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FAÇO O CAMINHO DE VOLTA PARA casa, junto dos meus amigos, mas em completo silêncio. Ninguém diz nada, ninguém consegue falar nada. Entendo, é difícil para meus amigos tentarem me defender. Minha culpa.
Me irritei atoa, disse coisas que me arrependo. Onde está a novidade nisso tudo?
Quando chego em casa, vejo os tênis de Minho no armário da entrada, significa que ele está aqui. Porém, a casa está silenciosa. Qual o problema disso? É que tenho mais tempo a sós com os meus pensamentos.
Acredito que o nosso pior inimigo seja a nossa mente. É como ter um arsenal interno completo, onde há um botão sensível que a qualquer momento pode ser acionado e causar destruição. Ela nos conhece bem, até as coisas que não alcançam o mundo real e ficam presas no imaginário. Assim como pode promover cura, por exemplo nos estudos de efeito placebo que o Lee me mostrou na semana passada, a mente pode ser o terror e a ruína do sujeito.
Tento ignorar os meus pensamentos. Sejam os que me lembram da discussão que tivemos alguns minutos atrás, ou do intrusivo que me indica para bater a cabeça com força na parede.
Acabo subindo ao meu quarto, por puro reflexo. Abro a porta, mas desta vez não o encontro. O som de água caindo soa repentino, imagino então que deva ser ele tomando banho. Aproveito para sair, não deveria ter entrado. Me pergunto se foi por instinto, ou a minha mente me levando inconscientemente até ele.
No quarto da minha mãe, encontro com a desprovida de bom senso, deitada na cama da mais velha. A cena é comum. Fones de ouvido com orelhas de gatinho e HQs.
Entro, deixo a mochila no espaço vazio do armário que a mamãe reservou, separo roupas limpas para o meu banho. Não tenho com quem conversar, não possuo o que falar, então enfio a cara no celular, sem opções, esperando até que possa ouvir o som da porta do quarto ao lado sendo aberta e em seguida fechada, pois não pretendo sair até que o outro já esteja de volta ao meu quarto.
Procuro algo de interessante nas redes sociais, mas até isso é difícil. Nada me parece interessante. Tenho a sensação de que nada de relevante acontece. Para piorar, recebo uma travesseirada na cabeça.
— Ai! — exclamo de dor quando sinto o objeto macio, porém surpreendentemente pesado quando é violentamente arremessado em mim.
— Eu quero pizza. — a peste diz, impondo como se tivesse alguma autoridade. Ela não mostra sequer algum arrependimento. Não se importa. É completamente dissimulada. — A mamãe me disse que vai atrasar e que te deu dinheiro para comprar o jantar. Quero pizza.
— Problema seu! — respondo.
Eu também queria pizza, mas agora não posso mais pedir. É uma questão de orgulho.