capitulo 8

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Escobar

Encaro ela me olhando com a cara de sonsa, as sobrancelhas bem feitas franzidas e com os braços cruzados.

Escobar: vai dar pra tu ir não, Marina. — falo ajeitando a minha camisa.

Marina: porque Vinicius? Maior tempão que a gente não sai juntos.

Escobar: depois eu marco algo contigo, dessa vez quero ir ficar sozinho. Depois te mando mensagem e a gente faz algo maneiro.

Vou dar um beijo dela, mas ela gira a cara. Não falo nada, não vou correr atrás da Marina. O papo é que eu não quero levar ela na resenha de hoje porque não quero ir de casal. Goiabada costuma fazer sempre as melhores resenhas e eu não tô afim de me queimar.

Vou em casa, me arrumo colocando uma roupa nova que tinha comprado. Posso ser bandido e viver preso dentro dessa favela, mas bem vestido eu tenho que tá. Chego na resenha e tava até que tranquilo. O som tocava alto, a mesa cheia de bebida. Meu rádio começa a fazer barulho, todo mundo falando ao mesmo tempo.

-tudo na base do Goiabada hoje porra! Cadê tu Th? Brotaaaa.

Th: to metendo o pé da favela, viagem com a dona pô — fala com a linha ruim, mas da pra entender.

-só rolê de patrão pô, aproveita paizão!

Th: aí Escobar, tá aí? — respiro fundo, mas pego o rádio chamando.

Escobar: fala pô. —respondi.

Th: se a Suzuki brotar aí tu vigia ela, qualquer vacilo pode descer o pau. Manda mensagem ou liga, a dona não pode saber.

Escobar: jaé.

Não entendo o lance deles, mas também sou babá de ninguém não. A amante dele que tem que ter juízo, mas se ela meter um par de chifres nele eu tô nem vendo, tô aqui o curtir mesmo. Sou segurança dela não.

Posto logo uma foto no insta, nada me mostrando não. Até porque só tenho esses bagulhos de rede social porque a Marina criou pra mim e encheu meu saco. Mas é aquilo, não me exponho, até porque muito bandido da mole nesses bagulhos achando que os canas não ficam de olho e se fode.

R3: olha quem brotou com a segunda dama. — bate o cotovelo na minha costela. Ergo a cabeça encarado a encrenca entrando.

Tucano: quem é ela? Nova por aqui? — bebo um gole da minha dose e olho pra ela.

R3: sei de onde ela é não, tu sabe Escobar? — me olha rindo, desvio o olhar e encaro os dois pau no cu babando nela.

Escobar: sei não —ele continuou me olhando— já falei que não sei. Se tu quer saber, vai lá e perguntar.

R3: achei que você tinha se entendido com ela no alemão.

Tucano: deve ser de lá que ela é.

R3: Th que tava de onda com ela, deve saber bem de onde ela veio.

Tucano: garota deu nem bola pra ele, mas também ele quer dar ideia sendo que tá pegando a amiga dela... Essa aí é meu número, ainda vou tentar atuar ali.

Por isso deixo meus bagulhos no oculto, porque se não vira logo fofoca pra vagabundo ficar falando.

Não demora muito e as duas começaram dançar, ela nem tinha me visto ainda. Dava pra notar a maldade dela de longe, dançava querendo provocar mesmo, parecia que ela gostava disso, de ser vista e chamar atenção de todo mundo.

E ela conseguia mesmo, geral olhava, mexia e ficava comentando, ainda mais por ser novidade aqui na favela.
Fico quieto na minha usando minhas paradas, sentindo a onda bater no meu corpo. Já tava na intenção dela e só ficava na marcação, vou esperar o melhor momento pra ir atrás e ninguém ver.

R3: vai avisar pro patrão não? — tira minha atenção dela, e aponta com a cabeça. Olho pra Suzi que tava quase no colo de um cara, conhecido do R3.

Escobar: falar pra que pô? Ele vai bater na mina e vai continuar com ela. Sem necessidade de ficar de fofoca. Tu devia também ir atrás da sua mulher. —bebi meu whisky — a fofoca vai chegar nele de qualquer forma.

Olhei a Beatriz passando e indo pra dentro da casa, marquei 5 minutos ali e fui pra dentro. Tava doido na intenção dela e não tem nem como negar pô, só não posso deixar ela saber disso, porque ela é bandida com ego alto e eu já me liguei.

Intocável - em processo de revisão! Histórias para pegar e não largar. Descubra agora