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BEATRIZ 🌪

Maior sol, tava doida pra por um biquíni e subir pra laje, mas nem da, a minha bunda tá até com uns roxos, tem nem condição dar uma dessas. Então só tomei banho, liguei o ar no 19° e me joguei no sofá pra assistir a minha serie.

Acabou que peguei no sono e acordei era umas 17h, morta de fome. Fui pra cozinha e vi o que tinha pra fazer, tava necessitando fazer umas compras juro. Desenrolei com o que tinha e fiz um macarrão na panela de pressão, me acabei real. Não sabia nem a hora que o pagode começava, então subi pro meu quarto e mandei mensagem pro povo.

Bia: pagodinho na maré hoje? 🤔

Biel: ia falar disso agora mona, vai tá por tudo, geral daqui tá comentando

Dani: param nunca cara
Dani: que horas?

Bia: não sei, vou ver aqui

Biel: já fala que qualquer coisa saiu do salão e me arrumo

_____

Bia: ei
Bia: que horas começa o pagode aí?

Escobar: decidiu vim foi?

Bia: perturba não vai, fala logo

Escobar: já começou, mas só enche depois das 18h

Bia: valeu, jaja estou por aí pra sua felicidade

Olhei meu reflexo no espelho, hoje eu estava por tudo, com um rabo de cavalo bem alto, uma pele sem muito exagero e um delineado. Passei perfume e sai com eles indo pra Maré.

A gente tinha chego aqui na favela a um tempo, eu nem sabia aonde era esse pagode, então pegamos o moto táxi que deixou a gente. Tava lotado de verdade, tanto que dentro do estabelecimento nem tinha espaço, pessoal estava tudo do lado de fora aglomerado na rua.

Um garçom veio atender a gente e eu pedi pra colocarem uma mesa e trazerem um combo de Heineken e outro de gin, eu queria ficar na cerveja e eles na bebida quente.

Bem na nossa frente tinha um bloco de bandidos, impossível não reparar quando eles estão com esses fuzis enormes nas costas, geral olha mesmo. O outro também estava lá, todo trajado, com os cordões sem exagero e como sempre com o cabelo e o cavanhaque na régua né. Muito gostoso.

Daniela: depois que tu catou esse bofe só quer brotar na maré né? — deu risada me olhando.

Gabriel: não reclama Dani, não reclama porque tu tá gostando. — ele deu risada maliciosa pra ela.

Bia: perdi o que gente?

Gabriel: ontem um tal de Tucano trombou a gente na barreira, aí ela passou o número pra ele... bofe queria até arrancar ela do carro e levar ela embora. — ela estalou a língua — ficou maluco na Dani filha, tinha que ver.

Daniela nunca perde tempo, sempre que a gente vê ela tá com alguém já. E tá certa, solteira.

Joguei meu cabelo pra trás e olhei pra menina na minha reta. Tava me olhando desde que cheguei aqui, me olhava vidrada mesmo, até apontar a câmera do celular ela apontou. Tô só ignorando porque aqui não é minha área, mas deixa ela continuar nessa que eu vou bem tirar satisfação, parece que é retardada.

Confesso que estava bem incomodada, a forma que ela me olhava era toda estranha. Dei o cu como resposta e comecei a sambar bebendo bem de boa.

Não vim pra arrumar confusão, mas parece que hoje ia ter viu. Porque grudou mais uma menina do lado da outra e ambas ficaram me olhando, uma olhava estranho e a outra com ódio.

Bia: sou tão bela que incômodo assim? —ri encarando elas na cara de pau.

Daniela: se vierem de graça a gente pega elas na porrada, eu e tu somos garantidas. —concordei dando um gole na bebida.

Gabriel: vira Bia, a mona tá vindo na sua reta. — me alertou rápido apontando com a cabeça e eu já fiquei atenta.

Coloquei meu copo na mesa e me virei colocando o celular na mão do Gabriel. Sabe quando da pra ver a fúria na cara da pessoa? Era essa garota que tava vindo. Assim que chegou já ia por a mão no meu cabelo e eu segurei bem firme a mão dela.

- ah não, além de talarica, amante safada... é abusada. Eu vou te arrebentar garota. —me deu um tapa na cara.

Tapa na cara não mesmo. Nem minha mãe tocou na minha cara e agora eu vou aceitar apanhar de vagabunda na rua? Não mesmo. Mas comigo não é briga de tapa não, tem que ser no soco. Respirei fundo, na hora meti um bem no nariz dela e o melado já até escorreu. E ela foi pra trás meio zonza.

- você não passa de uma marmita, mas agora se você deu pra homem comprometido, tem que bater de frente. Sua imunda, lixo, depósito de esperma. —ia vim e eu só agarrei no cabelo dela e dei um soco na barriga descontando meu ódio.

Antes de eu fazer qualquer coisa seguraram meu braço firme, ouvi aquela voz rouca que eu bem reconhecia.

Escobar: solta ela Beatriz. — falou firme.

Bia: não sei nem quem é teu marido garota, mas tu sai do meu caminho, só não te quebro aqui mesmo porque não sou daqui. Mas espero muito um dia te esbarrar lá no complexo do alemão, aí sim a gente se acerta. —falei puxando o cabelo dela e soltei quando acabei de falar.

- não sabe quem é meu marido? Sua sonsa, puta dissimulada. Fala pra ela Vinicius, anda. — cruzou os braços na altura dos peitos.

Escobar: leva as duas pro desenrolo pô. —falou com um cara que também estava lá e eu empurrei ele com o braço.

Olhei pra ele super puta, queria socar a cara desse infeliz. Se ele for mesmo casado, vai ouvir e muito, não só ela, mas ele também vai apanhar, nem que me mate depois.

Gabriel: a gente vai com ela. — levantou vindo pro meu lado.

Escobar: ninguém vai, só ela e a Marina. —disse rude e o Gabriel me olhou com medo, só assenti pedindo pra ele ficar calmo — quiser ir tomar coça de graça, só entrar na fila depois.

Não tava com medo não, nem fiz nada de errado. Sei que é proibido briga na favela. Mas quem deu o primeiro tapa foi ela, que ganhou só dois socos... achei pouco.

Entrei em um carro e ela em outro, Escobar só na frente de moto. O cara parou o carro em um lugar e começou a me puxar.

Bia: meu braço eu hein, puxa não. To andando na moral — me soltei dele e falei calma.

Só fui seguindo até a gente entrar numa salinha aí, horrível de verdade. Um cheiro de mofo, de droga... 
O outro estava lá, sentado, quando viu minha presença me olhou firme.

Intocável - em processo de revisão! Onde histórias criam vida. Descubra agora