Capítulo 12

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Madeline Miller.

Um ano atrás...

-Théo, para onde você está indo? - Pergunto, animadamente.

-Irei para o trabalho querida, chegarei em casa novamente em algumas horas - Ele diz, se aproxima e deixa um beijo em minha bochecha.

-Você nunca foi trabalhar em dias de sábado - Falo, uma fala meia inocente.

-Ocorreu um problema na empresa e me pediram para resolver, sabe como é os pedidos de patrões não é? Quase uma ordem - Ele pende a cabeça para o lado por alguns segundos, depois levanta novamente e pega o casaco, estava frio lá fora.

O inverno era grande e o frio também, não conseguia sair de casa com menos de um casaco e em casa ficava agasalhada, deveria comprar aquecedor, mas o dinheiro não era tanto para que isso fosse possível.

-Ah, tudo bem. Boa sorte lá no trabalho, volte logo para casa - Digo, esperançosa que ele voltaria o mais cedo que pudesse - Leve um casaco, está frio lá fora.

-Claro, voltarei o mais cedo que puder.

Então vejo o moreno sair em passadas largas de casa, acho que estava apressado, alguma coisa séria devia ter acontecido. Sem saber o que fazer, decido ligar para Pedro, se ele estivesse livre, podia ir até sua casa ou algum lugar que ele queira. Ele era meu amigo há mais de cinco anos, só tinha acompanhado seu treino há muito tempo atrás, quando era do Fluminense e digamos que Pedro é muito mais Flamengo, eu consigo ver a alegria do loiro ao jogar neste time que ele sonha desde de criança.

Em meio a uma trocas de mensagens, ele me diz para sairmos e andarmos até uma praça, marcamos de nós encontrar lá mesmo. Troco de roupa, pegando uma roupa mais fria e depois um casaco para me proteger mais dos ventos frios do inverno. Saio de casa, caminhando pelas ruas até que bem movimentadas, a praça era perto da casa que eu e Théo partilhamos, mesmo ele pagando grande parte do tempo, já que eu comecei meu curso para jornalista esportiva há alguns dias e meu trabalho como babá não está pagando tanto.

Minha patroa me paga um dinheiro que quase não dá para comprar as insulinas, pagar o curso, comida para casa, coisa que Théo não faz e ainda tento ajudá-lo a pagar o aluguei de nossa casa média, que foi o que era possível de alugar no momento. Mas ultimamente a casa vem sendo preenchida apenas com a minha voz e dos meus amigos, que convido raramente para minha casa, afinal Théo odeia que eu leve meus amigos para casa, ele é muito desconfiado mesmo que eu nunca tenha lhe traído e nem mesmo dado indícios disso, muito menos mentir para ele, sempre fui muito verdadeira.

Observo a praça em busca da silhueta conhecida de Pedro, quando a encontro, caminho em direção ao homem que dá um sorriso assim que me vê. Descruzo os braços que tentavam me proteger do frio para abraçar o loiro.

-Desculpe se te fiz esperar muito.

-Eu já estava perto da praça e faz poucos minutos que eu cheguei, não precisa se desculpar - Ele abana as mãos em negação quando nos separamos do abraço.

Algumas pessoas passam do nosso lado, estávamos parados no meio da estradinha de pedra que abria caminho pela grama e árvores ao redor. Nos sentamos em um dos bancos de madeira vazios que o parque tinha espalhado pelos caminhos que levavam para outros lados do lugar.

-Tudo anda normal? - Ele vir o corpo para ficar olhando para mim, faço o mesmo.

-Acho que sim.

-Problemas com ele de novo? - Pedro me conhecia bem e sabia quando eu estava com problemas com Théo ou quando alguma coisa me incomodava.

-Eu não diria problemas, talvez desconfianças - Suspiro - Da parte dele - Me apresso para esclarecer a situação.

𝐎 𝐀𝐜𝐨𝐫𝐝𝐨 -𝐃𝐞 𝐀𝐫𝐫𝐚𝐬𝐜𝐚𝐞𝐭𝐚Onde histórias criam vida. Descubra agora