CATORZE

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Não sou do tipo que demora tanto em dar uma resposta mesmo ela sendo decisiva. Mas as coisas que aconteceram envolvendo o Soobin e a Lisa me deixam sem saber para onde ir. Poderia escolher o caminho mais longo e fácil ou o mais curto e difícil, mas neste momento não sei qual decisão tomar e tenho até medo de tomar a decisão errada. Sei que deveria escolher o melhor para mim, mas nem eu sei o que seria bom de verdade. Tudo o que me resta é falar com o Beomgyu e sei que poderia me ajudar com essa questão. Se eu falasse com o Taehyun ele poderia contar a nossa conversa sem querer para outras pessoas e isso é o que eu menos quero agora.

     Beomgyu estava sozinho em sua carteira ouvindo música enquanto fazia as atividades na aula livre. Graças a Deus o Taehyun estava com um garoto do outro lado da sala conversando e ele não iria prestar atenção na conversa.

     — Beomgyu — chamo a atenção dele jogando uma bola de papel.

     Ele tira os fones e vira na minha direção.

     — Você pode me ajudar? — perguntei.

     — Quer ajuda com o que exatamente? É mais uma conversa daquelas em que você precisa de um conselho?

     Fico surpreso com o nível de amizade que temos a ponto dele me conhecer super bem e eu nem precisar falar mais nada.

     — Sim — admito balançando a cabeça. — É exatamente isso.

     Ele deixa o celular e as atividades de lado para se dedicar única e exclusivamente à nossa conversa.

     — Me conte então o que aconteceu — disse ele. — O que se passa nessa sua cabecinha?

     — Você deve se lembrar daquela discussão no portão.

     — Sei. A briga que quase a escola toda viu.

     — Pois bem, aquela garota ruiva se chama Lisa e ela só fez aquilo porque percebia a minha aproximação com o Soobin, e meio que ficou com ciúme de mim.

     Beomgyu arqueia uma sobrancelha.

     — Mas para quê isso?

     — Bom, ela não me queria perto dele e recentemente descobri que foi porque os dois namoraram no passado.

     — Ué, como você descobriu?

     Engulo em seco.

     — Ontem à noite o Soobin se declarou para mim e aí a gente acabou conversando sobre o passado e…

     — Calma. É muita informação — disse ele. Vejo que é como se a cabeça dele tivesse explodido e está meio em choque. Perplexo. — O Soobin se declarou para você? Foi isso mesmo que ouvi?

     Concordei balançando a cabeça.

     — Então qual o problema nisso tudo, Yeonjun? — perguntou ele. — Só vejo coisas boas.

     — O problema é que eu não quero ficar com o Soobin sabendo que a Lisa é ex-namorada dele e pode tentar separar a gente e fazer aquele escândalo de novo só porque estou perto dele — explico. — E também porque não sei direito o que eu sinto pelo Soobin.

     — E o que você sente por ele?

     — Ainda estou pensando sobre isso, mas com quase certeza que é apenas uma amizade forte. Nunca senti  por alguém o que estou sentindo por ele agora e acho que é isso mesmo.

     — Isso é o que a sua cabeça diz, mas e o seu coração? Talvez você devesse ouvir ele sendo mais atento. Às vezes ele pode estar querendo nos dizer algo, mas nem sempre estamos sabendo como realmente ouvir. E mais uma coisa: você pensa muito nos outros e não em si mesmo. Acho que você deve ter reprimido tanto as suas emoções que nem deve saber mais o que sente. Deixa isso fluir.

     Não é a primeira vez que ele me ajuda com situações difíceis como essa. Acho que o Beomgyu deveria receber o apelido de Fada Sensata por sempre saber como ajudar as pessoas de maneira certa e da melhor forma. Realmente ele tem o dom com as palavras e não me surpreenderia se ele seguisse carreira na psicologia e assim ajudar muitas pessoas.

     Passei o resto do dia pensando na conversa que tive com o Beomgyu. Talvez ele estivesse certo sobre eu não estar ouvindo o que meu coração tem a me dizer e saber dos meus reais sentimentos pelo Soobin. Além do fato de eu realmente pensar muito nos outros e não pensar em mim. Ter reprimido meus sentimentos e não saber o que eu sinto por ele, mas não acho que seja medo, ou talvez até seja. Pode até ser que eu esteja enganado em ser apenas uma relação entre amigos, mas se há algo a mais entre nós dois só irei ter certeza daqui um tempo. Não estava nos meus planos estar em um triângulo amoroso, mas agora que estou, posso afirmar que estar envolvido nisso é ruim. Muito ruim. Sempre tem alguém que vai sair machucado e é inevitável.

***

Ainda é cedo. O relógio marcava oito em ponto da noite e dessa vez sou eu quem está preparando o jantar. Soobin já havia chegado do trabalho há uma hora e agora ele está na sala assistindo tevê.

     — Ei, Yeonjun — ele me chama sem tirar os olhos da televisão. — O que você acha de chamar aqueles seus amigos para virem aqui em casa?

     Chamar eles para cá seria ousado num primeiro momento. Mas agora o Soobin sugerindo isso talvez até poderia dar certo. Isso se não fosse pelo Kai.

     — Por quê? — perguntei.

     — É para nós passarmos um tempo com eles — disse ele. — Pensei que seria legal eles aqui em casa. Claro, agora que nós dois morando juntos não seja mais um segredo entre a gente.

     Ele se levanta e vem até mais perto, se apoiando na bancada à frente.

     — O que me diz?

     — Acho legal a ideia — digo enquanto mexia nas panelas pondo temperos e tals. — Mas o que faremos?

     A resposta parecia estar na ponta da língua:

     — A gente poderia conversar e se conhecer melhor. Um tempo de lazer só nós cinco.

     A proposta é realmente uma boa ideia e poderia dar certo. Faz muito tempo que não saio com eles desde aquela vez em que foram no restaurante do Kai onde estava trabalhando, e chamá-los aqui vai ser bom pelo menos uma vez para conhecerem o espaço por mais que o Taehyun já tenha vindo.

     — Fechado então — afirmo. — Pode ser amanhã à noite e aí faço o jantar.

     — Beleza — ele sorri e chega mais perto de mim.

     Pensava que só iria dar uma olhada no que eu preparava, mas em vez disso, ele pega a minha mão e me puxa até ele, me envolvendo em um forte abraço caloroso. Não é ruim, muito pelo contrário, seu abraço é apertado e me traz muita segurança. Meio sem reação, pouso as minhas mãos em sua cintura e posso sentir seus músculos definidos da barriga. Não imaginava que o Soobin frequentasse tanto a academia e fosse sarado desse jeito. Alto como é, ele consegue me envolver todo no abraço e me faz sentir baixinho mais do que já sou.
  
     Num ato impensado, ele sai um pouco do abraço e deixa seu rosto perto demais do meu. Me lembro da vez no banheiro da escola em que estive perto dele assim e pude sentir a sua respiração. Está acontecendo o mesmo agora, mas estamos bem mais próximos.

     Sei exatamente o que ele quer.

     Ele não pergunta e também não espera. Apenas chega mais perto de uma vez e beija a minha boca, segurando o meu rosto delicadamente. O ato me deixa surpreso, mas tento manter a calma e acabo me rendendo. Soobin conduz o beijo com maestria e apenas tento segui-lo, mas ele já está me guiando muito bem. O seu beijo é calmo e intenso. Sua língua parece dançar com a minha como uma coreografia bem ensaiada.

     Nem precisava desfazer o beijo porque ele mesmo faz isso terminando com dois selinhos. Foi tudo muito perfeito.

     Me viro sem dizer nada, mas Soobin me abraça de novo e dessa vez por trás. Seu quadril bem colado ao meu.

     Solto um suspiro pesado, tenso.

     — O que há com você, Soobin?

     — Nada — ele responde, repousando sua cabeça em meu ombro. — Não aconteceu nada.

Dois Sob o Mesmo TetoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora