Capítulo 16/ Akai Ito

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Eu estava em estado de choque, eu sempre pensei que acreditasse mesmo em destino, mas só agora de fato eu vejo que no fundo, eu não acreditava de verdade.

Mas agora não restavam dúvidas de que eu acabara de ter um encontro cara a cara com o destino.

Quando eu era pequeno, sempre antes de ir dormir minha mãe me contava uma lenda que é bem famosa na China, chamada "Akai ito",é uma lenda que diz que quando a pessoa é destinada a outra, ambas têm um laço vermelho que as ligam, no dedo mindinho. O laço pode embaraçar, emaranhar, mas ele nunca quebra. O laço não é visível a olho nu, mas está lá desde o momento do nascimento.

Minha mãe acreditava nessa lenda e dizia que um dia, eu iria encontrar minha alma gêmea, ela sorria e cantava alegre fazendo carinho no meu cabelo até eu cair no sono.

...

Acontece que eu encontrei a minha alma gêmea, mas ela não se lembrava de mim...

Olhei para ela que estava com a testa vincada de preocupação enquanto dirigia, eu estava imerso em pensamentos, tentando arrumar um jeito de contar pra ela quem eu era, mas eu estava em um dilema terrível.

Ela não iria se lembrar de nada... talvez até me chamasse de louco e fugisse com medo.

Isso era o que mais me assustava, perde-la de vista outra vez.

Fiquei pensando nisso e não percebi que já havíamos chegado no hotel.

Andamos em silêncio, e eu podia sentir seus olhos me fitarem preocupados, mas eu tinha medo de olhar para ela e acabar contando tudo.

Eu tinha que dar um jeito de fazê-la se lembrar, ou de fazer ela confiar em mim.

Mas como eu faria isso? eu não tinha tempo, tinha que bolar algo rápido.

Sai do elevador e não ouvi seus passos, olhei para trás preocupado que tenha a perdido de vista, ela estava parada no elevador, tão pensativa, quanto eu.

-Você não vem?- ela focou os olhos voltando para a realidade.

Relaxei e continuei a andar ainda pensando em como iria fazer para não me afastar dela nunca mais.

Paramos na porta do quarto e ela me deu um abraço, a apertei com força prometendo mentalmente que nunca mais a soltaria agora que tinha a encontrado.

-Boa noite- ela falou com uma vozinha triste, beijei sua testa com carinho e entrei no quarto rapidamente, eu estava fugindo dela, de seus olhos preocupados.

Andei até a cama e decidi tomar um banho quente na banheira, para me ajudar a pensar melhor.

Enchi a banheira, tirei a roupa e entrei na água, sentindo meus músculos tensos se relaxarem.

Fechei os olhos lembrando do dia que perdi minha mãe, do dia que conheci a Fran...

...

Eu estava no hospital, sentado na sala de espera, vendo as pessoas andando nervosas enquanto esperava o resultado de algum exame, ou esperando um famíliar saír de uma cirurgia, meu pai me chamou da porta do quarto da minha mãe e eu fui andando de vagar até ele.

seu rosto estava retorcido de dor.
-A sua mãe que falar com você- ele disse cabisbaixo, sem me olhar nos olhos.

Bati na porta e ouvi um "entre" de uma voz fraca que vinha de dentro do quarto.

Entrei fechando a porta e andando em direção a cama da minha mãe que me olhava sorrindo.

-Oi meu amor- ela abriu os braços e eu a abracei com cuidado, com medo de machuca-la, ela estava tão frágil...

-Mãe, eu não gosto de hospitais, as pessoas são tristes aqui- ela sorriu e fez carinho no meu cabelo.

-Isso não é verdade... veja eu estou feliz!- olhei para ela confuso.

-Porque?- ela sorriu e suspirou.

-Porque você está aqui.- eu sorri e abaixei a cabeça no seu peito, ouvindo seu coração fraco bater.

-Adan, pode me prometer uma coisa?- eu assenti ainda com a cabeça no seu peito.

-Me promete que se você encontrar com o seu destino, vai deixar ele te guiar?- levantei a cabeça e seu rosto estava sério, o olhos complacentes.

-Eu prometo.- ela sorriu e me abraçou forte.

-Eu vou ter que deixar você e o seu pai sozinhos por um tempo, mas não se preocupe, vou enviar alguém para cuidar de você.- olhei para ela com lágrimas nos olhos e ela me apertou em seus braços, murmurando uma canção de ninar para mim.

Fechei os olhos ouvindo a canção, até ela parar de vez, suas mãos fracas pararam de acariciar os meus cabelos, e eu senti um buraco abrir no meu peito.

-Mãe! Mamãe!- chamei em meio ao choro, sacudindo seu corpo sem vida.

Um médico entrou no quarto rapidamente, e meu pai me puxou para fora do quarto, me abraçando e chorando junto comigo.

O médico chamou meu pai, e ele pediu que eu esperasse para irmos para casa.

Eu estava sentado no banco que tinha de frente para o hospital esperando meu pai.

o céu estava claro, sem nuvens, e o sol radiava alegre, era um dia bonito.

Eu estava de cabeça baixa olhando para as minhas mãos, esperando meu pai voltar, e as lágrimas ainda escorria por meus olhos.

Então senti uma mão tocar meu rosto com carinho, olhei assustado para a garota que estava na minha frente, ela tinha um olhar doce e preocupado, ela sorriu e seu sorriso me lembrou o sorriso da minha mãe, seus dedos passaram levemente nos nas minhas bochechas, limpando minhas lágrimas, ela se sentou ao meu lado e fez carinho na minha cabeça, e começou a murmurar uma canção... a mesma canção de ninar da minha mãe.

olhei para a garota assustado e me lembrei exatamente das últimas palavras de minha mãe.

-Eu vou ter que deixar você e o seu pai sozinhos por um tempo, mas não se preocupe, vou enviar alguém para cuidar de você.-

Olhei para a menina de novo e quando abri a boca para perguntar seu nome, um homem se aproximou de nós e ela segurou a sua mão.

Ela virou-se para mim, sorriu e acenou um "thau".

Fiquei parado ali, tentando entender o que tinha acontecido e percebi que eu não tinha perguntado o nome dela.

Me levantei rapidamente e corri em direção onde eles tinham ido, vi ela entrando em um carro, e corri desesperado para alcançar, mas o carro já tinha arrancado e saído com pressa.

A partir desse dia eu jurei que se encontrasse essa garota de novo, eu iria fazer de tudo para cumprir a promessa que fiz para minha mãe.

...

Abri os olhos voltando a realidade, sai do banho, me troquei e deitei na cama, me sentindo aliviado e com medo.

Aliviado por que finalmente tinha encontrado a garotinha.

E com medo porque eu tinha medo de perde-la.

peguei meu celular e mandei uma mensagem para Luke, dizendo para ele me ligar assim que pudesse.

Talvez Luke possa me ajudar a pensar em alguma coisa...- pensei, fechando os olhos e sonhando com a Colina dos Desejos.

×
Eu não sei vocês, mas eu tô chorando aqui...

não tenho nem o que falar, é isso, boa noite e até amanhã, beijinhos ♡

Um encontro com o DestinoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora