Capítulo 30 - Bagagem

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Respiro fundo. Respiro mais uma vez e mais uma vez. Fecho bem os olhos e tento isolar os sons à minha volta. Eu estou bem. Está tudo bem. Vai acabar rápido. Daqui a pouco estarei de volta no meu quarto, deitada na cama após um longo banho reparador. Amanhã acordarei descansada e pronta para esclarecer as coisas com a minha melhor amiga.

Está tudo bem.

Está tudo bem.

Está tudo bem.

Está tudo...não está nada bem.

Tento não vomitar quando Adam faz o som mais grotesco possível enquanto coloca as vísceras para fora. Toda essa situação é tão incrivelmente nojenta que eu já deveria ter ido embora a muito tempo. Mas ainda sim, estou aqui. Agachada ao lado de Adam que vomita no vaso sanitário enquanto ajeito o seu cabelo para que não caia em seu rosto.

Vai acabar logo, vai acabar logo...

"Pronto?" Pergunto, com o rosto retorcido de nojo. Ele volta a vomitar e quase faço o mesmo. "Não? Ok."

Adam se afasta das minhas mãos, ele parece estar levemente confuso. Fecho a tampa do vaso e dou descarga, agradecendo pela cena ter acabado. Porém, o cheiro de vômito está espalhado no banheiro, e impregnado nele.

"Você precisa de um banho."

"Se você me der esse banho, eu aceito." Ele se deita no chão como se fosse a sua cama do seu quarto em Hill Davis.

"Não faz isso." Puxou-o pelos braços, o obrigando a ficar sentado contra a sua vontade.

"Me deixa dormir..." A voz manhosa se parece com a de uma criança birrenta, mas não posso deixá-lo fazer isso.

Já cuidei de uma Dylan bêbada (que não é uma experiência da qual quero passar de novo), um Daniel de ressaca e uma mãe louca após uma garrafa de vinho, eu sei lidar com bêbados. Eles fazem parte da minha vida e acho que Adam também faz parte dela. O que de certa forma, é desesperador.

Lip está me fazendo pensar de uma forma que nunca havia pensado antes ou pensado de uma forma da qual queria evitar pensar. Adam me deixa confusa, Adam me deixa louca, Adam faz com que eu me sinta em uma montanha-russa de emoções desenfreadas. Isso é estar apaixonada ou preciso ser internada? Estar apaixonada é assim? É tão torturante e confuso? Talvez não. Eu acho que não. Era assim que eu deveria me sentir por alguém que odeio tanto, mais tanto, que o afogaria na pia aqui e agora!?

"Você vai me dar banho?" Ele pergunta de forma sincera que quase me faz abrir um sorriso.

"Você tem duas mãos e duas pernas, pode fazer isso sozinho." Retruco.

"Mas eu não quero."

"Quantas vezes preciso dizer que não me importo com o que você quer, hum?" Ergo uma das sobrancelhas e ele faz biquinho. Parecendo indignado pela fala, mas não conseguindo formular uma resposta a altura.

O puxo pelas mãos, então ele se levanta, desajeitado e caindo na minha direção. O seguro no lugar, qualquer passo em falso e ele cairá e baterá com a cabeça na banheira. O que seria algo difícil de explicar para a polícia, ou talvez fácil demais.

Adam jogo os sapatos para fora do banheiro, e logo depois rir disso como se fosse uma piada incrível. Não digo nada, apenas regulo a água do chuveiro para uma temperatura mais agradável. Estou me sentindo uma mãe, estou me odiando por isso. Adam faria ao menos metade do que estou fazendo nessa madrugada ou me largaria na primeira esquina para poder ficar com outra garota?

Com certeza me largaria!

"Pode me ajudar?"

Me viro na direção do pedido, erguendo as sobrancelhas para expressar toda a minha incredualidade em vê-lo pisando nas calças e com a blusa presa no pescoço e em um dos braços.

Polos Opostos Histórias para pegar e não largar. Descubra agora