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BEATRIZ 🌪

Ele não podia ver o Vinicius aqui de jeito nenhum, se não o surto ja ia tá feito. Comecei a ficar com medo de verdade, conheço meu irmão e o jeito doido dele.

Bia: sai daqui agora, meu irmão ta entrando aí Vinicius. —ouvi o barulho do portão— anda, vai.

Escobar: tu não vai fazer eu pular pela laje né? —me encarou incrédulo. E eu concordei.

Bia: eu vou, e vai logo. —empurrei ele.

Foi o tempo dele subir rápido pra laje e o Luan bateu na porta, fui lá e destranque. Ele entrou e olhou ao redor como se tivesse procurando alguma coisa mesmo.

Ogro: tava sozinha? —disse olhando pra mesa e vendo os dois pratos.

Bia: não, Rayssa estava aqui, uma amiga daqui.

Ogro: bora logo que o Maurício ta esperando. —disse desconfiado, mas não puxou mais o assunto.

Ele me ajudou com as malas e levou pro carro. Fui quietinha ouvindo eles falarem só de coisa sobre o tráfico, odiava estar perto desse assuntos.

Estressado: tá me devendo uma blusa mandada
Estressado: rasguei a camisa e me ralei todo por culta sua

Bia: tá acostumado a pular em laje não? Que bandido é esse more? Faltou disposição hein

Dei risada das graças que ele tava fazendo e ri ainda mais quando ele me mandou uma foto da perna ralada, burro demais!! Bandido tem que saber pular de laje em laje. 

Ogro: tá rindo de que? —me olhou pelo retrovisor.

Bia: nada do teu interresse, você  não me da satisfação das mensagens que recebe.

Ogro: aproveita que tu tá de volta, já manda a sua amiga se ligar. Fica jogando piada pra Miriam, quando eu catar pra machucar ela, vai se foder. Ta mandada.

Nem rendi assunto, vou me meter na treta das duas não, ainda mais que nem com a Daniela tô falando.

Sinto saudade da nossa amizade sim, até porque era de anos né? Mas ela surtou daquele jeito do nada e ainda começou fazer piadinha pro Gabriel, vou correr atrás não e muito menos fazer questão. Não nasci grudada com ela.  Mamãe sempre disse que com o tempo que a gente conhece as pessoas. E é aquilo, antes só, do que mal acompanhada.

Maurício parou o carro em frente uma casa, tava agoniada querendo ir logo pra minha casinha, meu canto.

Ogro: vai descer não?

Bia: pra que eu hein? Vou descer quando vocês me deixarem em casa. Tô cansada. — resmunguei.

Árabe: aqui é tua casa agora, os caras nao quebraram a tua lá? Então. — Maurício abriu a boca pra falar comigo pela primeira vez depois daquele dia — tua nova casa.

Sai do carro sem acreditar, Luan abriu a porta e eu entrei. Por fora era um barraco igual qualquer outro, agora por dentro era lindo. O chão de porcelanato, tô até vendo o trabalho pra limpa, a sala toda bonita, tinha um led no painel e uma Tv imensa. A cozinha toda caprichada no vermelho e branco. Fui indo para os outros cômodos, o banheiro todo na porcelana e um espelho enorme cheio de luzes em volta. No meu quarto eu já não esperava de menos né? Cama imensa, penteadeira, uma tv, tinha led no quarto também. Fora a laje babado que tinha.

Porra, tava tudo tão perfeitinho, até a decoração estava impecável, certeza que não foi nenhum deles que escolheram.

Bia: aqui é perfeito, de verdade!

Ogro: Maurício fez questão de pagar pra decorarem pra tu. —olhei pra ele que tava num canto.

Bia: brigada, vocês são chatos, mas sempre fazem de tudo por mim, os dois. —disse engolindo meu orgulho todo, desceu até rasgando. — mas se vocês pensa que me dando essa casa vai poder mandar em mim, já tirem o cavalinho da chuva.

Árabe: ninguém quer mandar em tu, Bia. A não ser o Luan. —riu fraco.

Ogro: teus bagulhos da outra casa tá tudo aí, agora é contigo. Tamo metendo o pé porque a gente tem que resolver uns b.o. —disse todo sério, ele tava assim o dia todo. Certeza que tinha merda rolando.

Eles saíram e eu fiquei babando aqui na minha casa, mandei mensagem pra bicha vim, pra tomarmos uma bem quietinha em casa.

Gabriel: teu irmão mal chegou e já de patrão né? —falou me olhando.

Bia: como assim?

Sabia que ele estava no tráfico já, até porque o radinho na cintura e o fuzil nas costas não tem como negar isso. Só que imaginei que o Luan faria igual com qualquer outro, botar de soldado e tudo.

Gabriel: ele tava de segurança do Luan, mas aí tá rolando buchicho que ele vai pra sub. Mas é legado do pai de vocês, óbvio que ele subiria fácil.

Bia: eu ainda acho que não deveria sabe, até porque pra ele subir pra braço direito do Luan ele tem que ter disposição, coisa que ele não ganhou em semanas com certeza.

Gabriel: com o tempo o bofe vai pegar o jeito cara. — balancei a cabeça negando.

Não concordava mesmo, mas quem sou eu pra decidi hierarquia de tráfico. A gente tomou umas cervejas enquanto comíamos uns tira gosto tranquilos em casa.

[...] 

Vim aqui numa loja da favela pra fazer umas fotos, quando acabei vim direto pra uma pensão comer. A comida era boa, mas nada de comprava a comida da pensão da mãe do Vinicius, chega da água na boca de pensar na comida da dona Silvana. Era meu vício na maré cara. Quando eu não pedia pra entregar, eu ia até la.

Vi o Maurício vindo na minha direção quando eu ia entrar em casa, queria alguma coisa, certeza. Tava até correndo pra me alcançar, fiz graça e entrei em casa ignorando.

Árabe: espera aí. —gritou e eu ri.

Bia: que é? —sai com a cabeça só.

Árabe: preciso de um favor teu, papo reto.

Bia: que foi? Se tiver que andar eu não vou fazer.

Árabe: tu vai até gostar. Esse fim de semana se tá livre?

Bia: acho que sim, por?

Árabe: pessoal vai numa reunião em búzios, fim de semana lá. Todo mundo vai acompanhado e quero que tu vá comigo tá ligado?

Bia: vai ser coisa chata não né?

Árabe: não pô, tu vai gostar, vários bandidos lá. —semicerrei o olho.

Bia: tá querendo dizer o que com isso Maurício? Eu hein, quero bebida, não bandido. Vou até entrar antes que desista de ir contigo. —ele riu.

Árabe: sexta, sábado e domingo a gente volta. —falou.

Vou negar jamais um fim de semana em búzios, anos atrás já fui com um Luan numa dessas reuniões, era babado. Água de bandido de sobra, vários gostosos e um clima super delicinha. Amo!

Intocável - em processo de revisão! Onde histórias criam vida. Descubra agora