Capítulo 5

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Vomitei mais uma vez e eu sentia os meus membros inferiores enormes, não sei se era a ansiedade de sair dali ou uma pequena evolução da minha doença ainda sem nome. Eu estava pálida, as dores só estavam controladas por causa das fortes medicações. Era o sexto dia e segundo o Dr Fernando, em mais ou menos um dia eu seria diagnosticada, ou seja, provavelmente hoje eu teria a resposta que eu tanto procurava.

Infelizmente eu não estava muito bem para ficar em pé, escovei os meus dentes e fui para a cama, só precisava esperar o João e o meu desjejum. Senti um líquido quente escorrendo pela minha perna, levantei o roupão e percebi um fio de sangue escorrendo. Como comecei a sangrar do nada? A minha menstruação estava longe, não era data. Comecei a tossir e sangrei tambem, uma quantidade considerável de sangue pulou da minha garganta, quando dei por mim, estava escorrendo sangue pelo meu nariz também. A campainha tocou, fui até o botão para abrir a porta e voltei ao banheiro, precisava me limpar. Mas do caminho entre o botão e o banheiro, acabei sentindo uma tontura e ele acabou entrando e vendo como eu estava.

- Vitória! O que está acontecendo?

- Eu passei a noite vomitando, acordei um pouco tonta e comecei a sangrar.

- E em nenhum momento você pensou em chamar? Era pra você tocar o botão de emergência no primeiro vômito! Meu Deus!

- Eu não queria dar trabalho.

- Você é inacreditável! Como pode ser tão irresponsável?

- Calma, eu sangro as vezes.

- Não tem como ficar calmo! Você poderia ter morrido!

- Mas não era isso que você queria que eu experimentasse?

- Sem piadas por favor! Logo hoje! Bem que eu vi a baixa de plaquetas!

- Não se culpe! Eu só preciso de um banho! - Senti a minha cabeça rodar cada vez mais.

Ouvi um barulho ecoar, ele havia tocado em botão.

- Não precisava! Eu tô bem.

- Vitória, eu posso pagar por muitos pecados, mas negligência não será um deles. Você precisa aceitar que precisa de cuidados.

- E você querendo me convencer a não entrar no tratamento.

- Mesmo doente o veneno não para de rolar? Ei ei, dorme não, continue falando, mesmo que seja besteira.

- O que? - Sentia cada mais a cabeça ficando pesada, as minhas pernas começaram a formigar e sentia ao longe que eu tinha braços.

- Lembra que você queria muito fazer o tratamento? Vou te contar spoiler, chegamos ao seu diagnóstico!

Senti que a porta foi aberta e algumas pessoas começaram a entrar, abri os olhos e uma coisa que pude reparar foi o rosto do João. Ele havia me apoiado nos seus braços. O perfume dele era ótimo, sorri inalando aquele aroma.

- Você é tão lindo e cheiroso... - senti ele pegar a minha mão.

- O que linda?

Balbuciei alguma coisa mas não sei se cheguei a completar uma frase.

- Vamos aplicar algo para estancar o sangramento. - Uma voz feminina falou ao longe.

A dor na coluna me sufocou e eu gritei.

- Analgésico por favor! - Alguém gritou, parecia a voz do João, mas ele tava tão perto, a voz parecia tão longe....

- Ela precisa aumentar a volemia, daqui a pouco ela vai entrar em choque!

Abri os olhos em direção a porta, que estava aberta e olhei alguém me observando, parecia alguém que eu conhecia. Estiquei o pescoço para olhar e vi alguém que eu conhecia a muito tempo.

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