Sirius Black

84 7 0
                                        

Ouvi a discussão dos dois por mais controlada estivesse a voz dela. Não demorou para James entrar no meu quarto com um pote nas mãos, reconheci um leve cheiro de hortelã, a mesma pasta que ela passou nas minhas costas noite passada.

- Você ouviu não é? - Assenti. - Não liga pra ela, Zoya anda muito emburrada em alguns dias.

- Talvez eu devesse achar algum outro lu...

- Nem pense nisso, vai ficar aqui, ela vai entender. E também precisa ganhar aquela aposta, ou melhor perder de uma vez - verdade, havia esquecido disso. Sorri de canto.

- Vou dar meu melhor para não irritar a fera.

Ele sorriu feliz com minha decisão. Depois de me ajudar a passar aquilo nas costas, ele pegou seu violão e ficou ali me fazendo companhia e encontrando uma melodia nova. Passar 24h do meu dia no mesmo lugar que ela pareceria um pesadelo para meu eu de seis meses atrás, mas agora a ideia até me agradava. Afinal tinha que vencer a aposta.

Eu não era o único que acordava tarde, e diferente da minha casa, os Potter não se importavam com isso e não me obrigavam a sentar à mesa para um almoço e jantar em família, eu o fazia pois tinha vontade, gostava desse carinho dos Potter, exceto de uma. Como seria Zoya carinhosa? Aquele Nick deveria saber, maldito loiro.

- Vamos levar aquela chata - falou James me puxando do sofá. Subimos a escada e ele nem bateu na porta dela, apenas abriu. Ela estava sem camisa só com aquele top preto de treino.

- Caramba James, não sabe bater idiota?

- Eu ia saber que você estava sem roupa - ele se virou cobrindo meus olhos, mal sabia ele que já a havia visto assim, ela deu uma gargalhada. - Vamos te levar no tal bar, se veste.

Não demorou mais do que dez minutos para descer. Usava uma calça preta e uma camiseta do Queen cortada por ela mesma deixando uma faixa de pele aparecer, os cabelos enrolados lindamente e a corrente pendendo no bolso, não qualquer uma, a minha. Ela deu uma voltinha.

- Perfeito para uma bartender - falou James a girando outra vez. Ela cutucou as costelas dele com um sorrisinho orgulhoso, ela sabia o que fazia principalmente quando enrolou a corrente nos dedos, certeza que ela sabia que eu estava olhando.

Saímos às ruas e eu os guiei até a entrada. A fachada era uma loja de ervas e artefatos.

- Aqui - falei, eles pararam logo atrás de mim quando a placa de fechado se apagou e escreveu magicamente "bem-vindos bruxos e bruxas ao hipogrifo".

- Hipogrifo - repetiu Zoya. - Interessante. O chão na frente de nós afundou em um degrau, então outro e outro abrindo um túnel para além do piso. Acenei para que me seguissem.

O piso voltou a subir devagar assim que pisamos no último degrau. O bar era amplo com pé direito alto, mesas redondas espalhadas, um palco elevado com bateria e microfones à frente. Mesas de sinuca ao fundo, uma área privada ficava a esquerda com uma escada de ferro retorcido para acesso. A direita o bar em si ocupava toda a parede deixando um espaço no final para os banheiros. O dono, Jack, estava atrás do balcão organizando as garrafas enquanto os copos se limpavam sozinhos no canto. Ele tinha cabelos e barba mais compridos do que o normal, de uma cor cinza escuro, miçangas velhas no final de algumas trancinhas no cabelo, algumas cicatrizes rosadas no rosto. Era alto e forte para um quarentão, usava uma camisa branca bem vintage com aqueles babados na frente mostrando o peitoral, calças de couro não tão justas, botas e o que parecia um pano vermelho encardido amarrado na cintura.

- Sirius? Não estamos abertos ainda garoto - ele sorriu mostrando a presa de ouro. Então viu os outros dois. Demorou em Zoya de um modo curioso. - O que querem?

Enemies - Sirius BlackHistórias para pegar e não largar. Descubra agora