Capítulo quatro: S de Sam

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Eu não aguento mais

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Eu não aguento mais... Eu não aguento mais... Eu não aguento mais...

Quatro palavras, ecoando repetidas vezes, hora após hora, dentro da mente de Sam. Seu cérebro estava preso na ideia que ela achava ser sua única opção, fugir. Mas em Redwood, ela seria facilmente encontrada.
Sam chorou, chorou... chorou. Era o que ela fazia de melhor. Mas nunca na frente de seu pai, Sebastian Giddens. Pois ela sabe que para ele, é a fraqueza em seus olhos. Sam sentou-se na cama, pegou o seu estojo, e retirou uma lâmina de dentro dele, que ela havia arrancado de seu apontador semanas atrás. Quando suas crises de ansiedade começaram a ficar mais fortes e mais frequentes. Ela nunca tivera o controle de sua vida, mas Sam não esperava também perder o de sua mente, e de seu corpo.
Eu só quero que a dor passe... eu só quero me sentir livre de toda essa pressão.
Seu cérebro estava preso nessa escuridão infinita, e ela não sabia como escapar, ela não conseguia parar. A lâmina já estava sobre a sua coxa esquerda, Sam sempre usara calças, ali ninguém veria. Ninguém nem se importava o bastante para perceber o quanto ela estava quebrada. O quanto o seu pai a quebrara. Seu subconsciente mentia para ela. Talvez a dor física substituísse a extrema tensão de sua alma solitária.
Perguntas vieram em sua mente, tornando seus pensamentos ainda mais sombrios. Se eu morrer, alguém vai sentir a minha falta? Minhas amigas? Minha mãe? Meus pais...
Ela pressiona a lâmina contra a sua pele. E fecha seus olhos com força, enrugando o rosto. Seu cérebro a levou para o momento exato que a fez chegar ao seu limite.

De repente estávamos na sala impecável de Sam, cada cômodo daquela grande mansão vitoriana havia sido moldado e mobiliado por um designer muito famoso de Londres. Amigo de Bob.

"Você quer destruir essa família? A nossa reputação? A minha reeleição? Viu, é por isso que eu não te deixo sair com aquelas garotas. É a Angel? É ela que está te levando para esse caminho? Vai tomar um banho, está fedendo a cachaça"

"Foi só vodca..." Sam murmurou, chorando em soluços.

"Só vodca?" Gritou Sebastian.

Bob apressou-se a intervir:

"Chega Sebastian, deixe a garota em paz" ele abraçou Sam.

"Você a defende porque ela vive instigando as suas fantasias, a vergonha que você chama de arte!"

"Não chore, ele está fora de si..." Bob limpou as lágrimas do rosto dela.

"Sam", chamou a pessoa que batia na porta. Sam voltou a consciência, não totalmente, ela ainda se sentia a pior pessoa do mundo. "Sam" era a voz de Celeste, sua mãe. Ela se deu conta dos dois cortes que havia feito em sua coxa, ela pegou uma de suas camisas que estavam jogadas pelo chão de seu lindo e enorme quarto, que mais parecia uma casa de bonecas. E limpou.

"Abre a porta, filha, por favor".

Sam abriu a porta, com o pijama/macacão que ela havia colocado. Os seus olhos inchados de tanto chorar, o cabelo bagunçado e seu rosto sem expressão alguma.

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