Capítulo 1 (Parte 1)

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Katherine 

    — Mais…. —  Tentei argumentar. A nova temporada de bailes ou “A caçada por um marido", como Edna e eu costumavam chamar, estava chegando. Nem me dei conta que os dias opassaram tão rápido, que o primeiro baile já seria na semana que vem! 
— Não há mais, você irá debutar nessa temporada! Você tem 18 anos, está na idade ideal para arrumar um marido. — Disse um pouco mais, entonando sua voz. Abaixei a cabeça, não teria como fugir disso. Cordélia deixou escapar uma risadinha que atraiu o olhar de fera de nossa mãe. —  É você! —  Ela apontou o dedo em sua direção. — Não ria, faz duas temporadas e não arrumou ninguém decente!
— Tive vários pretendentes! 
—  Mais nenhum pediu sua mão ao seu pai! —  Tentei sair da sala sorrateiramente, mas minha mãe me pegou no flagra. —  Não fuja Katherine, ainda não terminamos nossa conversa! Sente-se! —  Voltei para meu lugar perto da janela. —  Cordélia deixe eu é sua irmão a sós por favor. —  Ela bufou e saiu pisando duro. Cordélia era dois anos mais velha, eramos muito diferentes uma da outra, só em questão de personalidade, de aparência éramos quase iguais, puxamos cabelos negros, e a pele clara de nossa mãe, mas nossa diferença estava no olhar, seus olhos eram claros com o azul do céu, enquanto os meus era tão escuros quanto groes café. 
—  Fhilipa! —  Meu pai gritou entrando batendo a porta. Me assustando. 
— Fique aqui! — Minha mãe me orientou, indo encontrar meu pai no corredor. — O que aconteceu Joseph! Por que dessa gritaria?
— Acabo de saber que filho daquele maldido Campbell, está na cidade! 
— Oh não! —  Ela exclamou. Desde que me conhecia por gente, existia essa rixa entre os Campbells e os Bennetts, nunca entendi direito o porque, sempre que questionava sobre tal assunto, terminava com uma surra ou um castigo bem longo e bem longe da biblioteca. — As meninas estão arruinadas! 
 — Não seja pessimista mulher! Soube também que o velho padeceu de alguma doença anos atrás, que queime no fogo do inferno! — Eu colocava a minha mão no fogo, mas jurava que minha mãe fazendo o sinal da cruz, era um hábito sempre que alguém lhe falava de morte ou no diabo.  — O filho dele não deve trazer problemas. 
— Como a de ter tanta certeza?
— Não vou deixar que um Campbell destrua as chances das minhas filhas nessa temporada, ou não me chamo Joseph Bennett! — Meu pai se orgulhava muito de nosso sobrenome e de título de marquês que ele carregava consigo. — Já conversou com Katherine?
— Estava para fazer isso quando o senhor me chamou. 
— Então vá, depois quero que a leve na modista para fazer vestidos novos. — Bufei. Encostando minha testa no vidro da janela.  Nada de biblioteca para mim hoje. Pensei. 
— E Cordélia? — Mamãe perguntou. Nem sei porque me impressionava, nítido sua por Cordélia, já que segundo ela, eu tinha puxado a personalidade de meu pai, intangível e cabeça dura como ele. 
— Leve-a também, mas dê prioridade a Katherine é seu primeiro ano, quisas Deus também será o último! Ela deve impressionar!  — Estranhei muito o tom que meu pai disse, parecia que eu era uma vaca, sendo leiloada pelo valor mais alto em um leilão de gado. 
— Tudo bem. — Ouvi passos voltando para a sala, me ajeite no sofá na melhor postura possível. — Arrume essa sua postura Katherine, como quer arrumar um marido assim?! 
— Desculpe mamãe. — Deixei minha coluna ereta que pude. 
Toda vez era a mesma coisa, nunca fui boa com aulas de etiquetas, por mais que me esforçasse e desse o meu melhor, para dona Fhilipa nunca estava a sua altura. Nas aulas de piano algo que eu era realmente boa, uma vez outra sai um elogio simples e singelo, mas não durava muito. Quando pedi para meu pai me ensinar a ler, minha mãe quase teve um infarto, mas mesmo assim ele me ensinou, depois contratou uma professora para mim e Cordélia para que aprendêssemos o básico, ler e escrever. Cordélia fez as aulas empurrada enquanto eu amava aprender. Na data que completei 15 anos pedi permissão para frequentar a biblioteca, minha mãe chorou horrores e se perguntava onde tinha errado, mas meu pai não disse nada, apenas me deu a permissão para ir, foi lá que conheci a Edna, viramos grandes amigas, é hoje ela era a bibliotecária do lugar, eu passava grande parte do meu tempo lá entre os livros. Foi lá também que meu calvário começou. 
 — … está me ouvindo?
—  Añ? 
—  Claro que não! Você nunca ouve! Talvez se eu escrevesse um livro, teria sua atenção! — Exclamou.  Abaixei o olhar para minhas mãos. — Escute Katherine, não tem nada mais vergonhoso para um família da sociedade com a nossa, duas filhas solteironas. Você precisa arrumar um marido, um homem nobre, com um título bom e que possa manter o seu conforto, é já te adianto, deve obedecer a ele não importa o que seja e cuidar e zelar pelo seu lar. —  Concordei com a cabeça. —  Ah, também deve deixar o hábito da leitura, nenhum marido aceitaria isso! — Engoli em seco, nenhum marido me aceitaria na situação que estou. — Vá se arrumar, vamos a modista.
—  Sim, mamãe.
O caminho até a modista foi tedioso! Cordélia e minha mãe fizeram questão de me excluir do assunto, sempre que tentava opinar sobre tecidos ou modelos era ignorada, então desisti e passei a observar as ruas de Londre, tínhamos sorte por morar na capital perto de nossos monarcas, sabíamos disso, mas daria tudo para me afastar um pouco que fosse da sociedade e ter a paz do campo. 
O relincho de um cavalo negro vindo em minha direção me assustou, não soube o que fazer. Fechei bem os olhos e fiquei parada esperando pelo pior, mas nada aconteceu. 
Abri meus olhos. 
— A senhorita está bem? —  O homem de olhos verdes escuros, cabelos marrons, barba bem feita e pele clara, em cima do cavalo me perguntou. Concordei ainda recuperando a consciência do que tinha acontecido. 
— Katherine! Por Deus! — Minha mãe exclamou de longe.    
— Me desculpe por Zeus, ele deve ter lhe assustado muito. 
— Está tudo bem. Tenho que ir! — Alcancei Cordélia e nossa mãe a tempo. 
— Quem era aquele? — Cordélia me perguntou. 
— Não sei, só me assustei com o cavalo e parei. Mais nada. 
— Deixe isso para lá e vamos! Já estamos atrasadas! — Elas começaram a caminhar, comigo logo atrás, não me contive minha curiosidade  e olhei para trás, o cavaleiro já não estava mais lá.

Nota da autora:

É já começamos assim, com o pé direito nas emoções!
Que encontro meus amigos! Eu tomaria um susto e vocês? Comente aqui em baixo para mim!
Ah outra coisa importante vocês viram aí no título "parte 1" né? Os capítulos desse livro são grandões e por isso decidi dividir em dois!
Se querem a continuação não esqueçam da minha estrela e de me seguir no Instagram pra ficar dentro de tudo! Quem já me seguiu lá viu que postei um trailer e algumas informações e ceninhas, não me perder essa oportunidade!
Por hoje só eu volto amanhã! Com a parte 2!

O Duque de Campbell | ** DEGUSTAÇÃO! Onde histórias criam vida. Descubra agora