Beatriz nasceu no meio do crime, mas sempre foi a mulher que ninguém tocava. Filha de um dos chefes mais temidos e irmã de bandidos perigosos, aprendeu cedo a se blindar. O nome dela carregava respeito e medo, ninguém ousava chegar perto. Até que Es...
Tava tudo corrido hoje. Tirei muitas fotos pras lojas, ainda fiquei de entregar umas roupas do provador de outra loja lá na P.U. Arrumei tudo dentro de umas sacolas, no maior corre. Peguei o carro do Luan emprestado, porque com a minha PCX nem dava pra sonhar em levar aquilo tudo.
E olha... meu aniversário tá quase aí, faltam dois meses, e eu tô doida pra ganhar meu carrinho. Já tô enchendo tanto a cabeça do meu irmão que ele não deve aguentar mais me ouvir. Mas pô, mereço né?
Fui ouvindo um som no carro, curtindo minha vibe. Só que assim que cheguei na comunidade e tentei subir o morro, um dos moleques me parou.
- Vai pra onde, dona?
Ele tava com um fuzil nas costas, se aproximou da janela com aquele olhar desconfiado, varrendo tudo por dentro do carro.
Bia: Levar essas sacolas numa loja aqui, devolver umas peças. Vim trabalhar. — expliquei.
- Vai poder subir de carro não.
Bia: Ah, coé, como vou andar cheia de sacola? Fala com teu chefe aí, sei lá. — pedi na calma. E ele negou com a cabeça ajeitando a bandoleira no ombro.
— Patrão tá ocupado. Papo foi dado. De carro não sobe.
Respiro fundo nervosa, mas não tinha o que fazer. Desço do carro, pego as sacolas no banco de traz pendurando tudo nos dois braços, sentindo o peso. Ando me arrastando até o ponto de moto táxi, e pra me equilibrar na moto com tudo isso de peça foi terrível. Ele me deixa em frente à loja e eu entro, conversando com a Taylla.
Bia: Tá todas as roupas aí, certinho. — coloquei as sacolas ajeitada na cadeira no canto.
Taylla: Você não quer cinco peça de brinde não? Sua divulgação tá dando um retorno danado. Pode escolher.
Nem gostei, né? Separei logo minhas cinco peças e agradeci. Esperei o pix cair e fui embora. Mandei mensagem pra Suzi e ela mandou eu esperar ela na praça, disse que já tava vindo pra gente tomar uma.
Enquanto isso, quem passou por mim? Escobar, abraçado com uma mulher. Homem é sujo, viu? Por isso que eu falo, melhor ficar solteira. Sem homem no meu pé, sem homem cobrando nada e principalmente: sem chifre. Ele casado, e com as assas de fora pra mim.
Depois que ele começou a me seguir, eu segui de volta. Mais por curiosidade mesmo. Ele demorou pra aceitar, porque o Twitter é trancado e o Insta é privado. Mas quando aceitou, não mudou nada. Sem foto nenhuma dele, só da comunidade. E nunca posta nada.
Suzi: Tá nas nuvens, princesa? Levanta, o sol tá de matar. Bora ali num barzinho. — ela apareceu do nada, me tirando dos pensamentos.
Bia: Tem comida lá? Tô faminta.
Suzi: Tem uns negócios pra comer. Lá você vê.
Ela me puxou pelo braço e foi me contando os causos. Disse que esses dias quase saiu na porrada com a mulher do Th. E eu só ouvindo doida pra julgar.
Mas olha, nunca que eu saio na porrada por macho. Isso é o cúmulo da humilhação. E o mais engraçado é que essas fiéis batem em tudo: amante, cachorro, papagaio, na mãe, mas continuam com o macho.
Bia: Deixa eu te perguntar, sabe aquele Escobar?
Suzi: Sei, metido a beça o bofe. Tem uma marra que não cabe nele. Se acha dono daqui. — revirou os olhos. — Tá comendo ele?
Bia: Não, garota. Só quero saber se ele é casado ou não.
Suzi: Casado casado não é. Mas tem uma ex dele aí que vive se dizendo fiel. Só que ele já falou que não tem nada sério com ela. Fica com várias, mas ainda tem um lance com essa aí também.
Bia: Tendi.— entortei a boca.
Suzi: Mas se quiser investir, tá solteiro. — ela arqueou as sobrancelhas — Quer ir numa festa comigo? Aqui na comunidade.
Bia: Plena quinta?
Suzi: Festa de um mavambo, Th me chamou. Não quero ir sozinha, fica chato.
Bia: Sei não, Suzi — sair de vela já era ruim. Ainda mais com esse homem que eu nem suportava.
Suzi: Tu só sai quando é com teus outros amigos, né? Traíra demais, cara. — fez drama.
Bia: Tá bom, eu vou contigo. — cortei logo, porque senão ela ia ficar chorando as pitangas.
Suzi: Você se arruma lá em casa. Nem sabe a saudade que eu tava de sair contigo, as monas daqui não têm tua vibe.
Depois que ela se envolveu com o Th, a gente se afastou bastante. Antes ela morava na pista, era mais fácil de sair, se ver. Agora que se mudou pra comunidade, tudo virou do avesso. Praticamente vive a vida que ele quer. E olha que nem 01 ela é.
Ficamos no bar até umas 18h, depois fomos pra casa dela. Já távamos meio alegrinhas, mas assim que tomei banho, voltei pro eixo. Ia até usar uma das peças que peguei na loja, mas pra me maquiar e tudo mais, coloquei um shortinho e uma camisa que ela me emprestou.
Quando saí do banheiro, escutei um bate-boca vindo lá de baixo. Ia descer, mas reconheci as vozes. Era ela e o bofe discutindo. Fiquei constrangida, né? Ninguém merece.
Quando o silêncio voltou, a porta bateu forte e logo depois Suzi apareceu com a cara fechada, parecendo uma tempestade.
Suzi: Foi mal por isso, mas o Thiago é sem noção. Disse que eu não devia ir só porque ele vai sair numa missão. Ele acha que me engana, mas sei bem que vai viajar com a corna.
Bia: E você vai, né? Tô me maquiando aqui já, cara.
Suzi: Lógico que vou. Me conhece mais não?
Bia: Quer mesmo que eu fale? Capaz de tu dar meia-volta se aquele macho mandar, Suzi. Virou capacho. Nem parece que pintava o sete comigo.
Suzi: Tudo mudou, um dia tu vai passar pelo mesmo, Bia. Deixa só encontrar um bofinho pra quebrar tua postura.
Bia: Pago muito pra ver isso, cara. — ri — Homem pra me fazer de capacho, só se tiver me ameaçando de morte.
Suzi: Eu era piranha assim, mas fui abatida.
Bia: Meu medo é amor de pica só. Porque amor de pica... bate e fica. — ela riu — Agora o coração, a gente controla.
Eu sou nova. Muito nova pra amarrar minha vida em homem. Prefiro assim, livre, sem compromisso, vivendo o que me dá na telha.
@suzukisantosss
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