📜 25 - Vida Nova

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          Um ano havia se passado desde que Madara havia morrido.

          Orochimaru e Kabuto foram para Tokyo. Planejavam reservar um quarto na pousada Jakotsu-yu, onde tiveram a sua primeira vez, para presentear os dois jovens pelo casamento e também  comemorar seu primeiro ano de casados com uma segunda lua de mel. Foram quatro dias de muito amor.

          Decidiram sair cedo na manhã que voltariam pra casa. Estavam chegando próximo da saída de Tokyo, passando por uma região mais pobre, quando, numa rua deserta, ouviram um choro de criança. Escutaram um pouco e ficaram preocupados ao chegar em frente à casa de onde o som vinha, e não ouvir nenhuma voz de adulto lá dentro.

          Notaram que o portão estava aberto. Então, após chamarem várias vezes na porta e não ouvirem resposta, decidiram entrar. Anunciaram sua presença e tiraram os sapatos no genkan, como era costume. A casa era humilde e estava bem bagunçada. Foram andando cautelosamente, se guiando pelo som triste.

          Entrando no quarto, encontraram uma criança, aparentando ter uns três anos. Seus cabelos eram brancos como os de Kabuto e tinha olhos amarelos, iguais aos de Orochimaru, no rostinho inchado, provavelmente por estar chorando já há algum tempo. Estava deitado ao lado de uma mulher aparentemente adormecida. Chegaram  perto e perceberam que ela ardia em febre.

          Kabuto instintivamente pegou o menino no colo, acalentando-o e Orochimaru correu na rua pra chamar um riquixá¹. Decidiu conduzir os dois até a casa de Shizune, uma mulher que tinha aprendido medicina chinesa com o pai e agora, depois que ele falecera, seguia seus passos tratando os doentes. Orochimaru e Kabuto a haviam conhecido na primeira visita à visita à Tokyo.

         Quando chegaram na casa dela, que funcionava como consultório, a médica examinou o menino e em seguida a mãe. Fez com que bebessem um remédio feito de ervas, que macerou na hora e disse aos dois que esperavam ansiosos:

          - Mãe e filho estão com a Peste². Parece que o corpinho do menino está resistindo à doença. Com o tratamento adequado, ele certamente vai ficar bem. Mas a mãe infelizmente, não viverá muito. A doença nela está muito avançada. Eu lamento. Vocês são parentes?

          - Não - respondeu Orochimaru - Estávamos passando, quando ouvimos o choro intermitente e decidimos averiguar. Mas podemos voltar lá e perguntar aos vizinhos próximos.

          - Vocês me fariam isso? Seria um imenso favor! - falou agradecida - Não tenho onde deixar a criança. Como podem ver, meu espaço aqui é pequeno.

          - Se tiverem parentes, nós os  encontraremos - disse Kabuto decidido.

          Então saíram apressados,  voltando para o bairro onde os  encontraram. Perguntaram em todas as casas próximas. A única mulher que saiu no portão para atendê-los foi uma idosa, que disse se chamar Chyo, e contou:

          - Ela tinha só o marido e o filho. Na semana passada, o marido morreu de peste. Só ficaram os dois e ninguém se aproximava por medo de pegar a doença.

          - Muito obrigado - agradeceram curvando-se. E logo voltaram para contar pra Shizune.

          Enquanto seguiam, Kabuto sentia o instinto de proteger aquela criança... Tão bonito e frágil...  Perguntou então para Orochimaru:

          - Se a mãe vai mesmo morrer, Orochi, poderíamos adotá-lo, não é?

          - Eu não sei se é possível. Precisaremos ver com as autoridades. Mas se não tiver problemas, poderemos ficar com ele, sim.

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