Duelo de bandas

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Sirius Black
Quando abri os olhos, via estrelas de tanta dor. Então encontrei os olhos azuis que atormentavam muitos dos meus sonhos. Zoya falou comigo e jurei que estava morto, nem em sonho ela era tão gentil, seu toque parecia uma carícia delicada. Quando ela falou que também estava na floresta, meu cérebro exausto demorou para ligar os pontos, mas quando o fez meu choque foi tanto que esqueci da costela quebrada. Então tudo fez sentido, a ameaça durante a nossa detenção, seus rosnados sutis, a força surpreendente, os reflexos melhores que de qualquer um, a exaustão durante as semanas de lua cheia. Como não tinha percebido antes?!

Deixei que ela limpasse o sangue, deixei que visse o início de uma cicatriz antiga nas minhas costas, desviei o olhar com receio que perguntasse sobre, mas se o fizesse eu responderia, não sei se saberia negar algo que ela me pedisse. O olhar que ela me lançou antes de sair falando da minha tatuagem (a fiz no ano passado no beco diagonal, porque tive vontade, meus pais nunca descobriram) senti queimar minha pele, um arrepio subiu pela minha espinha. Eu devia estar delirando, uma garota não podia me fazer sentir essas coisas, eu precisava lembrar que a odiava e tinha uma aposta pra ganhar.

Assim que ela saiu meus amigos entraram. Remus torcia os dedos preocupado, James me olhou antes de Peter perguntar.

- Então vai ficar tudo bem?

- É claro, com as mãozinhas delicadas daquela prima gostosa de Prongs...

- Seu cachorro maldito se não tivesse todo quebrado eu te bateria - James riu, uma risada sincera e aliviada. Até mesmo Remus riu.

- Ah Pads que bom que eu quase ter te matado lhe garantiu uma atenção da Zoya.

- Valeu Moony - ele se aproximou segurando minha mão.

- Me desculpe...

- Para com isso, a culpa não foi sua. Estou bem, mais uma história pra contar quando me perguntarem da minha nova cicatriz irada.

- Você não tem jeito mesmo - James falou bagunçando meus cabelos.

- Não vai conosco amanhã, pelo menos até estar cem por cento - falou Remus, exausto e dolorido como estava, não protestei.

Ainda era estranho olhar para a Potter e pensar que é uma lobisomem. Não consegui parar de lembrar de como suas mãos tocavam minha pele, em como seu cabelo estava bagunçado e como suas bochechas estavam rosadas, nem dormir em paz eu conseguia mais, o que estava acontecendo comigo?!

Durante as férias de Páscoa aproveitamos para adiantar os deveres, e aquela maldita foi conosco. Sentia o olhar dela constante em mim e me controlava para não olhar, não me distrair, mas era praticamente impossível, não quando minha mente implorava para olhar aqueles belos olhos azuis. A provoquei um pouco para que ela parasse de me olhar daquele jeito, tal jeito que não entendia. Ódio? Desejo? Pena? Era indecifrável.

Agradeci aos céus quando as amigas dela voltaram e a ocuparam. Ainda que preferisse que aquele Nicholas ficasse longe dela, e porque? Não sei, só não gostava daquele loirinho. Quando a vi com ele, a mão daquele infeliz na cintura dela, o olhar dela seguindo ele, sabia que ela jamais me olharia daquela forma e como odiei aquele cara, o odiei, o invejei, nem sei.

Enfim as provas chegaram e já estava louco pra me ver livre delas, Remus roía as unhas e se debatia na cama a noite toda, em uma dessas noites James havia entrado tarde no nosso dormitório com um fardo de papéis nas mãos.

- Onde você estava?

- Lá embaixo, fiz umas coisas bem interessantes vocês vão adorar.

E adoramos, bem, eu e Peter. Remus surtou.

Enemies - Sirius BlackHistórias para pegar e não largar. Descubra agora