Fayola:
Passei a noite inteira em claro,rondando a casa e pensando em tudo,inclusive no que Amelia dissera há 1 mês,que eu,não estava disposta a deixar tudo e voltar a mesma vida miserável de há cinco anos. Ela tinha razão eu não me imagino mais a passar fome,a não ter nenhum centavo na conta para custear as necessidades de casa,tão pouco ver o meu irmão a viver a mesma vida de merda que eu vivi quando tinha a idade dele. Amélia também tinha razão quando disse que eu não criei estratégia nenhuma para a minha vida,acostumei-me com o conforto proporcionado pelo chefe, e me esqueci que nenhum favor é feito de favor.
Quando o dia clareou,chefe Antônio levantou-se cedo,fez a sua higiene e enquanto terminava de se arrumar em meu quarto chamou-me para conversar:
___Hoje eu vou para o bailundo e quero que venhas comigo. Mandei a enfermeira voltar para cuidar da dona Albertina, estou a tratar os documentos para o Essanju ficar internamente no colégio __Disse enquanto terminava de se arrumar
___Tu não podes tomar decisões sem me consultar antes. Eu não vou para o bailundo contigo e o Essanju não vai para um colégio Interno ___Disse irritada e ao mesmo tempo surpresa
___Faça a mala __Disse num tom calmo
___Você não pode me obrigar a fazer nada,eu já disse que não vou para o bailundo e o Essanju não vai para um colégio interno ___Disse aos berros
___Tu passaras a ficar comigo no bailundo que tempo terás de cuidar do Essanju e da dona Albertina?__Questionou olhando fixamente para mim
___Tu podes tomar qualquer decisão já que és o dono do poder,mas da minha família cuido eu e você não vai tomar nenhuma decisão sobre eles sem o meu consentimento.__Disse firme
___Fayola, a estás horas eu fico com pouquíssima paciência,Arrume a mala e vamos __Disse passando as mãos no rosto enfurecido
___Eu já disse que não vou a lugar nenhum,você não é meu dono.__Disse com um tom mais alto
Ele virou-se para mim com muita irá,levantou suas mãos e deu-me duas bofetadas seguidas, gritando com autoridade:
___Eu mandei fazeres as malas,Porra!
Fiquei estática com as minhas mãos no rosto, não conseguia gritar, mas lágrimas caiam lentamente.
___A Mulher quando é teimosa apanha muito... __Disse abrindo a porta do quarto
[...]
Eu permaneci naquele estado por longos minutos quando olhei para o espelho os dedos grossos dele estavam marcados no meu rosto
___Miserável,mil vezes miserável...
No mesmo instante a porta se abriu e lá estava Essanju..
___Vamos embora. __Disse baixinho com a cabeça encostada nas minhas costas
___Essanju!__Disse surpresa
___Eu ouvi tudo,por favor vamos embora. Um dia você disse que o meu pai batia a nossa mãe e isso apagou toda felicidade dela. porquê você deixou ele bater em você ?__Disse cabisbaixo
___Ninguém bateu em mim,onde tiraste isso? __Disse com o rosto inclinado ao chão e com um sorriso disfarçado
Ele ficou em frente de mim e levantou o meu rosto,seus dedos levemente passaram por cima da marca dos dedos do chefe Antônio que haviam ficado marcados no meu rosto
___Vais dizer que bateste o rosto na parede? Mana eu já não sou criança. Eu já entendo as coisas __Disse com o olhar triste e a voz fraca
___Um dia quando atingires mais maturidade e teres a minha idade ou maior tu vais perceber que as vezes na vida é preciso passarmos por isso para vermos as pessoas que amamos bem.__Disse lacrimejando
___Eu nunca vou entender essa regra inventada pelas pessoas para justificarem suportar o insuportável. É visível que tu não gostas do chefe Antônio, é visível que ele quer te transformar em propriedade dele e tudo isso para que? Se tu não estás feliz? Tudo isso para garantir que eu continue a ir num colégio prestigiado? Para vivermos nessa casa? Desfrutarmos de um conforto que não nos trás alegria?
___Essanju, eu já sofri muito nessa vida e sofro todos os dias quando não posso fazer nada por vocês. A nossa mãe morreu e eu nem se quer pude comprar um caixão para ela, Essanju a nossa avó viveu a vida dela toda suportando o insuportável
,e eu hoje só quero lhe proporcionar uma velhice tranquila __Disse ainda aos prantos
___Mas tu não estás feliz,Fayola__Disse mais alto
___Eu não quero que tu experimentes nem mais um dia dormir a fome, eu não quero que tu sofras por algo mínimo nunca mais,eu não quero ter que ver a avó novamente abandonada na maca de um hospital porque não tem médicos no hospital __Disse com a voz mais firme
___Eu não quero mais nada disso, eu não quero ser cúmplice ou culpado da tua infelicidade.__Disse lacrimejando
___Mas eu não estou infeliz, eu gosto do chefe Antônio. Hoje tivemos um desentendimento e é normal entre casais __Disse segurando forte em suas mãos
___Faça o que você quiser mais eu não serei cúmplice disso__Disse largando bruscamente minhas mãos e retirando-se do quarto
__Essanju,volta aqui__Ordeno
___Quis te mostrar isso, a empresa Ceringola,Está a recrutar engenheiros agrônomos e ambientalistas caso estejas interessada em deixar de ser sustentada por esse senhor__Disse jogando um papel no chão
[...]
Estava sentada na cama olhando vezes sem contas para o papel que Essanju havia jogado no quarto,lá constavam todos os requisitos necessários para me candidatar a vaga de emprego.
Peguei no computador,acessei o site e remite a minha candidatura. A oferta salarial era boa e alguns requisitos eu possuía com sorte ainda sou contratada.
[...]
Um Mês Depois/Bailundo
Fayola:
Faz um mês que eu me mudei para o bailundo com o chefe Antônio, a vida no bailundo é sem graça e monótona,não há diversão alguma apenas solidão,vazio e marcas passadas da guerra ainda visível naquelas estruturas antigas.
A manha estava muito fria como sempre,estava sentada numa tenda que ficava numa zona mais reservada e calma do quartel mexendo no computador apesar do acesso à internet naquela zona ser péssimo quando verifiquei o e-mail e o meu coração se encheu de alegria.
___Eu consegui__Disse sorridente
___Conseguiste o que? __Perguntou chefe Antônio
Fechei rapidamente o computador assustada
___Assustaste-me,você aparece assim que nem uma assombração ___Digo ainda com os nervos a mil
___Não te quis assustar,então o que te deixou tão feliz?__Disse puxando uma cadeira para se sentar
___Consegui passar num nível de jogo que estava muito difícil,afinal é o único entretenimento que tenho nesta quinta dos infernos que me trouxeste ___Disse disfarçando
O silêncio instalou-se por alguns minutos, uma senhora que havíamos contratado para cuidar da alimentação e todas outras tarefas domésticas chegará com duas chávenas de chá quente e biscoitos . Assim que retirou-se,Chefe Antônio olhou fixamente para mim e começou a falar de forma seria como é o habitual.
___Fayola,eu já te dei tempo suficiente para te adaptares a tudo isso. Quando vais ser minha mulher no verdadeiro sentido da palavra?
___Querias dizer quando abrirei às pernas para ti? Quando permitirei ser penetrada por ti é isso? __Disse sem esquivar o olhar que o encarava com desprezo
___É isso. Eu sou homem e tenho as minhas necessidades. Fizemos um acordo eu cumpro todos os dias com a minha parte já tu nem a metade __Disse ainda mais sério
___Eu vou cumprir com a minha parte, mas antes preciso ir para cidade só preciso de dois dias lá, estou inquieta preciso ver a minha família. Quando regressar eu farei tudo que quiseres.
___A tua família está bem,você não precisa ir para cidade.
___Por favor,vai ser rápido __Imploro
___Está bem. Os meus homens vão levar-te,em dois dias quero-te de volta.___Disse com autoridade.
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A Procura de Miranda
RomansaApós a devastadora guerra civil em Angola em 1975, Paula e sua família enfrentam uma jornada tumultuada pelo país, sobrevivendo nas matas do Huambo. Seus sonhos são dilacerados pelas marcas de cada guerreiro, mas um falso conforto surge quando ela s...
