Zoya Potter

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Quando Sirius sentou ao meu lado na mesa em Hogsmead e arruinou meu encontro, não me importei tanto quanto deveria pois estava horrível, mas a simples presença dele foi o que me irritou. Senti seus olhos em mim desde o momento que entrou lá, ignorei-os e decidi não pensar muito sobre o assunto, depois que me encontrei com Lene no três vassouras ela me distraiu o resto do dia.

As minhas luas cheias eram tranquilas, a única parte terrível era a dor da transformação, mas eu sempre tive consciência do que estava fazendo, onde estava indo. Dessa vez, naquela noite alguma coisa estranha aconteceu, foi como se tivesse apagado, meus sentidos sumiram, quando retomei a mim e percebi onde estava, voltei para a floresta e decidi manter uma boa distância da casa dos gritos e ficar quieta até o dia amanhecer. Não entendi nada. Quando entrei pelo buraco do retrato com o sol nascendo, vi James tentando subir as escadas para o dormitório das garotas, sem sucesso pois a mesma virava escorregador com a presença dele.

- James?

- Zoya, graças a Merlin! - imediatamente fiquei preocupada, - Remus se machucou e se recusa a ir na enfermaria.

- Certo, vou pegar algumas ataduras, me espere aqui - subi as escadas correndo até meu dormitório.

Juntei os panos e curativos que tinha, baguncei um pouco minha cama caso alguém acordasse. Já estava com meu pijama (o coloquei quando acordei na floresta), tirei as folhas do meu cabelo e limpei a terra do meu rosto e braços só para os outros dois amigos de James não suspeitarem de nada. Quando entrei com meu primo fiz questão de ignorar Black, ainda estava irritada com ele. Os três saíram nos deixando a sós. Me aproximei da cama de Remus o ajudando a tirar a camisa, me perdi em seu corpo magro, suas costelas apareciam devido a péssima alimentação que ele tinha, mas ainda era possível ver seus músculos. Sacudi a cabeça e ele desviou o olhar sorrindo de canto.

- Me desculpe - disse enquanto segurava uma toalha nas marcas profundas de garras para estancar o sangue. Elas iam de seu peito até a lateral fazendo um arco, era como se ele estivesse em agonia e tentasse arrancar o lobisomem dentro dele. - Eu não deveria ter ido até a casa dos gritos.

- Não deveria, mas está tudo bem, isso acontece geralmente - indicou os ferimentos - O que aconteceu? Você nunca foi lá, porque agora? - Ele perguntou em um gemido de dor.

- Pra falar a verdade, não sei. Isso nunca me aconteceu, foi como se perdesse os sentidos e voltasse a mim quando ouvi meu próprio uivo. Alguma coisa me atraiu até lá, instinto talvez, você...

- Eu te atraí até mim? - Ele me olhava nos olhos, não encarei de volta, me concentrei no ferimento. Tirei a toalha e peguei o antisséptico para limpar. Era possível ser ele, eu acho.

- Isso vai arder um pouco, bastante na verdade - joguei sobre o sangue seco, ele segurou um grunhido de dor se dobrando.

- Não respondeu a minha a pergunta.

- Eu não sei a resposta, talvez sim - fui recebida pelos seus olhos castanhos, sua expressão estava concentrada, focada em mim. Quando percebi que estava me inclinando respirei fundo voltando a distância entre nós e comecei a limpar as marcas passando suavemente a gaze, ele acompanhava meu movimento, as vezes contraindo o abdômen quando a dor o atingia.

- Vai tentar descobrir o que aconteceu?

- Se isso se repetir, pensei em perguntar a Dumbledore, ou procurar algo na biblioteca.

- Eu ajudo se precisar - sorri em agradecimento começando a fazer os curativos. Quando terminei ele se sentou melhor, com esforço, e antes que eu levantasse ele segurou minha mão. - Zoya...

- Sim - me virei para ele, olhando em seus olhos, ele parecia querer falar algo, mas desistiu.

Em vez disso, segurou minha cintura com a outra mão puxando para perto dele e me fazendo sentar na cama de volta. A mão, quente e gentil que estava na minha, agora deslizava pela minha bochecha empurrando meus cabelos para trás. Os lábios finos de Remus se entreabriram, ele olhou para a minha boca se aproximando, parou deixando apenas dois centímetros de distância. Eu queria isso, sentia falta do toque reconfortante dele, então cumpri o resto da distância e o beijei, minha mão em sua nuca enquanto me segurava para não bater em seus machucados. Nosso beijo foi suave e gentil como ele, não havia paixão ardente que precisava de esforço para nos manter afastados. Seu gosto é doce, chocolate, sorri um pouco ao reconhecer. Quando se afastou mantendo nossas testas unidas ele falou com um lindo sorriso.

Enemies - Sirius BlackHistórias para pegar e não largar. Descubra agora