Companheiros

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Seo Changbin

Eu acordei com o som de Chan gritando com Jisung. Parecia que o hyung havia recebido um telefonema do seu irmão mais novo que viria morar no apartamento ao lado. Levantei da cama e fui me arrastando até o banheiro, sinceramente não estava a fim de deixar meu quarto, mas não tinha muito escolha.

Depois de uma ducha revigorante e de vestir meu conjunto de calça jeans preta, camiseta gola v preta e meu All Star preto, me olhei no espelho e passei as mãos nos cabelos só para dar uma ajeitada. Fui para cozinha e encontrei Jisung sentado na bancada comendo ceral enquanto Chan fritava fatias de bacon.

_Bom dia!

Eu disse indo me sentar ao lado de Jisung que apenas acenou com a cabeça enquanto enchia suas bochechas com ceral. Chan se aproximou e colocou um prato com ovos e bacon em minha frente dizendo:

_Bom dia Binnie. Felix me ligou, ele disse que chega hoje à tarde. Eu queria que você fosse busca-lo no aeroporto, não poderei ir já que eu e Jisung temos uma reunião. Tudo bem para você? Se não puder, eu falo para o Lix pegar um taxi.

_Que isso Hyung! Deixa que eu pego ele no aeroporto.

Chan riu animado e me deu um tapinha no ombro. Ele estava tão imperativo com a ideia de ter seu irmão morando ao seu lado. Segundo Bang nos contou, Felix não havia vindo morar com ele apenas porque era menor de idade e sendo um ômega não podia deixar a casa dos pais. Mas agora que atingiu a maior idade e conseguiu uma bolsa na faculdade que fica próxima ao nosso prédio e Chan conseguiu por sorte alugar o apartamento ao lado do nosso, seus pais tiveram que permitir. Felix poderia morar com a gente, mas não temos um quarto sobrando e, além disso, ele vai dividir o apartamento com um amigo.

Fazia cerca de quatro anos que eu, Bang Chan e Han Jisung morávamos juntos, nos conhecemos no curso de produção áudio visual, mas só nos tornamos amigos depois de participarmos de uma batalha de rapper.

Eu Seo Changbin sou um alfa lúpus, uma condição rara que me torna mais forte e ágil, mas que também é o motivo de nunca poder me relacionar verdadeiramente com ninguém. Lúpus são muito ferozes, temos que receber treinamento desde pequeno para lidar com nossa condição, infelizmente não tive a melhor das infâncias, fico feliz em ter Chan e Jisung, ele são como minha família.

Bang Chan é nosso hyung, ele é quase como um pai, sempre preocupado comigo e com Jisung, às vezes temos que lembra-lo de que não somos crianças. Ele ama muito seu irmão Felix, da qual só conhecemos por fotos e algumas vídeos chamadas feitas entre os dois. Chan hyung é um alfa Lúpus e se for permitido dizer, um dos melhores, seu futuro ômega será muito sortudo por tê-lo.

Han Jisung é o nosso ômega, quando você o conhece assume logo que ele é um alfa, pois se veste e age como um. Tem um temperamento forte e é o único capaz de me vencer em uma batalha de rapper. As pessoas tendem a cobrar que ele seja como os outros ômegas, mas nosso esquilinho (apelido dado por causa do fato de suas bochechas ficarem cheia de comida quando come) é diferente, ele tem personalidade, por isso eu e o Chan o trouxemos para morar com a gente. As pessoas pensam que por ele ser um ômega é nos alfas, Han é nosso namorado, mas não é verdade, somos todos como irmãos e ele é nosso bebê, temperamental e superprotegido.

Depois que terminamos a faculdade nós decidimos abrir uma produtora, era nosso sonho. Nós a batizamos de 3 Racha e por incrível que parece o negócio está indo muito bem, o que para nós significa independência. Trabalhar com o que ama não tem preço.

***

Eram duas e vinte e cinco quando estacionei meu carro no estacionamento do aeroporto. O voo de Felix estava programado para chegar às duas e meia, então fui direto para a área de desembarque.

Estava em pé encostado numa pilastra checando alguns emails, quando fui surpreendido por alguém que parou bem na minha frente. A principio tive a visão de um par de tênis pretos, então ergui meu rosto só para me deparar com o ser humano mais lindo que havia colocados os olhos.

Já havia visto inúmeras fotos de Felix, porque Chan era um irmão babão, já tinha até mesmo o cumprimentado por videochamada e sempre o havia achado lindo, mas agora o vendo a minha frente estava com certeza entrando em parafusos. Seus olhos carismáticos, suas inúmeras sardas pontilhando suavemente seu rosto, o sorriso tímido realçando suas bochechas.

_Olá Changbin hyung, é um prazer conhecê-lo pessoalmente.

Se sua beleza havia me deixado sem chão, ouvi sua voz havia roubado minha respiração. Aquele anjo de cabelos vermelhos e doce aparência tinha uma voz rouca e potente que parecia vibrar por todo meu corpo.

_Seo, Changbin hyung você está bem?

Felix me olhava preocupado, com certeza estava pensando que eu era louco, agindo daquele jeito. Respirei fundo e busquei minha voz dizendo:

_Me desculpe. Seja bem vindo Felix.

_Obrigado hyung. Podemos ir?

_Ah, sim, claro. Você vai adorar seu apartamento, Chan o decorou e escolheu um designer moderno e aconchegante.

Eu disse enquanto pegava a mala de rodinhas de Felix, ele me olhava engraçado, com certeza pensando o quanto eu era um idiota. Assim que me coloquei ao seu lado e nos preparamos para andar em direção à saída, eu pude sentir seu perfume, que de um jeito delicioso lembrava-me o cheiro de brownies recém-assados. Fiquei chocado ao sentir como seu perfume reagia a mim, naquele momento me dei conta de que Felix não era apenas alguém impressionante, o irmãozinho de Bang Chan era meu companheiro. O destino havia escolhido Felix para mim.

Ele pareceu chegar à mesma conclusão, me olhou espantado. Sendo quem sou pensei que nunca encontraria meu ômega e a verdade era que apesar de estar feliz, não podia me dar ao luxo de ter Felix daquela forma em minha vida. Mesmo cheio de sentimentos confusos, não podia o deixar olhando assustado para mim, então olhei em seus olhos e disse:

_Não precisa se preocupar Felix, podemos lidar com esse fato aos poucos. Podemos ser amigos antes de qualquer coisa. Então, gostaria de ser meu amigo?

Estendi minha mão, Felix olhou para a mesma e sorriu, em seguida apertando-a, era como se estivéssemos selando um pacto de irmos devagar. A corrente elétrica que passou entre nossas mãos foi o suficiente para reafirmar que o destino realmente havia nos emparelhado juntos.

Entre Alfas e ÔmegasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora