ONZE

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Meus pensamentos ribombam na cabeça há dias. A declaração do Kai me deixou meio sem graça com ele e não sei como agir daqui em diante. O clima no trabalho não está lá essas coisas e os dois não sabem mais o que conversar um com o outro, e eu sabia que afetaria um pouco a nossa amizade. Apesar da instabilidade continuamos bem.

Soobin me passou o número dele só agora. Desde quando começamos a morar juntos, ele nem sequer se lembrou desse detalhe importante, mas confesso que eu também não lembrava. Agora posso encher o saco dele sem que seja apenas em casa, mas ele determinou que eu só deveria mandar mensagem em caso de emergência - o que acho ridículo, mas ao mesmo tempo útil. Tudo bem se ele não quer conversa nem por mensagem.

Todos estamos na escola agora e os garotos conversavam.

- O Kai nem quis se encontrar com a gente quando chegou - comenta Taehyun. - Passou direto por nós sem dar pelo menos um oi.

- É verdade - disse Beomgyu. - Sabe de alguma coisa, Yeonjun?

Distraído de novo em pensamentos, saio do transe e olho para eles.

- Quem? Eu?

- Não se faça de desentendido.

- Você é o que mais fala com o Kai e é muito próximo dele. Deve saber de alguma coisa. - disse Taehyun.

Sabia que deixaria na cara que aconteceu algo. Kai também deixou aparente só pelo jeito que chegou e de qualquer maneira não iria conseguir esconder.

- Está bem. Eu conto - digo.

- O que houve? - perguntou Beomgyu, inclinando-se na mesa. Taehyun também chega mais perto.

Não vejo porquê esconder deles e não teria problema nenhum em contar.

- O Kai se declarou para mim.

Beomgyu leva as mãos à boca. Taehyun fica de queixo caído e faz um som de surpresa. Ambos sem acreditar.

- Quando foi isso? - Taehyun quis saber.

- Ele me levou numa praça um pouco mais distante daqui. Aquela em que íamos brincar quando éramos crianças. Parecia que ele só queria passar um tempo comigo porque não estávamos tão próximos, mas na verdade ele acabou se declarando e deve ter aproveitado a situação.

Eles soltam gritinhos meio que de entusiasmo.

- Isso não é maravilhoso? - disse Beomgyu. - Agora que ele abriu o coração vocês podem ficar juntos, Yeonjun.

Taehyun não concorda e balança a cabeça.

- Claro que não. O Yeonjun nem sente o mesmo.

- Ele gosta, sim - Beomgyu olha para mim. - Não é, Yeonjun?

Nem pude responder à pergunta, pois fomos interrompidos pela voz da diretora que sai do alto-falante da sala:

- Choi Yeonjun, por favor comparecer à sala de reunião dos representantes.

O professor olha para mim. A sala toda em silêncio. É quase como se eu tivesse aprontado, mas não era para a direção que fui chamado.

- Vai lá - disse o professor.

Taehyun e Beomgyu me olham com uma cara do tipo "o que foi que você fez?". Seja lá o que aprontei não vou fazer de novo.

Vou até à sala de reunião dos representantes que fica a alguns corredores a oeste. Fico pensando no que foi que eu fiz de errado para ser chamado assim, mas não lembro de nenhum ocorrido grave. A sala em si serve para os representantes de classe de todas as turmas do colégio se reunirem junto à direção para conversarem sobre melhorias e alguns assuntos que depois deviam ser repassados para os alunos e professores nas salas.

Dois Sob o Mesmo TetoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora