Capítulo 2/ Francine

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6:00h

-Eu não vou!- corro para o meu quarto e bato a porta com força.

-Francine Maria Guzzman!- ouço meu pai gritar no andar de baixo.

-Eu já disse pra me deixar em paz!- pego a mala em baixo da cama e começo a jogar algumas roupas com força dentro da mala, pego meu passa-porte e abro a janela do quarto que dá para uma sacada no jardim e jogo a mala lá em baixo.

-ESCUTA AQUI MOCINHA ACHO BOM VOCÊ ME ESCUTAR, VOCÊ AINDA NÃO TEM IDADE PRA SE REBELAR ASSIM- ouço meu pai gritando pelas escadas, ele estava subindo para o meu quarto, eu precisava ser rápida.

me penduro na sacada e começo a descer segurando na trepadeira que tem enrolada na grade. sinto meu pé encostar no chão, pego a mala e a bolsa com os documentos, minha carteira e a chave do carro, corro para garagem e ouço meu pai me gritando da sacada.

-Francine!?- meu pai grita furioso.

abro a garagem e já vejo minha mercêdes preta, aperto o botão de abrir o carro, ouço passos rápidos descendo as escadas, jogo a mala no banco de trás entro no carro rapidamente, enfio a chave na ignição e acelero, esperando... vejo meu pai abrir a porta da garagem em um rompante e eu o encaro com um sorriso de lado nós lábios, com raiva nos olhos ele me encara, arranco o carro cantando pneu e vejo meu pai autoritário e nazista pelo retrovisor ficando cada vez mais longe.

1 hora antes...

-Bom dia pai- comprimento meu pai com um beijo na testa

-Bom dia filha- ele sorri

sento na mesa farta de frutas, cereais, panquecas e ovos mechidos, pego uma maçã e dou uma mordida.

-Filha nós precisamos conversar- meu pai olha pra mim sério e seu tom de voz de empresário me assusta, olho pra ele e sinto meu estômago gelar, odiava quando meu pai usa essa voz de empresário comigo, significa que estou encrencada.

-O que eu fiz?- pergunto já esperando o pior, meu pai tenta parecer mas relaxado.

hum mal sinal, droga! estou muito encrencada.

-Eu e sua mãe conversamos e nós achamos melhor te mandar pra uma faculdade integral na Noruega- ele relaxa completamente na cadeira como se o assunto estivesse resolvido.

eu sabia que não era bom

-Como é?- olho para o homem de cabelos pretos e olhos castanhos como os meus. dou uma risada debochada
-você só pode estar brincando- ele olha pra mim tentando entender o que eu estava dizendo

-porque eu brincaria com isso?- olho para as minhas mãos fechadas em punho, eu nunca me rebelei contra meus pais, mas isso era demais pra mim

-Eu não vou- disse murmurando torcendo para que minha tentativa falha de me impor tenha chegado aos ouvidos do meu pai

-o que disse?- ele olha pasmo pra mim dando a entender que ele ouviu direitinho o que eu disse.

-eu não vou pai, não pode me obrigar- olho para ele com o nariz empinado preparando os argumentos na minha cabeça

-Não pensei que teria que te obrigar, mas se eu precisar fazer isso Francine, pode ter certeza eu vou- meu sangue ferve e eu bato as minhas mãos fechadas em punho com toda força na mesa

-Não!- grito
meu pai se levanta bruscamente da mesa

-Não levanta a voz pra mim mocinha! Quem você pensa que é- diz apontando o dedo na minha cara

-Eu que te pergunto isso, não pode simplesmente planejar a minha vida sem antes me falar nada e achar que eu vou aceitar!- levanto da mesa rapidamente e encaro meu pai, o rosto vermelho mudando para roxo

-Eu digo que posso porque eu sou o seu pai! e quem manda em você garota, AINDA SOU EU!- olho para ele com os olhos arregalados sinto meu rosto ficar quente de raiva e meus olhos úmidos

isso é sério!?

-Eu não sou uma das suas empresas que você controla pai! eu sou um ser humano e eu decido o que vou fazer, qual é? eu já tenho 18 anos! e você e a mamãe ainda querem decidir o que devo ou não fazer, EU TO CANSADA DE VOCÊS!- respiro sufocada depois de cuspir tudo o que eu sentia pra fora, meu pai franze os lábios e me olha com desdém

-Eu sabia que eu e sua mãe não devíamos ter permitido você entrar naquela banda com aqueles muleques vagabundos que não tem onde cair morto, olha como você foi influenciada por eles!- bate as mãos na mesa e senta com raiva

-Eu não fui influênciada por ninguém pai! a culpa é sua por tudo isso, e eles são meus amigos! nunca mais fale assim deles- uso um tom de ameaça meu pai olha pra mim cético

-E você é minha filha! tem que me respeitar- ele fala sustentado meu olhar e o tom

-Eu nunca te faltei com respeito pai, mas você e a mamãe sim, vocês me faltaram com respeito quando decidiram conspirar nas minhas costas!- tento acalmar a minha respiração que estava frenética

-Pare de ser dramática Francine, não é o fim do mundo você vai ficar lá no máximo 2 anos, não é tanto tempo assim- ele agora estava mais calmo e seu tom de voz mais baixo

-Esta bem, então vocês vão ter que me arrastar pra lá- digo com um tom de deboche e saio subindo as escadas e pisando forte até meu quarto.

-Volta aqui ainda não terminei de falar!- ouço meu pai gritar da cozinha e o ignoro continuando a subir as escadas

-Você vai Francine, para de ser rebelde e aceita de vez, não a nada que você possa fazer- meu sangue ferve e eu explodo de raiva.

--Eu não vou!- corro para o meu quarto e bato a porta com força.

-Francine Maria Guzzman!- ouço meu pai gritar no andar de baixo...

Uma hora depois...

Eu estava a 60km por hora e meus olhos não paravam de escorrer lágrimas, eu não acreditava que meus pais tinham feito isso, eles achavam que eu era um objeto? que eles podiam se livrar a qualquer momento e que não aconteceria nada? que eu iria aceitar o meu destino e ficar calada? e quando foi que se impor sobre sua própria vida se tornou desrespeito? eu não ia deixar isso acontecer comigo, via todas as minhas amigas serem mandadas para fora do Brasil apenas por arrumarem um namorado de classe média ou por não quererem fazer uma faculdade que os pais pediam, nunca pensei que fosse passar por isso, mas aqui estou eu fugindo dos meus pais pra casa da tia Olga.
Repassando toda a conversa que tive com meu pai percebi que estava chegando no aeroporto internacional do Rio de janeiro Tom Jobim, meu coração começou a acelerar, eu estava com medo, mas não ia deixar que meus pais me mandassem pra um internato apenas porque entrei em uma banda, a música era tudo pra mim e essa é uma coisa que eu lutaria pra não ser arrancada da minha vida.

×

Boa noite amigos leitores! o que vocês estão achando da história? espero que estejam gostando, amanhã tem mais.

o que acham que vai acontecer agora? Acham que a Francine está certa em fugir dos pais? me contem tudo!

até o próximo capítulo beijinhos ♡





























Um encontro com o DestinoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora