Galway Girl

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Derek



Sabe, nunca fui o tipo de cara que pensou em se casar e construir uma família. Dizem que o amor nos deixa mais fortes já que temos um real motivo para tudo e que é algo quase que inexplicável quando o encontramos. Mas eu não vejo assim. Acredito que o amor apenas nos deixa mais fracos e vulneráveis, nos desviando do nosso foco, que no meu caso é a minha carreira. Fui criado pelo meu pai que era policial e que sempre foi muito duro mas amolecia quando via minha mãe e eu. Ela sofreu demais quando ele morreu em uma operação. Vi ela quase definhar em casa quando eu era adolescente isso foi uma das piores coisas pra mim, assim como a morte do meu pai, enganaram ele dizendo que estavam com nós e mesmo indo com mais gente, conseguiram pegá-lo. Minha mãe nunca se recuperou, o amava demais e depois disso não conseguiu nem ver eu me formar na faculdade, acabou se suicidando com remédios antes. Ela e meu pai eram como carne e unha, não conseguiu aguentar a vida sem ele, infelizmente. Aquilo tudo que passei só me deixou uma lição: o amor nos enfraquece. Enfraqueceu meu pai e enfraqueceu minha mãe. Sou grato aos dois por tudo que fizeram mas eu realmente não quero essa vida pra mim.

Por exemplo, agora estou no bar pós plantão com Mark e Nick, bebendo e me divertindo, se eu tivesse uma família ou esposa isso não seria possível sem uma dor de cabeça antes. Estou podendo escolher várias mulheres das que tem aqui e eu amo isso, amo poder ser sozinho e fazer o que eu quero e na hora que eu quero.

Nick tinha entrado a alguns meses no Seattle Grace e até que estávamos nos dando bem, saíamos de vez em quando como estamos fazendo agora para colocar papo fora e dar boas risadas. Assim como eu e Mark, ele também não tinha ninguém.

-Sabe rapazes? Eu estou afim de sossegar.- ouvi Mark dizer e nós dois o olhamos com a sobrancelha levantada.

-Você? Duvido muito.- Nick riu e eu o acompanhei.

-Ei, é sério! Sabe...amo minha vida de solteiro mas aconteceu algo esses dias que eu não soube explicar.- deixou o copo de vidro na mesa do bar.- Sabem a minha prima Arizona, não sabem?

-Sim. Inclusive, muito linda.- elogiei. Era uma das poucas mulheres que eu achava realmente linda e simpática, a levaria fácil para cama se ela não gostasse do mesmo fruto que eu.

-Ela se casou com a Callie e foi um casamento lindo e por um momento, eu pensei como seria de fosse eu. Eu desejei isso. Me imaginei lá e decidi que quero me casar.- sorriu. Ele não estava brincando, conhecia ele suficiente para isso. Revirei os olhos tomando um gole da bebida. Mark estava do lado do Nick na mesa e eu do outro lado.

-Se é isso que você quer, fico feliz por você, cara. E te desejo sorte. Também estou a procura da minha alma gêmea.- Nick disse suave e eu novamente revirei os olhos.

-Tá convulsionado, Shepherd?- Mark mexeu comigo.

-Só acho ridículo isso que vocês estão fazendo. No auge dos quarenta anos vocês querem isso? Ah, por favor.

-E você não?- o outro rapaz me perguntou.

-Não. Não quero ninguém no meu pé e ter que ficar me preocupando a hora que vou chegar em casa. Estou sozinho e estou bem assim.

-Ok, eu e Mark vamos ficar a procura juntos então.- ouvi os dois rirem e acabei os acompanhando. Isso seria divertido.- Acha que devemos caçar o amor da nossas vidas no hospital?

-Há médicas e enfermeiras lindas. É um bom lugar para começarmos.- Mark falou empolgado.

-Nick, o gostosão aí já passou o rodo. Consideraria outro hospital.

-Mas não peguei todo mundo.

-E quem você não pegou, Mark?- dei outro gole na minha bebida.

-Bom, ainda não toquei em nenhuma das suas internas.- quase engasguei com o líquido.

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