Capítulo 1

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Madeline Miller.

-Por que eu tenho que ir? -Questiono, olhando para o platinado parado na porta do hotel onde estou vivendo.

-Pare de reclamar e venha comigo, prometo que será legal - Ele diz, guardando o seu celular no bolso - Sei que é corintiana e que preferia estar indo para o Neo Química, mas hoje iremos para o Maracanã.

Eu reviro os olhos, ele dá um riso cúmplice, por mais que eu não saiba o que ele queira fazer. Pego uma bolsa, jogo meu celular lá dentro e coloco uma das únicas injeções de insulina que eu tinha, não tinha chegado o horário que eu deveria tomar, então tinha que esperar. Tomo uma a cada 24 horas e isso a meses, olho para as contas que já estavam atrasadas e esperando para serem pagar, me viro rapidamente e saio do quarto de hotel que mal estava conseguindo pagar.

Sou acompanhada do platinado que já era meu amigo há alguns anos, ele até tentava me ajudar as vezes, mas ficava complicado quando eu não contava as coisas sobre minha situação financeira e dizia que meu trabalho estava me dando dinheiro suficiente, eu sinceramente não queria me jogar nas costas do homem que não tinha nenhum tipo de obrigação comigo, na verdade, ninguém tinha.

Meu sonho de ser jornalista esportiva tinha ficado para trás junto com alguma boa vida que eu poderia ter, essa doença apenas tinha piorado mais a minha situação, principalmente financeira por causa das injeções caras que eu estava tomando. Acho que tinha mais duas, o que era preocupante, eu teria que comprar mais e o dinheiro não estava no meu bolso.

Não poderia sequer pedir ajuda a minha mãe, pois sei que a situação dela também não é boa e saber que eu não posso ajudá-la nela me foi bastante. Mas como poderia ajudar uma pessoa quando eu nem sequer consigo organizar a minha vida o suficiente para isso. Tento esquecer esses pensamentos por alguns minutos que estou no Maracanã, talvez aproveitar um pouco e assistir ao treino do meu amigo.

Meu amigo, cavalheiro como sempre abre a porta do carro para que eu saia, de certa forma, era uma brincadeira também, como se eu fosse uma pessoa importante preste a conhecer um lugar também importante.

-Seja bem-vinda a minha casa Madeline, não só minha, mas como de todos os flamenguistas - Ele continua deixando minha mão apoiada na sua enquanto andamos para entrar dentro do estádio - Sei que aqui não é o estádio do seu time, mas por favor, assista aos treinos sem ódio no coração.

-Tentarei fazer isso - Dou uma mini risada e ele também.

Acabamos para algumas pessoas que eram assistentes técnicos, médicos do CT e outras pessoas importantes não só para o treino, mas também na hora do jogo.

-Quer conhecer os jogadores? - Ele me pergunta, parando na frente do vestiário, escutamos algumas vozes atrás da porta.

-Sendo bem sincera, não quero. Fico feliz em ficar na arquibancada apenas assistindo de longe o treino - Eu digo, com um sorriso sem mostrar os dentes no final da frase.

-Provavelmente no final do treino terá que falar com um dos jogadores de qualquer forma - Antes que eu pergunte o porquê ele diz:- O Marinho pediu carona até sua casa, passaremos lá e depois te deixo em casa de novo.

-Certo - Falo, não estava vendo problemas em deixar uns dos maridos de Pedro em casa.

Ele me guia até às arquibancadas, me deixando bem perto de onde seria os treinos, sei que os lugares ficariam vazios, principalmente por ser um treino reservado. Levo a mão ao queixo, esperando pacientemente para quando os jogadores iriam entrar em campo. E é o que acontece minutos depois, ele aparece no grande espaço de grama com suas roupas de treino padrão, o técnico pede para que eles treinem a corrida, que era muito importante para eles na hora do jogo.

𝐎 𝐀𝐜𝐨𝐫𝐝𝐨 -𝐃𝐞 𝐀𝐫𝐫𝐚𝐬𝐜𝐚𝐞𝐭𝐚Onde histórias criam vida. Descubra agora