Palermo, Itália
| Por Miranda Diaz
Assim que fui deixada dentro do quarto onde eu supostamente iria ficar, analisei todos os cantos atentamente. Não era algo extravagante mas era delicado, simples e com cores neutras. O quarto é bastante espaçoso mas eu nunca me senti tão sufocada em toda a minha vida. Minha cabeça ainda está atordoada e pelo o que estou vendo no reflexo do espelho, estou um caco.
Não só por fora, como também por dentro. Não sei o que fazer, como pedir ajuda e sinto como se eu fosse ser morta a qualquer momento. Por que essas coisas só acontecem comigo? Minha vida é rodeada de tragédias e isso parece ser um ciclo infinito, sendo alimentado por dias falsamentes bons mas que no final, tudo volta a ser como era antes.
Escutei baterem na porta mas não me dei o trabalho de parar de me encarar naquele espelho enorme a minha frente. Mais batidas e eu me mantive imóvel, não disse uma palavra sequer. Porém, a porta foi aberta e uma voz soou no quarto, diferente das que venho escutando ultimamente, essa é feminina.
— Achei que estava morta.— ela caminha em minha direção e eu posso olhá-la através do reflexo do espelho. Também pensei mas pelo visto estou viva por um milagre.
Alta, corpo magro e escultural, cabelo preto, liso e com um corte short bob. Ela aparenta ter uns vinte e poucos anos, sua roupa é resumida a uma calça de couro preta e uma blusinha folgada branca. Eu me viro em direção a ela e a mulher levanta o óculos escuro para acima da sua cabeça.
— É você que é a Miranda?— ela me olha de cima a baixo.
— Sim.— respondo e é nesse momento que penso em pedir ajuda a ela, talvez ela me entenda e consiga algo para que eu possa ir embora desse lugar.— Por favor, eu...eu fui sequestrada e preciso de ajuda.
— Me chamo Anna.— ela não da a mínima ao que eu acabei de falar.— Anna Moretti e não, eu não posso te ajudar, florzinha.
— Como não? Isso que estão cometendo é um crime.— a raiva dentro de mim se alastra como fogo na gasolina.— Eu tenho uma vida, pessoas estão aguardando por mim, meu trabalho, meus amigos. Eu não pertenço a esse lugar.
— Olha, primeiramente, é melhor você se acalmar.— ela apoia as mãos na cintura fina e volta a me olhar de cima a baixo.— Em segundo lugar, você precisa de um banho e por último, não há nada que eu possa fazer por você.
— Você pode ligar para alguém, denunciar, me ajudar a fugir daqui.— ignoro as primeiras falas dela, difamando a minha aparência e eu até que concordo, estou destruída. E eu nem me importo.— Eu imploro, eu não quero ficar aqui.
— Caso não tenha entendido, eu pertenço a essa família aqui, ou seja, eu não posso denunciar eles. Fora que nem iria adiantar, você mesmo viu o Mancini escapando da polícia do seu país.— a sua fala me faz ficar pensativa, na verdade não faço a mínima ideia de como ele escapou.— Eu sou prima do Dom e ir contra as ordens dele está no último lugar da minha lista.
— Já que não pode me ajudar, me deixe sozinha.— lhe dou as costas, enquanto levo minhas mãos aos fios soltos do meu cabelo, pondo eles para trás.
— Eu até queria, mas estou aqui porque o idiota do Mancini me fez prometer que eu ajudaria você a se sentir mais confortável.— isso só pode ser brincadeira.
— Me sentir confortável? Como vou me sentir confortável em um lugar que não quero estar? Eu fui sequestrada, não há conforto nisso.
— Eu realmente não dou a mínima, só quero fazer a minha parte e se quer um conselho, pare de relutar e comece a aceitar.— ouço os passos do salto dela e a mesma passa por mim, indo em direção a uma espécie de closet.— Pelo o que pude notar, o Dom quer te manter viva então agradeça.
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Lies Of Love
Storie d'Amore"As mentiras mais cruéis são frequentemente ditas em silêncio." - Quantas vezes ousou mentir? Com as desculpas de que era para o meu bem, achando que estaria me protegendo mas no final, eu deveria ter me protegido de você. Você foi a maior mentira q...
