enquanto Helena é mais calma.
Tamara se aproximou devagar, com o olhar atento, mas sem perder a suavidade.
- Olá, pequenos. - Ela se abaixou, mantendo a distância segura, mas oferecendo a mão. - Prazer em conhecê-los.
Andrei, curioso, estendeu o bracinho, e Tamara sorriu, tocando levemente a mão do bebê. Helena se encolheu no meu colo, observando a visitante com olhos atentos.
- Ela é um pouco tímida no começo, mas logo se acostuma - expliquei, acariciando os cabelos dela.
Tamara assentiu, absorvendo cada detalhe.
- Percebo que a segurança aqui é rigorosa - disse, olhando ao redor. - Vou precisar entender a rotina para garantir que nada saia do controle.
- Exato - respondi. - Eles têm horários de mamadas, sonecas, brincadeiras... tudo é registrado. Quero que você conheça cada detalhe para poder agir rapidamente caso algo aconteça.
Tamara fez um aceno, séria, mas havia algo em seu olhar que transmitia confiança.
- Entendido. Vou observar antes de intervir. Segurança não é apenas força, é também planejamento.
Continuei mostrando a casa, começando pela sala de brinquedos que preparei para os filhos. Havia um pequeno castelo de madeira, blocos coloridos espalhados, e até uma área com mini-poltronas para histórias.
- Aqui é o espaço deles para brincar - expliquei. - Andrei adora correr e explorar, mas Helena prefere ficar mais tranquila, observando.
Tamara examinou cada detalhe com cuidado.
- Ótimo. Posso ver que você se preocupa muito com eles - comentou, sorrindo levemente.
- É minha vida - respondi. - Dimitri também. Ele quer que tudo seja perfeito, mas minha prioridade é a segurança deles e a rotina da casa.
Ela se inclinou levemente, olhando os bebês com um misto de cautela e carinho.
- Farei o meu melhor para proteger vocês, prometo - disse.
Eu sorri, sentindo uma pontada de alívio. Finalmente, alguém treinada estaria ao nosso lado, sem interferir na nossa vida familiar, mas preparada para qualquer ameaça.
- Então, Tamara - continuei -, amanhã começamos oficialmente. Hoje, só queria que conhecesse a casa e os pequenos.
Ela assentiu, ainda observando Andrei e Helena, como se já estivesse avaliando cada movimento.
- Entendi. Amanhã será o verdadeiro teste.
Olhei para ela e senti algo estranho: uma mistura de alívio e curiosidade. Pela primeira vez, talvez, não estivesse sozinha na proteção da minha família.
E naquele instante, percebi que Dimitri tinha razão: mesmo nas situações mais perigosas, juntos, éramos mais fortes.
