Capítulo 10

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Acordei mais cedo que o costume e percebi que ele ainda estava dormindo, resolvi levantar silenciosamente e preparar alguma coisa para comermos.

Até aí estava tudo bem.

O complicado foi pensar, o que eu faria? Mal sei usar um fogão. Peguei alguns ovos, cortei o bacon em tiras e fritei tudo. Ficou um pouquinho queimado, mas dá para comer

Achei uma caixa de waffles congelados no freezer, liguei a máquina na tomada e deixei fazer enquanto tentava - sem sucesso - usar a máquina de café. Desisti e joguei tudo no ralo da pia quando provei e percebi que havia ficado uma merda.

E como se, para pior tudo, esqueci o fogo ligado e acabei botando fogo no pano, o que fez o sistema anti-incêndio da casa ser acionado e molhar a cozinha toda, incluindo eu

Droga! Sou uma péssima cozinheira. Vamos morrer queimados ou de fome se depender das minhas habilidades culinárias. De onde eu tirei a idiota ideia de tentar fazer um café da manhã para Sam?

Do nosso quarto ouvi Sam gritar alguma coisa e logo ele estava ao meu lado vendo toda a bagunça que aprontei

- Sinto muito - Me apresso em dizer - Não queria te acordar assim, eu só estava tentando fazer alguma coisa para comermos. Acho que deveria simplesmente aceitar que não presto para a cozinha

Quando olho para cima, Sam estava sorrindo. Ele deve ser louco, eu quase coloquei fogo na casa dele e ele sorri?

- O que foi? - Pergunto quando ele ainda continua sorrindo e se aproxima me fazendo abraçá-lo, sem se importar com a zona que fiz em sua casa.

- Nada, não é nada - Sou carregada até o quarto, ele entra no closet e volta minutos depois com peças de roupa para nós dois - Troca de roupa, vamos tomar café da manhã fora

- Fora tipo, lá fora, na rua?

- Sim, amor. Tem um café aqui que acho que você irá gostar

◕◕◕

Sam

Eu, com certeza não diria que acordar molhado e com o alarme de incêndio explodindo nos meus ouvidos é a melhor coisa do mundo, porém, entrar na cozinha e ver minha mulher vestida com minha camisa molhada que marcava cada parte do seu corpo era uma visão magnifica. Sua cara de espanto e sua tentativa fofa de se explicar me fizeram sorrir, fiquei lá no meio da cozinha sorrindo com um tapado apaixonado enquanto ela dizia que tentava fazer um café da manhã para nós

Quando estávamos do lado de fora da casa, resolvi que seria melhor caminharmos até o pequeno café. Assim ela poderia ver melhor as ruas da cidade que estava aos seus pés e a sua disposição.

- Nossa - Hel murmura olhando tudo com atenção e um sorriso perfeito nos lábios - Esse lugar é incrível, Sam

- Eu cresci aqui - Revelo - Correndo por essas ruas e brincando por aí

- Isso deve ter sido bem legal, se um dia eu tivesse filhos ia querer uma infância assim, com muita diversão e bagunça - Sua fala me pega de surpresa e de repente me pego pensando em sua barriga inchada com meus bebês, crianças com os olhos iguais aos dela e cabelos como os meus, pele bronzeada, sotaque italiano e o atrevimento típico de Hel. Respiro fundo e me obrigo a esquecer isso. Suas palavras me invadem com força

Eu nunca, vou ser sua. Qualquer cara, qualquer um, menos você. Nunca você.

- É, seria legal - Suspiro. Sou pego de surpresa quando ela enlaça seu braço no meu e corre me puxando junto. Paramos em frente a uma loja de roupas de bebê.

- Aí, Meu Deus! - Ela solta um gritinho animado. - Ei, minhas coisas estão com você, não é? Preciso da minha carteira, me recuso a viver sem comprar essa jaqueta - Ela aponta para uma peça pequena em tons de azul e verde-escuro.

- Olha, amor - Digo com deboche - Acho que ficaria um pouquinho apertado em você

- Idiota - Resmunga - Não é para mim, é para o Bryan, meu sobrinho. Isso ficaria perfeito nele

- Então compre - Dou de ombros. Quando fiz uma breve pesquisa sobre Hel fiquei sabendo da amiga com que ela divide apartamento, a garota tem um sobrinho que ela cuida como se fosse seu filho - Vem, vamos entrar, escolha o que quiser.

Acho que eu deveria revisar o que digo a Hel daqui pra frente, quando eu disse compre o que quiser não me referi a todas as roupas da loja, embora eu a compraria inteira caso minha Hel pedisse. Nesse exato momento eu e duas vendedoras sorridentes temos nossas mãos cheias de sacolas enquanto minha garota está quase eufórica escolhendo sapatinhos.

Não posso sequer reclamar disso, ver um sorriso em seu rosto é o que mais quero, não me importo de deixar algumas centenas em algumas lojas. Dinheiro nenhum seria capaz de comprar o prazer que é vê-la feliz e se divertindo, ao meu lado.

Porque sim, eu tenho muitos planos para o nosso futuro e não me importo de parecer um paspalho apaixonado ao admitir isso.

- O que você acha desse, Sam? - Me viro em sua direção para encarar o item em sua mão. Um pequeno sapato social preto que cabia perfeitamente em sua palma - Sei que Lily vai ficar um pouco brava por eu ter comprado tantas coisas, mas é inevitável ver coisinhas tão pequenas e fofas e não lembrar de Bryan

A forma como ela conversa comigo, sorrindo amplamente e falando sobre sua vida faz-me suspirar, tudo o que mais quero é que tenhamos uma relação normal, amorosa como... como um casal.

- É lindo - Respondo retribuindo o sorriso - Tenho certeza de que ela não ficará tão brava assim, afinal você só está comprando alguns presentes pro moleque.

Ela parece satisfeita com o que digo, pois em seguida compra mais cinco pares de sapatos. Quando saímos da loja um dos meus carros está estacionado na porta, colocamos todas as compras no porta-malas.

- O que vamos fazer agora? - Pergunta parecendo animada.

- Você comprou muitas coisas para a criança, por que não olha algo para você? - Sugiro.

- Ah, Deus! - Ela suspira parecendo assustada - Pensei que agora era o momento em que jogaria no carro e voltaríamos para casa depois de eu fazê-lo esperar tanto tempo

- Eu nunca faria isso depois de perceber toda a felicidade que sentiu, Hel - Murmuro baixo e involuntariamente minha mão esquerda toca seu rosto subindo até os pretos cabelos macios

Vejo quando suas bochechas ganham um tom mais rosado e ela parece estar fixada no lugar, completamente imóvel sem desviar os olhos dos meus, e estou da mesma maneira enquanto decoro cada um dos sentimentos que atravessam seus olhos.

– Não vai se sentir entediado? – Questiona em um sussurro – Rapidez não é uma coisa que eu conheça quando estou fazendo compras

– Tudo bem, não me importaria em passar um dia inteiro pulando de loja em loja, desde que você ficasse feliz no fim do dia, amor

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La Mia Dea HelenaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora