– Está livre para ir embora – É a primeira coisa que Sam me diz quando acordamos na manhã seguinte – Não precisa mais ficar aqui, apenas se quiser.
Não o respondo. É bom que nós tenhamos esclarecido essa questão, mas eu contei há poucas horas sobre o maior trauma da minha vida e agora isso. O que significa? Sam está fazendo isso por pena da pobre Helena traumatizada, ou seria porque agora que eu admiti meus sentimentos ele perdeu o interesse. Talvez Samuel tenha percebido que eu ficarei, sem ser obrigada a isso.
Não sei, em minha cabeça rodam mil teorias e todas elas me apavoram.
Não quero ir embora, não quero deixá-lo, mas tenho uma vida em Londres. Minha família e meus amigos, não posso abandonar tudo.
Preciso voltar.
E uma secreta parte minha sabia que em algum momento ele iria à minha procura quando fosse a hora certa.
– Nesse caso, – Sussurro me virando para encará-lo. – farei minhas malas.
– Você entendeu o que eu disse, Hel? – Perguntou erguendo a mão e passando em meu rosto com delicadeza – Não quero que você vá, mas se esse for o seu desejo, não irei te impedir.
– Eu entendi – É o que lhe respondo.
Guardo todas as palavras para mim, é mais fácil que ele me odeie do que me ame.
É melhor que eu esqueça esses sentimentos confusos e simplesmente vá embora.
Não estou acostumada a esse tipo de coisa. Posso ser vista como uma covarde por não dizer o que realmente sinto, do que estou realmente fugindo, mas tenho medo.
É tão tão difícil ser forte o tempo todo, esgota todas as minhas energias e me afunda em um poço de escuridão. Tudo para esconder a grande verdade de todos.
Helena Roberts Walker é uma garotinha medrosa e assustada.
Uma menina que usa a arrogância para se proteger e que não conhece outra forma de defesa além do ataque e da fuga.
– Está decidida?– Pergunta. Tudo o que faço é balançar a cabeça para assentir. Não sei se teria forças para dizer algo sem chorar.
Porque eu sabia que não queria ir embora, meu coração estava preso aqui e temo se fique durante muito tempo.
– Quando irá?
– Amanhã bem cedo – Informo. – No primeiro vôo que eu encontrar
– Hel... – Ele tenta me tocar, mas afasto-me. Sentir seu toque destruiria a pequena parte racional de mim.
– Sim? – Me levanto indo arrumar minhas coisas antes que eu mude de ideia.
– Você sempre poderá voltar, sabe disso, não é?
– Sua aventura dos próximos meses não irá gostar muito disso – Murmuro sorrindo fraco e não o encarando, não consigo olhar mais para aquela cama bagunçada onde fizemos tantas coisas. Não consigo olhar para ele e pensar que em menos de 24 horas depois que eu me for provavelmente terá outra mulher em seus lençóis.
–Helena, amor pare com isso, porra! – Ordena vindo até mim e me prendendo na parede. Por um milésimo de segundos fico assustada, não me lembro se já o ouvi me chamando pelo nome com tanta seriedade. – Você não vai fazer isso. Não vai voltar a agir como se tudo isso fosse nada. Não vai mentir para mim e para si mesma. Então pare de tentar se convencer de que isso não foi nada, que nós não somos nada, pois será mentira. Nós dois sabemos que isso significou alguma coisa. Respeito que não queira admitir para mim, mas não esconda o que sente de si mesma, não faça isso, Hel...
Luto inutilmente contra as lágrimas que lavam meu rosto e deixam minhas inseguranças transparecem.
– Não chore e não vá embora – Ele pede baixinho. Implora com a testa colada à minha.
– Você tem razão – Digo com os olhos fechados e sinto seu suspiro de alívio contra meus lábios. Volto a falar. –, isso significou alguma coisa, mas não o suficiente para que eu fique. Não o suficiente para que eu abandone minha vida para ficar com você. Não é o bastante para mim, Samuel!
A mentira flui tão naturalmente da minha boca que se não fosse o aperto esmagador em meu peito, talvez eu acreditasse. Sim, era o suficiente. Ele era o bastante para mim. Ainda melhor do que eu poderia pedir, mas eu não podia. Apesar de querer muito.
Sam da um passo a trás parecendo ferido por minhas palavras. Tenho vontade de me jogar em seus braços e chorar toda minha dor e vergonha. Quero contar à ele sobre tudo o que sinto. Mas não faço, ao invés disso me viro como se não estivesse terrivelmente abalada e entro no closet para arrumar minhas coisas.
– Você não precisa abandonar tudo por mim sabe?! – Sam vem atrás de mim. – Nunca te pediria para abandonar tudo por minha causa. Posso entender que seus sentimentos não sejam tão intensos quanto os meus. Hel, pelo amor de Deus, eu amo você suficientemente para nós dois.
Meu coração bate tão descontroladamente que temo desmaiar no chão.
Dói que ele pense que não sinto muito por ter que ir. Sam nunca seria capaz de entender que estou indo embora pelo bem dele. Tudo o que gosto, que amo, que toco. Tudo. Tem tendência a sumir, sofrer, desaparecer. Morrer. Não quero isso para ele. Não quero ter que passar por isso novamente.
Tenho 23 anos, a última coisa que eu pensava quando era adolescente era que eu estaria em uma situação dessas. Perdidamente apaixonada e sofrendo mortalmente por isso. Um amor correspondido, mas fadado ao fracasso. Era isso que Sam e eu éramos. Uma trágica adaptação de Romeu e Julieta. Com um final igualmente ruim.
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La Mia Dea Helena
RomanceLIVRO 2 Livro 1 ( OUR SWETT LILY) Helena, Lena como é constantemente chamada pelos amigos, é uma mulher de personalidade forte e paciência nula. Quando ela viaja a Toronto para resolver pendências em seu hotel, nunca imaginou que fosse encontrar a p...
