Rosas de sangue

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Pelas calçadas a cantarolar, manhã de caminhada;
Os pássaros a complementar, sorridente estava!
O vento estava a bailar, algo deixou-me contaminada
Vi meu dia embelezar, uma pintura me encantava!

Observei não só um dia, mas toda a estação, nossa!
Não era pintura, apenas a beldade vista em quadros,
Colhia lírios, begônias e margaridas. Realeza, vossa!
Ê rosa do deserto, até está escrita nos astros

Ilusão, isto não poderia ser tão perfeita quanto ti!
Tinha apenas olhos para outro, flores de presente
As pernas tremeram, meu coração a seco engoli!
Tossi pétulas, não borboletas, não é coerente.

Observei a mesma cena a cada manhã e a mesma dor,
Toda docura que entregava-o, tenho inveja dele?
De meus braços espinhos saltavam, um esplendor!
Os machucados daquelas flores, maldito seja aquele!

Cansada da penúmbra, escondi-me em meio delas
Segurei algumas e ali, lindo buquê fabriquei!
Porém a sensação era tamanha, flores maquiavélicas
Deitei no solo, senti-me caído no meio às favelas

Meu corpo machucado pelos espinhos das roseiras,
Pele sangrenta e para o solo escorria; alimentava-se!
Do coração saiu, cresceu até engolir. São só besteiras
Os caules já não machucavam mais, levantava-se!

Ao fechar os olhos a vi, bela dama! E que bela és!
Colhia begônias, margaridas e lírios. Ah! Uma rosa!
Nem me percebera, mas terminou seu buquê.
E a rosa vermelha, que cresceu do meu peito, colheu.






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