Beatriz
Só queria encher o saco dele provocando. Mas quando vi, ele já tava saindo do baile e eu igual pateta atrás. A cachaça já tava fazendo efeito, e sinceramente, eu não tava respondendo por mim. Meu mal era esse, beber e perder a vergonha na cara.
O problema era andar nessa favela com esse salto, ainda mais no buraco escuro que ele se enfiou.
Escobar: achei que a patricinha não colava em baile, quem tá perdida aqui é tu — murmurou com a voz roca e grossa. Até a postura dele mostrava a marra absurda que ele tinha.
Ele não sabia quem eu era. E ia continuar não sabendo. Ser "irmã do Luan" faz os caras terem receio de ficar comigo. Não todos, mas a maioria.
Bia: perdida não, eu moro aqui. — ele arqueia a sobrancelha e passar a mão no cavanhaque — Veio pedir desculpas que ficou devendo?
Escobar: vim sim, pô, com certeza — da risada — tu que veio atrás de mim ou tô mentindo?
Bia: cara, tu é muito comédia — virei as costas, arrependida de ter vindo atrás. Mas nem deu tempo de sair. Senti a mão dele me puxando com força, meu corpo colou no dele. Ao ponto de eu sentir a respiração quente.
Escobar: tu se garante em quem, hein? Você não me conhece, garota. Tô sendo paciente contigo, mas tu tá abusando. Vagabundo nenhum gosta de ser chamado de comédia e não é a primeira vez que tu vem tirar onda.
Bia: me garanto em mim. E você também não me conhece pra vir na ignorância. Não é a primeira vez que é mal educado comigo.
Na hora me deu um arrepio, mas não era de medo. Era tensão. Deveria estar achando ele escroto... mas não, tava é doida pra ficar com ele.
Escobar: muita marra, destruo ela fácil — fala mas baixo dessa vez, próximo ao meu ouvido.
Bia: quero ver, duvido muito — encaro os olhos dele e depois desço pra boca vermelha.
Só se vive uma vez, né?
Colei nossos lábios de uma vez, sem aviso. Beijo bruto, língua quente, mão apertando minha bunda, outra puxando meu cabelo. Tinha violência e desejo ao mesmo tempo.
Tive até que encerrar o beijo antes que eu cometesse uma loucura aqui na rua.
Bia: eu não vou dar pra você aqui, não — falo quando afasto nossas bocas por uns segundos.
Escobar: e quem disse que vou te comer? — respondeu ainda segurando minha cintura — tu tá bêbada. Não faço nada com mulher assim.
Bia: sério isso? — olhei nos olhos dele, e ele tava seríssimo — então a gente se vê por aí, Escobar.
Escobar: pode crê, Beatriz. A gente se tromba. — soltou minha cintura devagar, e eu fui me afastando. Quase tropeçando na calçada torta— consegue andar sozinha aí?
Bia: consigo, não esbarrando em outro doido igual tu.
Por dentro tava xoxa, não estava tão bêbada assim. Mas mesmo assim achei bem maneira a postura dele. São poucos homens assim.
Voltei pro baile meio sem graça. As meninas me olharam com aquela cara de "desembucha" e eu só me fiz de sonsa ignorando.
Gabriel: que banheiro foi esse?
Bia: tá marcando muito em mim, achou ninguém né? — retruquei, rindo.
Gabriel: meu after já tá garantido, bebê.
Daniela: tava com quem, Bia? — a outra pergunta também.
Bia: hoje eu vou cair pra pista, avisa a minha mina que eu vou chegar mais tarde — cantei debochada, rebolando, ignorando completamente a pergunta.
Miriam: se faz muito, hein. A cara dela nem arde — Miriam soltou, rindo.
Mais tarde, ele apareceu no camarote. Nem se quer olhou na minha direção, e eu fiz o mesmo. Melhor ainda pra mim dessa forma.
O baile seguiu bom até meio dia. Mas no fim, fiquei na mão do palhaço. Quem me trouxe foi meu irmão, bolado, só porque a cunhada insistiu muito. Eu não queria, mas também não tava em condição de descer o morro sozinha.
Daniela e Gabriel deram perdido. Com certeza alguém se deu bem... mesmo que tenha tido oportunidade, não fiquei com ninguém.
Me cuido, me valorizo. Tem bofe que come qualquer uma, bêbada, sem capa, sem noção. Deus me livre de doença. Meu corpo é meu templo, e eu só abro as portas pra quem vale o risco.
...
Domingão, todo mundo me chamando pra pagode, mas eu só queria paz. Pedi litrão, fiz uns tira gosto, coloquei um pagodinho na TV e fiquei na minha. Cerveja gelada, celular na mão, curtindo sozinha.
Enquanto respondia umas lojas no direct, que queriam provador pra semana, chegou uma notificação que me fez rir sozinha.
O safado me instigou demais. Fiquei com a cabeça nele. Mas também não ia correr atrás. Tenho amor próprio.
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Fiksi PenggemarBeatriz nasceu no meio do crime, mas sempre foi a mulher que ninguém tocava. Filha de um dos chefes mais temidos e irmã de bandidos perigosos, aprendeu cedo a se blindar. O nome dela carregava respeito e medo, ninguém ousava chegar perto. Até que Es...
