Capítulo 23/ Mentira

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Eu estava na colina com a Valéria e a Raíssa, nós riamos de algo que a Raíssa tinha falado sobre a escola, tive consciência de que estava sonhando, mas eu não queria acordar, eu ouvia um bipe ao fundo mas não sabia identificar de onde era, depois o sonho mudou e eu estava no carro com o papai e a mamãe, e eles discutiam por algum motivo.

O sonho mudou de novo e eu vi um garoto sentando cabisbaixo e chorando baixinho, me aproximei dele e perguntei se estava tudo bem, mas ele não respondeu, pareceu nem notar minha presença, abracei ele tentando consola-lo e abri um sorriso ao ver seus olhos escuros e brilhantes, o bipe ficava mais forte, e o sonho se alterou de novo, o garoto admirado me olhando no aeroporto.

O bipe foi ficando mais forte, e depois as imagens sumiram.

Tentei abrir os olhos pra achar aquele som irritante.

Abri os olhos devagar, vendo um quarto branco com uma luz forte e sentindo uma imensa dor de cabeça.

Olhei para o lado e percebi de onde o bipe vinha, era um monitor que mostrava os meus sinais vitais, pisquei tentando acostumar minha visão e vi meu pai, parado e me olhando com a testa franzida na beira da cama.

-Pai?- perguntei e seu rosto preocupado tentou esboçar um sorriso

-Oi... como está se sentindo? pedi para o médico que me chamasse assim que você desse sinal de que iria acordar.- ele falou olhando profundo nos meus olhos e analisando minha expressão

Como eu estou me sentindo? confusa! eu estava no hotel em um momento mágico com Adan agorinha mesmo! que droga eu vim fazer em um hospital!- pensei respondendo mentalmente sua pergunta.

-Minha cabeça está doendo um pouco...- coloquei a palma da mão na minha testa, massageando

-Mas você... se lembra de alguma coisa?- ele perguntou com a testa vincada e engolindo seco

De repente eu me lembrei, me lembrei de Adan... onde ele estava? porque não estava ali.

Um calafrio passou por todo o meu corpo e eu olhei para o meu pai desesperada.

-Cadê ele? eu preciso vê-lo- falei com urgência na voz e me levantando da cama.

Senti as mãos do meu pai me segurar.

-Espera! você não pode sair ainda... o médico disse que você vai ficar em observação por algumas horas- ele disse me deitando na cama de novo

-Então chama o Adan, eu preciso falar com ele, dizer que me lembro de tudo!- meu pai fez uma cara séria e encarou o chão

-Ele foi embora.- olhei pra ele como se ele tivesse falado em grego

-Como assim? do que tá falando?- ele levantou a cabeça para me olhar

-Ele ficou se culpando, depois de ver você nesse estado, então disse que não te causaria mais problemas e foi embora- ele me encarou, seus olhos eram indecifráveis

Senti meu coração bater lentamente, e meu estômago parar. meus olhos arderam e começaram a escorrer lágrimas dos mesmos.

-Não... não foi culpa dele, você tem que dizer isso pra ele pai!- falei com a voz falha por causa do choro

-Eu falei filha, mas ele ficou com medo de você não se lembrar dele- ele disse me abraçando

-Mas eu me lembro! me lembro de tudo! eu preciso ver ele- falei tentando me levantar de novo

-Não... você precisa descansar. por favor Francine, você já teve emoções demais para dois dias! descansa e depois vamos pra casa, daí você decide o que fazer.- não consegui identificar a estranheza na voz do meu pai, mas alguma coisa lá no fundo, me dizia que ele estava mentindo.

Será que isso é um plano dele pra me levar pra casa? aposto que foi ele que expulsou o Adan...- pensei imaginando que meu pai seria a pessoa mais capaz no mundo de fazer isso.

Limpei a lágrimas dos olhos e ele parou de me abraçar, olhando pra mim, sorri simpática

-Sim... eu quero ir pra casa- ele abriu um sorriso largo

-Vou falar com o médico pra te dar alta o mais rápido possível!- ele falou animado e eu forcei um sorriso

-A mamãe está aqui?- perguntei olhando sua expressão agora pensativa

-Esta...- falou exitante

-Quero vê-la.- sua expressão ficou preocupada mas logo ele desfez dando um sorriso

-O médico disse para evitar muita gente em cima de você- ele falou olhando meu olhos

-Não é muita gente... é a mamãe! e eu estou com saudades.- disse em uma voz meiga e com a testa franzida.

Ele ficou me olhando e pensando por um tempo e depois se levantou.

-Esta bem! vou chamar ela.- saiu do quarto e eu fiquei encarando a porta, e pensando em como iria fugir daquele lugar.

Era claro que meu pai estava mentindo.

Adan nunca me abandonaria, muito menos agora que eu me lembrava dele e que ele havia me encontrado.

E essa história estava muito mal contada, a ansiedade do meu pai em me levar pra casa e a pequena resistência em chamar minha mãe me fez perceber toda a sua farsa, meu pai pode enganar os acionistas e os empregados da empresa dele, mas a mim, ele não engana.

Arranquei com força a intravenosa do meu braço, e apertei o botão de desligar do monitor, tirando o escâner do meu dedo.

Sai da cama e vesti minha roupa pegando minha bolsa que estava em uma poltrona na sala.

Ouvi umas batidinhas na porta e logo ela se abriu.

-Fran?- minha mãe olhou pra mim surpresa e fechou a porta rapidamente

-Mãe... me ajuda- falei com a voz de choro de novo

Ela se virou e trancou a porta, caminhando séria até mim.

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Olá queridos leitores! espero que estejam gostando ;)

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