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038: 𝓞 que vem
depois de desabafar?

       POUCAS COISAS COMOVEM MAIS que o choro

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       POUCAS COISAS COMOVEM MAIS que o choro. Deve ter alguma ligação direta entre a imagem e o campo emocional, é até um pouco estranho. Quando você sente a sua própria dor, isso te move a chorar, é natural. Quando outras pessoas choram, real ou não, aquilo também mexe conosco.

       Às vezes nosso cérebro se confunde. Perco a conta de vezes em que chorei assistindo uma série, filme, peça de teatro... mesmo com tudo aquilo não sendo real. Porque ainda assim existe esse sentimento de empatia em nós que nos comove. Até mesmo nos choros dos vilões.

Talvez essa tenha sido a forma mais perto de que eu tenha conseguido interpretar Hongjoo. A mais nova tem esse seu lado "vilanesco", se posso chamar assim. A acho egoísta, cruel, maldosa, uma bruxa. Contudo, no seu momento de fragilidade e angústia, eu continuei ao seu lado.

Eu tremi, mas a segurei nos meus braços como se aquela cena não me abalasse. Como se não me assustasse ver todo o estrago emocional que aquilo estava causado para a pequena diabinha. Tentei ser forte, por mais que toda aquela cena tivesse ficado marcada na minha mente. Fingi que também não me atingia, por mais que estar ali me levasse de volta ao dia em que encontrei Wonyoung do mesmo jeito no banheiro do colégio.

Jang parece melhor agora, seu rosto tem mais vida, seu corpo parece mais saudável, sua mente completa. Isso me faz acreditar que vai ficar tudo bem em casa também.

Tento ser positiva, mas é difícil colocar um sorriso no rosto. Volto àquela imagem, ao som do choro, mamãe tentando entrar no banheiro e Hongjoo gritando. De repente sinto um aperto no peito, a falta de ar nos pulmões e a visão meio turva. Abaixo a cabeça na mesa, fico deitada por alguns segundos, mas o som do giz continua me incomodando ainda mais hoje. As aulas passam, mas a angústia continua.

Meus amigos percebem, é evidente. Depois de tantos anos, é impossível não notarem o meu comportamento hoje. Até tentei disfarçar, mas é trabalho em vão. Eu sou muito transparente.

— Joojoo, conta pra gente. O que está acontecendo? — a morena me questiona, colocando a mão sobre o meu joelho. Jang Wonyoung suspira, paciente.

Aqui, na quadra interna, nossa rotina se desafaz. É horário de almoço, mas não fomos diretamente para o restaurante do colégio, como fazemos todos os dias. Eu não quis almoçar, perdi completamente o apetite. Eles não me deixaram para trás. Mesmo que não tenha dito uma palavra, me acompanharam até a quadra.

O espaço fica vazio neste horário, geralmente. Estamos sozinhos aqui agora, sentados nos colchonetes no cantinho da sala. É uma sala multiuso, então está repleta de itens de ginástica e materiais de educação física. Alguns alunos a usam para jogar basquete também, mas as quadras externas são melhores para isso.

𝐀𝐅𝐓𝐄𝐑 '𝐋𝐈𝐊𝐄'; 𝗹𝗲𝗲 𝗸𝗻𝗼𝘄Onde histórias criam vida. Descubra agora