035

904 111 694
                                        

035: 𝓞 que vem
depois de uma tarde
de cinema?

       "Toc-toc-toc" — OUÇO O SOM DE passos fortes preencherem os meus ouvidos

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

       "Toc-toc-toc" — OUÇO O SOM DE passos fortes preencherem os meus ouvidos. Quanto aos meus olhos, por outro lado, não conseguem encontrar nenhuma imagem. Tudo parece confuso. Ou melhor, não se parece com absolutamente nada. É completamente escuro. Tento enxergar alguma coisa em volta, mas é impossível.

Escuto um sussurro, mas não consigo identificar de quem é a voz, sequer o que diz. Tento aproximar-me dela, procuro ver se os meus toques alcançam algo, mas se movem sozinhos na névoa gelada. O que sinto é um arrepio.

Dou um passo para frente, giro no meu próprio eixo. A voz chama o meu nome, está longe. O grave faz o solo tremer, o tom é masculino, tenho certeza. Avanço um pouco mais, mas parece que não chego a lugar algum. Procuro algo que nem sei o que é, mas é confuso porque sinto que necessito encontrar. Aperto os dedos das mãos, corro em linha reta, mas quando o fôlego me para e apoio-me nos joelhos para descansar, sinto algo me empurrar com força. Então eu caio do que parece ser o terraço de um prédio alto.

       Eu acordo.

       Meu corpo dá um salto da cama, me sinto completamente atordoada. O coração está acelerado, adrenalina corre nas minhas veias. Minha visão está um pouco embaçada. Foi um daqueles pesadelos de queda, os piores que tem.

Pego o meu celular, o relógio marca que já passou do meio-dia. Ainda assim, a outra está dormindo na sua cama; a diaba.

Levanto, tentando encarar este novo dia. Prendo meu cabelo em um coque desajeitado, apenas para não deixar os fios longos me atrapalharem enquanto arrumo a minha cama.

Minha mente está bem pior, mas isto não é algo que se possa arrumar tão rápido quanto o edredom. Me pergunto como o ser de ódio e maldade está se sentindo agora, depois do que aconteceu. Sua reação na noite anterior não foi nada boa. Eu também estava — ainda estou — confusa e angustiada, mas a mais nova estava completamente abalada. Odeio confessar isso, mas, apesar de tudo, eu me preocupo.

       Vou até a sua cama, onde vejo o seu corpo completamente coberto pelo edredom, assim como na noite passada. Está tarde. Penso em acordar ela, chamar para comer, mas desisto. Talvez ela precise de um tempo sozinha, de um pouco de descanso depois de tanta emoção. Além disso, seu humor matinal é uma bosta.

Pego uma muda de roupas limpas e vou ao banheiro.

O caminho até a sala de estar é silencioso; a casa inteira está no mais perfeito silêncio. Quando chego, encontro a mesa com o café da manhã posto, coberta por um mosqueteiro, tudo ainda intocado, o que significa que a minha mãe está no trabalho e eu fui a segunda a levantar.

O arroz já está frio, o caldo de frango também. Esquento apenas a minha porção do caldo, então posso adicionar os grãos para ficarem aquecidos ali mesmo. Tomo tudo em silêncio, não ligo nem a televisão.

𝐀𝐅𝐓𝐄𝐑 '𝐋𝐈𝐊𝐄'; 𝗹𝗲𝗲 𝗸𝗻𝗼𝘄Onde histórias criam vida. Descubra agora