Beatriz
Bia: não vai dar em nada. Vocês tem mais medo que eu cara. Tem que pensar na adrenalina — cruzo meus braços intercalando o olhar do Gabriel pra Dani.
Gabriel: teu irmão não tinha dado ordem pra barrar tua saída? Tá arrumando sarna pra se coçar.
Bia: se eu for obedecer sempre o Luan, nunca mais saio. Outra, todo mundo vai estar de olho no baile daqui. Inclusive ele que vai estar lá.
Daniela: eu animo, os bailes daqui são sempre os mesmos rostos — concordo vendo ela mexer no cabelo que cortou recentemente, ficou linda.
Hoje era sábado e como uma boa carioca raiz, eu amava os bailes. Hoje, queria ir pra um longe daqui. É bom sair um pouco da bolha, desse ciclo. Sempre as mesmas pessoas, mesmas coisas. Uma hora enjoa.
Além disso, com o Luan no meu pé, qualquer tentativa de me divertir virava um sufoco. Parece que ele tem radar. Não posso fazer absolutamente nada, na cabeça dele eu ainda sou a irmã caçula menor de idade. E por eu ser a única mulher, aí sim que esse homem surta.
Lá em casa somos em três. Luan de 27 anos, depois vem o Maurício de 25 e eu com 19.
Minha mãe, dona Carmem, criou os três na unha, praticamente sozinha. Meu pai era o chefe do complexo do Alemão, morreu em uma operação. Como filha, eu senti muito a dor, mas eu tenho certeza que doeu dez vezes mais na minha mãe. Porque pra mim, Luan fez mais o papel de pai do que ele. A maior parte da minha vida foi ausente. Mas não era de se esperar menos... ele tinha a mulher dele e a minha mãe era somente a amante que ele engravidou.
Mas quando ele faleceu, o Luan se perdeu no mundo do crime. Maurício viu oportunidade de fugir daqui e foi embora. E minha mãe pegou o que restava de dignidade e dinheiro e transformou em loja. Hoje ela tem várias espalhadas pelo Rio, empresária das brabas.
Eu me mantenho com meus serviços. Faço provador, presença em evento, recebo uns mimos, dou uma de influencer. O povo adora se sentir próximo de quem tem algum tipo de ligação com o tráfico, e eu sei usar isso a meu favor. Mas mantenho minha imagem blindada. Exponho na rede social somente aquilo que eu quero que as pessoas saibam.
Depois da make pronta, fui escolher a minha roupa. Demorei, mas por fim escolhi um vestido justo, salto, cabelão escovado.
Depois de um tempo a Dani e Gabriel chegam, esperamos só ficar um pouquinho mais parte pra sairmos. Pegamos um Uber até a Maré e de lá subimos de moto-táxi.
Salto no morro não combina com caminhada. Iria chegar com os pés doendo e soada pra caramba. Quando pisamos na quadra, o baile já tava fervendo. Famoso baile da Disney, o maior e melhor.
Mando mensagem pra minha amiga que mora aqui no complexo, não demora muito e ela busca a gente na entrada do baile.
Suzi: achei que tu nem vinha, cara — vem andando devagar por causa do salto. Assim que chega, me abraça e eu retribuo trocando beijo no rosto dela.
Bia: falei que vinha. Quando eu falo, tu sabe que eu cumpro... Tá sozinha hoje?
Suzi: Sozinha, mas sempre vigiada, né? — ela virou discretamente o rosto e vi um segurança da boca encarando ela — minha sombra tá sempre atrás.
Suzana é amante de um traficante daqui do complexo. É praticamente esposa mesmo, papo dele andar com ela pra cima e pra baixo como se fosse mulher dele.
Acho errado ficar com homem casado sim! Mas eu e ela somos amigas bem antes dela ficar com esse fofão.
Suzi: A Dani eu já conheço, agora ele ainda não — ela olhou de cima a baixo pro Gabriel e sorri — quem é?
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FanfictionBeatriz nasceu no meio do crime, mas sempre foi a mulher que ninguém tocava. Filha de um dos chefes mais temidos e irmã de bandidos perigosos, aprendeu cedo a se blindar. O nome dela carregava respeito e medo, ninguém ousava chegar perto. Até que Es...
