Madrid, 06 de julho de 2024 (Sábado)
Alfonso
Era mesmo uma linda tarde, pensei comigo, enquanto caminhava pelas trilhas do parque Casa de Campo com os meninos, contemplando a natureza em volta—céu azul, árvores frondosas e gente passeando a pé e de bicicleta por todo o parque. Aquela era talvez a maior área verde de Madrid, onde ficavam um lindo palácio que já foi dos reis da Espanha, o aquário da cidade e uma enorme lagoa.
Avistei um quiosque próximo à ponte que vendia churros e não resisti. "Quem quer churros?!" Eu perguntei animado, para a alegria dos quatro garotinhos que me acompanhavam.
"De chocolate, papai!" Daniel pediu.
"Eu também, chocolate!" Emiliano falou, lambendo os beiços e esfregando a barriguinha redonda.
Entramos na fila e percebi algumas pessoas nos olhando. É, realmente não é comum ver um cara sozinho com não um, nem dois, nem três, mas quatro filhos, andando por aí.
A senhorinha que estava na nossa frente sorriu e cumprimentou os meninos. "Que lindos e comportados vocês são! Estão se divertindo com o papai?"
"Estamos!" Nico respondeu com um sorriso. Eu até me surpreendi, pois ele era do tipo que se escondia atrás das minhas pernas se algum estranho puxasse assunto com ele. "Eu sou o Nico e esse são os meus irmãos."
"Mas vocês são muito simpáticos. Muito prazer, meninos."
"A senhora também gosta de churros?" Daniel perguntou, curioso.
"Iiih, adoro. É meu doce predileto. Desde menina eu compro quando venho ao parque."
"Wow, faz muito tempo então!" Emiliano respondeu, genuinamente surpreso.
Tentei e não consegui conter uma risada e a senhorinha por sorte me acompanhou, também achando graça.
"Vocês não são daqui, não é mesmo?" Ela indagou, dessa vez olhando pra mim.
"Somos mexicanos, por isso falamos engraçado." Expliquei, dando de ombros. "Estamos aqui a trabalho..."
A senhorinha deu um largo sorriso. "Ah, bom, eu adoro as novelas mexicanas! Um dia eu gostaria de conhecer seu país, deve ser muito lindo."
"É sim, tem que ir com tempo, pois é muito grande e tem muita coisa pra ver, muita comida boa pra provar."
"Churros!" A atendente apressada anunciou, entregando à senhora o seu pedido.
"Gracías, cariño." A senhora respondeu, entregando a ela duas moedas de um euro. "Bom, foi bom conhecer os mexicaninhos! Tenham uma ótima tarde, meninos!" Ela desejou.
"Tchau!" Os meninos disseram em uníssono. A senhora foi embora e coube a mim fazer os pedidos, a fila atrás de mim já estava ficando grandinha.
Em pouquíssimos minutos, cada menino tinha seu saquinho e seu potinho com calda de chocolate e nos sentamos no gramado, sob a sombra de uma árvore, nos deleitando e claro, não resisti e saquei umas fotos deles com o celular, todos emelecados de fritura e chocolate.
"Eu amo churros, tio Poncho!" Emiliano falou pra mim com um sorrisão.
"Ah, eu também, Emi."
"Papai, eu já terminei, posso ir ver a ponte e os barquinhos?" Daniel perguntou.
"Só não vão dar a doida de se pendurarem nas grades, por favor!"
Daniel revirou os olhos e riu. "Claro que não, né, pai! Vamo gente!" Ele chamou os demais.
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Andar Conmigo
RomanceQuando termina a turnê Soy Rebelde, Anahí Puente se sente pronta para reassumir as rédeas de sua vida e sair da aposentadoria de vez. Divorciada do marido almofadinha, Annie aceita um papel principal numa série da Netflix e embarca para Madrid onde...
