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ESCOBAR 📿

Atravessei a rua rápido e fui até ele. Quando me viu na mesma hora colocou o capacete e guardou o celular no bolso.

Escobar: tá fugindo? —falei me aproximando mais e ele subiu na moto.

Vk: não, eu já estava de saída. Vi que causei um tumulto entre você e a Bia, não foi minha intenção não.

Escobar: não perguntei nada. Desci pra te passar um recado, e é a primeira e última vez que falo, cansei só de dar recado e ninguém abraçar meu papo. Você é do crime, tá ligado que combinar mulher de vagabundo não é certo, não bate com a conduta adequada de um bandido.

Vk: ninguém tá cobiçando a mulher de ninguém, sei muito bem que isso não é certo, e aqui eu sou certo pelo certo.

Escobar: agora você é certo pelo certo, na hora de ficar encarando minha mulher lá em cima tu não era certo pelo certo né? Na hora de ficar mandando cesta pra ela tu não era certo pelo certo? Num fode caralho. —ele sorriu de canto.

Vk: se teu problema é a cesta, era antes de vocês namorarem. Agora lá em cima eu tava olhando pra ela e pra todo mundo que estava ali, meu olho não é enfeite não.

Escobar: não é enfeite agora, mas da próxima vez que eu catar você olhando pra ela, essa porra aí vai ficar só de enfeite, vou fazer questão de deixar você cego, de um jeito ou de outro. Eu quero você bem longe dela, entendeu ou vai pagar pra vê o que acontece? —cruzei meus braços e dei dois passos chegando perto da moto dele.

Vk: não brigo por mulher, pode ficar com ela cara, tô nem aí não. Agora da licença que eu já tava metendo o pé. —ligou a moto e eu sai de perto encostando ali e observei ele saindo.

É um bunda mole do caralho, frouxo demais, assim que me viu já tava fugindo, isso só me mostra mais ainda que tem alguma coisa rolando.

Marina: lindíssimo a discussão por ciúmes —ouvi a voz dela e me virei olhando ela de cima a baixo, tinha engordado, estava com uma roupa curta, mas não daquelas bonitas que ela usava antes, o cabelo continuava cumprido e o rosto tava com algumas manchas, coisa que antes não tinha nem mesmo quando ela estava sem maquiagem— tá amando mesmo né? Quem diria.

Escobar: melhor tu sumir da minha frente garota, não tô num dia bom e se você soubesse a sede que eu tava de te encontrar e acabar contigo, tu sumiria rapidinho.

Marina: eu não tenho medo de você. Você já me tirou tudo de bom, tudo! Eu perdi todo meu brilho por sua causa, você fodeu com a minha vida, Vinicius. Se eu pudesse não teria te conhecido, queria poder voltar no tempo. Eu não sei como fui capaz de amar tanto uma pessoa, como eu te amei. Te amei tanto que esqueci de me amar, agora olha pra mim —esticou os braços e apontou pra si mesma— eu tô sem nada, NADA.

Escobar: você quis isso, você arrumou isso pra você. Não joga a culpa em mim, se você criou uma ilusão na tua cabeça e quis viver daquilo a culpa é somente sua, não minha. A minha parte eu fiz, sempre fui sincero. Agora você não, mesmo depois de descobri que não tinha criança nenhuma na barriga, preferiu levar a história adiante e me enganar —falei puto sentindo meu sangue começar a ferver e toda aquela vontade de acabar com ela igual quando descobri da mentira vindo atona— você achou o que? Que ia levar essa porra até onde? Que eu não ia perceber? —me aproximei dela e empurrei ela na parede.

Marina: aí Vinicius, se afasta de mim.

Escobar: agora é se afasta —segurei firme nos braços dela— agora quer me ver longe não é? Mas na hora de pedir dinheiro, de ficar me cobrando pra ir lá na tua casa por causa da porra de uma criança que nem existia você era boa né? Sabe o que você é Marina? —apertei os braços dela vendo a cara de medo que ela estava.

Marina: tá me machucando, Vinicius. Me solta. —pediu— eu vou gritar.

Escobar: grita, pode gritar bem alto. Eu não tô nem aí, era pra mim ter feito o que minha cabeça mandou desde que descobri a sua mentira, eu devia ter cobrado você, deixado tu toda fodida pra aprender que não se deve enganar bandido, ainda mais eu.

Marina: você e nada é a mesma coisa. Você é um bandido de merda, Vai toma no seu cu. —gritou na minha cara e se debateu me dando dois socos no peito— Some.

Na hora eu perdi a cabeça, só levantei a mão e dei um retão na cara dela, bem no nariz. O sangue escorreu na hora e ela me olhou com os olhos cheio de lágrima.

Marina: não, você não fez isso. —colocou a mão no nariz e começou a chorar— como você pode fazer isso comigo?

Escobar: agradece por ter sido só isso, era pra ser pior.

Bia: Vinicius, que merda tá acontecendo? —chegou com a cara bolada, ela olhou primeiro pra mim e depois pra Marina, quando viu a cara dela me olhou na hora e negou com a cabeça — já deu, vamo.

Marina: isso, leva esse macho nojento pra longe.

Escobar: na moral Marina, cala a porra da tua boca e não me faça te matar na porra da rua agora. —coloquei a mão no coldre e a Beatriz se aproximou entrando na frente.

Bia: já deu, amor. Vamo, vem. —me puxou dali.

Olhei pra cima e vi só a Lorena e a Rayssa olhando de lá de cima, de resto ninguém mais olhava pra cá.

Olhei pra trás e vi a Marina ainda parada na rua encostada chorando. A Beatriz soltou meu braço e enfiou a mão no meu bolso pegando a chave do carro e destravou.

Escobar: qual foi?

Bia: em casa a gente conversa, por favor.

Intocável - em processo de revisão! Onde histórias criam vida. Descubra agora