BEATRIZ 🌪
Essa semana inteira eu e o Vinícius praticamente não desgrudamos. Quando não era eu na casa dele, era ele na minha. E até quando eu tinha provador pra fazer e ele tava livre, fazia questão de me levar.
A gente tá cada vez mais grudado... e com isso, as cobranças começaram a surgir. No início era só ele pegando no meu pé, depois comecei a retribuir na mesma moeda. Ele me cobra de lá, eu cobro ele daqui. Mas também, né... ele que começou.
Esses dias veio com um papo torto, dizendo que eu devia parar de fazer fotos pras lojas — principalmente de biquíni. Falou que era exposição demais e que, se eu largasse isso, ele me bancava. Dei logo um corte.
Disse na lata que não vou abrir mão de nada. Não sou doida de deixar de ganhar meu dinheiro pra depender de homem.
Escobar: tá aonde?
Escobar: Beatriz?
Vi as mensagens na barra de notificação, mas nem dava pra responder. Tava no meio de um ensaio de fotos e queria terminar logo pra ir embora. Já tava o dia inteiro na rua, debaixo do sol.
Assim que terminei, esperei a dona da loja fazer o pix e parti pra casa. No caminho, parei na barraca de açaí — o calor tava de matar. Só então lembrei da mensagem do Vinícius. Já imaginei ele surtando. Até mudei o nome dele no celular pra combinar com o jeito dele:
Estressado: n responde pq?
Estressado: certinha vc 👍🏻
Estressado: Beatriz
Bia: tava trabalhando, perturbado
Bia: tô voltando pra casa agr
Chato demais, quer tudo na hora dele. E o pior? Me lembra até eu. Que ódio.
Quando virei a esquina da minha rua, vi o carro dele parado na porta de casa. Assim que me aproximei, ele desceu e veio atrás, calado, entrando junto comigo.
Escobar: Você ia me contar que ia embora amanhã ou nem ia avisar? — cruzou os braços, sério.
Na hora, me bateu o branco. Eu tinha esquecido completamente disso. Nem mala eu tinha arrumado. Essa semana foi tão corrida que nem me dei conta. Fora que o Luan também não tinha tocado mais no assunto.
Bia: Eu esqueci, real. Nem me preparei, nem nada.
Escobar: Que porra é essa de "esqueci", Beatriz? Como que esquece isso?! — gritou.
Bia: Abaixa esse tom pra falar comigo. Eu não sou igual as que tu tá acostumado. — respondi no mesmo tom — Olha em volta, não arrumei nada porque realmente esqueci, Vinícius.
Escobar: E por que tu tem que ir?
A voz dele mudou. Ficou baixa, mansa. Do nada, parecia outro. Bipolar do caralho.
Bia: Porque eu tenho minha vida lá.
Escobar: E aqui tu tem eu.
Um sorriso escapou no meu rosto antes mesmo que eu percebesse. Ele percebeu também.
Escobar: Fica aqui.
Bia: Não dá. Tenho minhas coisas lá, minha casa, meus irmãos... Não posso largar tudo assim. Não por enquanto.
Escobar: Porra, tu é foda... — ele fechou a cara. Fui até ele e abracei, colocando as mãos ao redor do corpo dele. As mãos dele foram direto pro meu pescoço, como sempre fazia quando queria me prender ali.
Escobar: Tu vai, mas vai tá sempre voltando. Qualquer coisa, eu broto na tua casa.
Bia: Tá querendo ser visto pelos meus irmãos? — ri, debochando.
Escobar: Não vou me esconder de ninguém. Tu já é de maior, sabe o que faz. Teus irmãos não têm que se meter entre a gente.
Bia: Isso eu sei. Quem não sabe é o Luan. Mas deixa isso pra lá. — dei um selinho nele e logo abri a boca, sentindo a língua dele invadir, num beijo quente e profundo.
E é claro... acabou que a gente foi pra cama. Transamos de novo. Quando me dei conta já eram seis da manhã e eu tava dobrando roupa, colocando na mala, enquanto o Vinícius dormia feito uma pedra na minha cama.
Fiquei observando ele dormir, todo torto, de bruços, com a bunda empinadinha. Dava vontade de dar um tapa só pra ver ele resmungar. Às vezes me pego olhando pra ele e pensando: o que eu tô fazendo da minha vida?
Desde que me entendo por gente, nunca fiquei com alguém várias vezes sem enjoar. Mas com ele... é diferente. Sinto um frio na barriga gostoso quando vejo ele. Um troço que eu nunca senti antes e nem sei explicar o que é.
Decidi deixar o resto da arrumação pra depois. A maioria das coisas já tava no jeito. Escovei os dentes, lavei o rosto e me deitei ao lado dele.
[...]
Quando levantei, olhei no relógio: quase meio-dia. Vi a mensagem dele no celular dizendo que ia passar aqui pra almoçar e ia trazer quentinha. Tomei um banho, botei uma roupa decente, penteei o cabelo e fui terminar de organizar o que faltava.
Escobar: Bora comer, deixa isso pra depois. — disse, me abraçando por trás.
Bia: Já acabei, só falta fechar.
Ele me ajudou com a mala e depois descemos pra almoçar. A conversa rolava solta, como sempre — assunto aleatório atrás de assunto aleatório.
O celular vibrou. Nem ia pegar, mas vi que era o Luan. Me estiquei e li só pela barra de notificação. Fodeu.
Irmão 💙: já tô na favela, Bia
Irmão 💙: abre aqui o portão, tô na tua porta
Irmão 💙: precisa não, tá aberto aqui
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Intocável - em processo de revisão!
FanfictionBeatriz nasceu no meio do crime, mas sempre foi a mulher que ninguém tocava. Filha de um dos chefes mais temidos e irmã de bandidos perigosos, aprendeu cedo a se blindar. O nome dela carregava respeito e medo, ninguém ousava chegar perto. Até que Es...
