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DESPEÇO-ME DE MINHO ANTES DE finalmente entrar em casa, o que leva bastante tempo. Eu não quero sair do carro, ele não quer me deixar entrar em casa. Fico ao seu lado, sinto seu cheiro e o calor que o seu corpo emana — isso faz com que eu deseje ainda menos me afastar. Ainda assim, chega o momento em que preciso dizer tchau. Está tarde, é melhor que Lee volte logo, para sua segurança.
Vou ao lado de fora, aceno para ele enquanto caminho até a porta — de costas.
Pareço uma bobona andando feito caranguejo, porque assim consigo ter ele por mais tempo no meu campo de visão. Olho para o seu rosto sereno me encarando pela janela, com ele sinto a necessidade de aproveitar todo segundo possível. Quando entro em casa, suspiro, feliz e triste. Pela primeira vez na vida sinto-me como Cinderela, minha noite mágica também se encerrou à meia-noite.
Somente quando o vejo ir embora através da janela da sala é que dou as costas para a porta, então corro até o sofá e me jogo sobre o móvel macio. Fico encarando o teto com um sorriso enorme no rosto.
Acho que assim é estar apaixonada.
Sinto meu corpo leve, como se flutuasse no espaço. Fecho os olhos e penso em nós dois. Revejo mentalmente as cenas do dia de hoje, os lanches, o filme, seu cheiro, sua calor... toco meus lábios e sinto formigar. A memória do seu beijo dá replay na minha cabeça, queria voltar para aquele momento. Penso em voltar para fora, correr até ele e outra vez o beijar com toda a vontade dentro de mim, tudo isso sabendo que ele não está mais lá. É um desejo irracional, queria apenas estar com ele e nada mais.
Não sei quem me tornei. Minho tem razão quando diz que eu pareço outra pessoa, pois jamais pensei que chegaria a esse ponto. Eu sou — ou era — alguém que ama de longe, mas agora o tenho tão perto e nem assim parece ser suficiente. Assim parece certo. Será que essa é uma mudança das boas?
Talvez Minho seja justamente o que há de bom em mim. Quando estamos juntos me sinto melhor, mais tranquila e confiante. É a versão minha que mais gosto, porque ela é livre para compartilhar todos os medos e anseios. Minho é o sol que ofusca a sombra do meu passado e talvez isso seja o melhor da nossa relação. Se não fosse tudo o que passei, talvez as coisas pudessem ser assim sempre, boas sem muito esforço, sem nada que me prendesse.
Poderia ser ainda melhor.
Penso nisso e nele por muito mais tempo. Quando ouço o som de motor de carro, eu praticamente pulo do sofá, pensando que ele poderia ter voltado para mim, que o manifestei com o poder do meu pensamento — mesmo eu não acreditando nem um pouco nisso. Vou até a porta de entrada, afasto a cortina e o procuro do lado de fora, mas quando faço isso percebo um carro muito diferente no lugar em que o outro ocupava.