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042: 𝓞 que vem
depois do beijo?

       QUANDO CRIANÇA, AOS DEZ ANOS ganhei a minha primeira câmera digital

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       QUANDO CRIANÇA, AOS DEZ ANOS ganhei a minha primeira câmera digital. Ela era do meu pai, na verdade. Antiga, um dos primeiros modelos comerciais, lá da década de noventa — uma relíquia. Passei horas, dias coletando lembranças, usando todo o espaço na memória. Das coisas mais simples à aquelas que desejava nunca esquecer, registrei. É uma pena, então, que não tenha uma em mãos agora, para poder capturar cada pequeno detalhe do que acaba de acontecer.

As coisas estão um pouco diferente de quando começou, no início do ano jamais pensaria que estariamos aqui agora. Lee Minho. Se me perguntassem alguns meses atrás o que acho dele, a resposta seria completamente diferente. Em janeiro, diria que Lee Know é soberbo, arrogante e narcisista. Em setembro, digo que Min é bondoso, altruísta, excepcional.

Gosto dele. É estranho dizer isso, mas é a verdade. Gosto de Lee Minho.

Gosto de como ele olha para mim. Toda vez que conversamos, Lee nunca interrompe, mas parece sempre curioso sobre o que eu tenho a dizer. É como se não tivesse mais nada de interessante no resto do mundo, apenas eu. Depois de tanto tempo, faz parecer novamente que há algo de especial em mim.

Gosto de como ele me trata. Desde o início, sinto seu carinho e cuidado. Minho se preocupa, tenta de tudo para me deixar bem e confortável. Quando vamos comer alguma coisa, ele sempre se preocupa se há opçoes zero lactose; quando está frio, ele me dá sua jaqueta; quando estou com as costas doendo, ele carrega a minha mochila; quando sinto sua falta, recebo uma mensagem sua. Ele é atencioso, gentil, cuida de mim como pode.

Gosto de absolutamente tudo sobre ele.

Gosto do seu sorriso bonito — que poucas pessoas tem a chance de ver. É boa a sensação de estar ao seu lado, feliz, empolgada. Sua presença por si só me encanta, ele tem toda uma aura inexplicável, é como se bastasse pisar os pés em um lugar para toda a atenção ser voltada para si. Não existe outro como ele. É como se todas as qualidades se concentrassem em uma única pessoa, às vezes sinto como se ele não fosse real, então fico com medo de acordar um dia e descobrir que tudo isso foi apenas um ótimo sonho.

Mas o aqui-agora não é um sonho, é verdadeiro. Suas mãos em minha nuca e cintura, sua respiração que se funde com a minha, seus lábios aos meus — tudo isso é verdade.

Dentre as coisas mais impensáveis que poderia acontecer este ano, beijá-lo não estava na minha lista.

— Preciso voltar 'pro jogo — ele diz.

— Você não pode, está com o joelho machucado. —  falo, evitando olhar diretamente nos seus olhos, como se fossem me petrificar. —  Já conversamos sobre isso.

— Para torcer. — corrige.

Sou eu quem está com perca de memória. Ainda estou um pouco tonta depois do que aconteceu. Continua parecendo uma fantasia.

𝐀𝐅𝐓𝐄𝐑 '𝐋𝐈𝐊𝐄'; 𝗹𝗲𝗲 𝗸𝗻𝗼𝘄Onde histórias criam vida. Descubra agora