Capítulo 7

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Todo o procedimento tinha passado e eu estava tecnicamente curada, ou segundo o João, havia trocado o problema de ter uma doença por não poder morrer, mal havia iniciado o meu começo de vida curada e já trazia comigo milhões de conflitos. Não que eu estivesse arrependida, até pq não dava pra me arrepender agora, mas eu estava apreensiva sobre no que eu realmente estava me metendo.

Chefe... Ele disse chefe... Por que ele se apresenta como o chefe, idealizador, dono de tudo e chama outro de chefe num tom extremamente subalterno? Se fosse um patrocinador por que chamar de chefe? E qual o interesse em saber se eu estou viva? Nada fazia sentido... Será que tudo aquilo era uma grande mentira?

- Vamos retirar o seu acesso, como se sente?

- Estou ótima, um pouco cansada, é normal estar assim?

- Sim, o seu corpo levou um susto enorme - o Dr Fernando sorriu - mas o seu cansaço é puramente mental. Ao chegar em casa tente descansar da melhor forma possível.

- Já descansei de mais doutor.

- Você continua a mesma ainda. Bom, pronta para ir pra casa?

Eu nunca estive tão pronta, só precisava ir pra um local seguro e refletir. Chefe... Quem era o tal de chefe?

- Vitória?

- Oi - Acabei me distraindo novamente.

- Perguntei se você gostaria de ir por conta própria ou se gostaria de ir acompanhada com alguém.

- Ahhhh eu posso ir sozinha, estou liberada para pedir um carro de aplicativo?

- Eu vou com ela, creio que um amigo semelhante faria bem. - Veio a voz do João de fundo, me fazendo agradecer por dentro.

- Tudo bem pra você?

- Está perfeito, afinal passei os meus dias aqui conversando com ele todos os dias. - Sorri. - Acho que eu preciso arrumar as minhas coisas.

Seguimos até o elevador, observei os detalhes dos botões. Eu conseguia ouvir de forma clara o barulho dos aços do elevador. Descemos no primeiro andar e levei um susto ao observar a nova percepção do local, parecia mais claro, mais vivo.

- Qual a sensação de entrar nesse andar com as suas próprias pernas? - Perguntou o Dr Fernando.

- Ótima... Apenas sinto que estou andando rápido de mais. Os meus músculos estão diferentes.

- Toda fase precisa de uma adaptação minha cara. - Disse o João olhando pra frente.

Chegamos na porta do meu confinamento. O Dr Fernando abriu a porta e avaliei aquele lugar que me abrigo por alguns dias, bastante intensos, onde refletir mais do que na minha vida inteira lá fora.

- Bom, João, você a levará pra casa, então eu os deixarei sozinhos. - O João balançou a cabeça positivamente. - Quanto a ti, te encontro em breve na avaliação e lembre que esse lugar está de braços abertos para você. Queremos muito o seu talento de pesquisadora!

- Tenho muita coisa para assimilar ainda, mas creio que talvez eu não tenha pra onde ir agora... Sinto que me afeicoei ao lugar, parece que passei anos aqui.

- Familiaridade - Ele sorriu de forma simpática. - apenas lembre que eu e o João estaremos aqui a sua espera.

- Obrigada Dr Fernando.

Viramos e entramos no quarto, me joguei na cama e respirei fundo, enquanto o João sentava na cadeira de escritório que tinha próximo a uma mesinha. Me acomodei na cama e comecei a olhar o quanto ele estava bonito, se antes eu o achava lindo e perfeito, agora, com olhos saudáveis, podia perceber os detalhes, o cabelo curto em um degradê bem calculado, cílios longos que combinavam com os seus olhos amendoados, os olhos castanho escuros pareciam duas jóias escuras. A sua pele negra tinha um brilho perfeito, parecia feita do mais nobre tecido, não tinha uma imperfeição.

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