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- Como é possível que em um hotel desse tamanho não haja dois quartos disponíveis? Ou duas camas ao invés de uma? Talvez um sofá ou poltrona?

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- Como é possível que em um hotel desse tamanho não haja dois quartos disponíveis? Ou duas camas ao invés de uma? Talvez um sofá ou poltrona?

- Lamento senhora mas só disponibilizamos dessa acomodação nessa noite, sinto muito.

Tentei manter minha melhor fachada enquanto ouvia Dilan implorar ao atendente que desempenhou bravamente seu papel, conforme já havia lhe pedido e pago.
Claro que ela contestaria, e eu a conhecendo bem, antecipei-me e organizei para que tudo saísse conforme meus planos.
Durante o trajeto da faculdade até o hotel, minha esposa se manteve calada. Abri a boca várias vezes para perguntar do que se tratava mas por fim optei pelo silêncio, afinal estava tão nervoso quanto ela, por mais que tenha uma experiência maior em disfarçar.

No elevador, Dilan abraçou o próprio corpo que tremia, tive dúvidas se era por frio ou nervosismo e, concluí que em ambos os casos eu poderia lhe ajudar, então lentamente, sem querer assusta-la ainda mais, me aproximei e a envolvi em meus braços.
A princípio, sua reação foi ficar tão rígida e prender a respiração de modo de considerei afastar-me e já quase o estava fazendo, quando suas mãos repousaram em meu peito.
Para minha sorte, nossa suite era na cobertura, então pude aproveitar mais do seu calor e respirar o perfume de seus cabelos. Com o soar do pib e as portas se abrindo, Dilan separou-me de mim e seguiu em frente, abrindo a fechadura e adentrando ao quarto.
Sem olhar em minha direção, ela caminhou por minutos, dedicando atenção aos mínimos detalhes da decoração, ao tempo que minha ansiedade só aumentava.

- Gostaria de tomar um banho? Trouxe roupas para você.

Minha tentativa desesperada de quebrar o silêncio foi bem aceita por ela que pegou a pequena bolsa, ainda sem me encarar e dirigiu-se ao banheiro, trancando a porta em seguida.
O tormento multiplicou-se pois em minha imaginação, via Dilan indo embora, fugindo de uma aproximação... Ou se negando a receber meus carinhos, rindo de mim... E a mais enlouquecedora de todas, onde nós dois fazíamos amor a noite toda...
Após uma eternidade, um casaco e gravata jogados longe, pés descalços, cabelos desgrenhados e um tapete gasto de tanto andar, ouço a voz da minha esposa vinda do banheiro.

- Quem escolheu essa roupa para mim?

- Irmã Kader.

- Há somente essa sacola?

- Sim

Sua voz soava trêmula e eu sabia o motivo, enquanto a minha foi firme, apesar da mentira contida nas palavras. Fui eu, e somente eu, quem arrumou nossas roupas e,  separando a camisola mais bonita que encontrei no armário, ainda com a etiqueta, mostrando nunca ter sido usada. A peça acompanhava uma minúscula calcinha de fina renda, tudo na cor vermelha. Agora, pensando melhor, temo ter sido ousado demais e passado dos limites.

Porém a porta se abre chamando minha atenção.
Em meio a névoa criada pelo vapor do chuveiro, Dilan surge com passos tímidos, vestindo a peça que escolhi. A imagem que havia criado mais cedo, de como ela ficaria coberta somente pelo tecido transparente, nem de longe se compara à realidade.

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